O mercado de seguros automotivos passa por uma transformação significativa no Brasil. Para acompanhar a crescente demanda por serviços mais flexíveis e compatíveis com a realidade financeira de diferentes perfis de consumidores, seguradoras estão lançando planos de seguro personalizáveis.
A tendência permite que os motoristas escolham as coberturas que desejam incluir ou excluir em suas apólices — como colisão, roubo, perda total ou assistência 24 horas — e, com isso, tornem o seguro mais acessível.
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Com a alta no número de veículos circulando no país e o crescimento do varejo de carros, as seguradoras perceberam uma lacuna importante: muitos motoristas deixam de contratar seguros por questões financeiras ou por não encontrarem planos que se encaixem em seu perfil de uso. Para atender esse público, a personalização das apólices surge como uma solução estratégica.
Segundo Jaime Soares, diretor-executivo da Porto Seguro, “a venda de carros só cresce no Brasil, e vemos isso como uma oportunidade”. Ele destaca que a flexibilidade dos planos aumenta a chance de inclusão de consumidores que antes estavam fora do mercado segurador.
Como funciona o seguro de carro personalizável?
Coberturas adaptáveis à realidade do cliente
Ao contratar um seguro personalizável, o cliente pode decidir quais eventos deseja cobrir, entre eles:
- Roubo e furto
- Colisão e danos parciais
- Perda total
- Danos a terceiros
- Assistência 24 horas (guincho, chaveiro, pane seca, etc.)
- Carro reserva e hospedagem emergencial
Com isso, motoristas que, por exemplo, estacionam em garagens fechadas e rodam pouco, podem optar por excluir a cobertura contra furto ou assistência 24h, barateando o valor do seguro.
Cálculo do valor
O valor da apólice é definido com base em variáveis como:
- Idade e gênero do condutor
- Região de circulação e estacionamento do veículo
- Frequência de uso
- Tipo e valor do carro
- Coberturas contratadas
De acordo com simulações feitas pela corretora Minuto Seguros, o preço de um seguro anual para um motorista de 30 anos, com carro popular usado no centro de São Paulo, pode variar de R$ 1.200 a R$ 7.000 — a depender do nível de cobertura selecionado.
A digitalização do atendimento e o papel da tecnologia
A revolução dos seguros personalizáveis só se tornou possível com o avanço da tecnologia. A Porto Seguro, por exemplo, precisou de três anos de modernização das suas plataformas digitais antes de lançar seu serviço personalizado em junho de 2024.
Hoje, mais de 70% dos atendimentos da Porto são realizados digitalmente, seja para cotações, sinistros ou atendimento ao cliente. A integração entre sistemas, inteligência artificial e automação permitiu uma operação mais ágil e de menor custo — o que reflete também no preço final ao consumidor.
Além disso, a Porto planeja integrar o seguro a outras frentes do Grupo Porto, como:
- Serviços de manutenção automotiva
- Consultas de crédito
- Empréstimos e produtos bancários
- Monitoramento veicular
Com isso, o cliente passa a ter acesso a um ecossistema de soluções integradas, todas disponíveis de forma digital.
Liderança da Porto Seguro e avaliação positiva no mercado
A estratégia de personalização e digitalização tem trazido resultados à Porto Seguro. A empresa foi eleita, pela oitava vez consecutiva, como a melhor seguradora de automóveis da cidade de São Paulo, segundo levantamento do Datafolha. A marca foi lembrada espontaneamente por 49% dos moradores das classes A e B da capital paulista.
Esse reconhecimento demonstra não apenas a confiança do consumidor, mas também a força da marca em se adaptar às mudanças do setor.
O impacto no setor e o crescimento do mercado
A Fenseg (Federação Nacional de Seguros Gerais) projeta que o mercado de seguros automotivos deverá crescer 4% em 2025, acompanhando o bom desempenho nas vendas de veículos e a modernização das seguradoras.
Jaime Soares, que também preside a comissão de seguros de automóveis da Fenseg, ressalta que a tendência é de democratização do seguro, permitindo que mais brasileiros possam contratar uma apólice com valor condizente à sua realidade.
Além disso, a concorrência no setor tende a acirrar com o avanço de insurtechs — startups especializadas em seguros digitais — que também apostam em modelos sob demanda, pagamento por quilometragem rodada e cobertura temporária.
Vantagens dos seguros personalizados
Para o consumidor:
- Mais controle sobre o que está contratando
- Redução significativa no valor do seguro
- Adequação à realidade de uso do veículo
- Agilidade no atendimento via plataformas digitais
- Maior possibilidade de acesso ao serviço
Para a seguradora:
- Ampliação da base de clientes
- Redução da inadimplência
- Modelagem de riscos mais eficiente com base em dados
- Engajamento com novos perfis de consumidores, como jovens e motoristas de aplicativo
Exemplo prático: como contratar e personalizar
- Acesse o site ou app da seguradora
- Informe os dados do veículo e do condutor
- Escolha as coberturas desejadas
- Visualize em tempo real a variação de preço conforme alterações
- Finalize a contratação 100% online
- Receba a apólice digital imediatamente
Com esse modelo, o cliente entende claramente o que está contratando e pode ajustar os serviços sempre que sua realidade mudar — por exemplo, se trocar de carro, mudar de endereço ou alterar a frequência de uso.
O futuro dos seguros automotivos no Brasil

A personalização veio para ficar. Com consumidores cada vez mais exigentes e conectados, o modelo tradicional de seguro — com pacotes fixos e valores elevados — tende a dar lugar a soluções flexíveis, transparentes e digitais.
A expectativa é de que novas tecnologias como IA, big data e IoT (Internet das Coisas) também passem a integrar os seguros, oferecendo:
- Monitoramento em tempo real do uso do veículo
- Descontos para motoristas com bom comportamento no trânsito
- Acesso a serviços de forma geolocalizada
- Contratação por períodos curtos (diária ou mensal)
A inovação contínua nesse segmento deve acelerar a inclusão de novos perfis de consumidores — especialmente jovens, moradores de grandes cidades e pessoas com orçamento reduzido.
