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Selic deve seguir em 15% ao ano por período prolongado, dizem economistas

Mercado prevê Selic em 15% nesta semana; inflação alta adia cortes de juros para 2026. Saiba mais detalhes aqui!

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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A mediana das estimativas do mercado financeiro aponta que o Banco Central (BC) deve manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) que acontecem na terça (16.set) e quarta-feira (17.set).

Se confirmado, será a segunda reunião consecutiva em que a Selic permanece neste patamar, o maior nível desde o início da década de 2000. A decisão reflete a estratégia da autoridade monetária de conter a inflação persistente, que segue acima do limite definido pela meta oficial.

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Contexto: Selic em 15% desde junho

A justificativa do BC para juros elevados

O BC elevou a Selic para 15% em junho de 2025, em resposta ao avanço da inflação no país. Segundo o comunicado divulgado na ocasião, o objetivo era reduzir o consumo, encarecer o crédito e, com isso, frear a pressão sobre os preços.

Essa política monetária contracionista provoca uma desaceleração da economia: famílias consomem menos, empresas adiam investimentos e o crédito se torna mais caro. Ainda assim, o Banco Central indicou que parte do efeito da taxa elevada “ainda está por vir”, reforçando a expectativa de que os juros se mantenham altos por mais tempo.

Inflação: queda pontual, mas ainda fora da meta

IPCA mostra deflação em agosto, mas acumulado preocupa

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou queda de 0,11% em agosto, representando um episódio de deflação. No entanto, no acumulado de 12 meses, o indicador subiu 5,13%, ultrapassando o teto da meta oficial.

A meta definida pelo CMN

O Conselho Monetário Nacional (CMN) estabeleceu uma meta central de 3% para a inflação, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Atualmente, a taxa anualizada está fora do limite há 11 meses consecutivos. A última vez em que o índice esteve dentro da meta foi em setembro de 2024, quando o acumulado em 12 meses ficou em 4,42%.

Projeções oficiais do BC

Em carta publicada em julho, o Banco Central afirmou que a expectativa é de que a inflação retorne ao intervalo permitido apenas no primeiro trimestre de 2026, reforçando a necessidade de manter os juros altos por mais tempo.

Expectativas do mercado financeiro

Boletim Focus confirma cenário

O Boletim Focus, divulgado na segunda-feira (8.set), reforça a visão de que os juros devem permanecer elevados até o final do ano. A mediana das estimativas do mercado aponta:

  • Inflação em 2025: 4,85%
  • Selic em 2025: 15,00%

Segundo os analistas, o primeiro corte nos juros deve ocorrer apenas em 28 de janeiro de 2026, marcando o início de um ciclo de flexibilização monetária.

Comparação com os juros nos Estados Unidos

Expectativas de corte pelo Federal Reserve

Enquanto o Brasil deve manter os juros em 15%, analistas projetam que o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, anunciará nesta quarta-feira (17.set) um corte de 0,25 ponto percentual.

Atualmente, a taxa norte-americana está entre 4,00% e 4,25% ao ano, patamar considerado elevado para a economia global. A possível redução busca estimular o crescimento nos EUA, diante de sinais de desaceleração econômica.

Instituições como Banco BMG, XP Investimentos, ABC Brasil e BTG Pactual estão entre as que projetam o corte. A decisão pode influenciar o fluxo de capitais internacionais e, consequentemente, o câmbio no Brasil.

Por que o BC insiste em manter os juros altos?

Banco Central
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Inflação fora da meta é o principal motivo

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, já sinalizou que a inflação continua sendo o maior desafio da política monetária. Mesmo com deflação em agosto, os preços de serviços e alimentos ainda apresentam pressão significativa, o que preocupa o Copom.

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Credibilidade e expectativas

Manter a Selic elevada também serve para reforçar a credibilidade da autoridade monetária diante do mercado. Ao demonstrar firmeza, o BC tenta ancorar as expectativas de inflação, reduzindo riscos de deterioração no médio prazo.

Impactos dos juros altos na economia

No consumo e no crédito

Com a Selic em 15%, os efeitos são sentidos diretamente pelos consumidores:

  • Crédito mais caro: taxas de financiamento, cartão de crédito e empréstimos sobem;
  • Consumo reduzido: famílias gastam menos em bens duráveis, viagens e lazer;
  • Empresas recuam: investimentos em expansão e contratação de pessoal são adiados.

No câmbio

Taxas elevadas também tendem a atrair capital estrangeiro, fortalecendo o real frente ao dólar. Esse movimento ajuda a conter a inflação de importados, mas pressiona setores exportadores.

Perspectivas para 2026

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Mercado prevê início dos cortes em janeiro

A expectativa dominante é de que o primeiro corte de 0,25 ponto percentual ocorra na reunião de janeiro de 2026. Caso a inflação apresente trajetória de queda sustentada, o Copom pode dar início a um ciclo gradual de flexibilização, reduzindo os juros ao longo do ano.

Risco fiscal segue no radar

Especialistas alertam, contudo, que a trajetória da política monetária dependerá também do equilíbrio fiscal do governo. Qualquer sinal de descontrole nas contas públicas pode adiar o início dos cortes e até levar a novas altas, caso as expectativas se deteriorem.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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