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Selic de 14%? Veja o que está por trás das novas previsões do mercado

Itaú, Banco Pine e MAG Investimentos revisam projeções para a Selic. Entenda por que os juros podem permanecer elevados em 2026.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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As expectativas para a trajetória dos juros no Brasil mudaram significativamente nas últimas semanas. O cenário que, no início do ano, apontava para uma queda mais intensa da taxa Selic passou por uma forte revisão após a combinação de inflação persistente, mercado de trabalho aquecido e aumento das tensões geopolíticas internacionais.

Grandes instituições financeiras, entre elas Itaú, Banco Pine e MAG Investimentos, atualizaram suas projeções e agora trabalham com uma Selic entre 13,5% e 14% ao final de 2026. A mudança reflete uma percepção crescente de que o Banco Central terá menos espaço para promover cortes agressivos nos juros nos próximos meses.

A revisão também acompanha a deterioração das expectativas inflacionárias e a reprecificação das curvas de juros observada em diversos países.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Na virada do ano, parte relevante do mercado acreditava que a desaceleração da economia brasileira abriria espaço para uma redução mais acelerada da taxa básica de juros.

Entretanto, uma série de fatores alterou esse cenário.

Entre os principais estão:

  • Persistência da inflação acima das metas;
  • Alta dos preços internacionais do petróleo;
  • Mercado de trabalho mais resistente do que o esperado;
  • Crescimento econômico superior às projeções iniciais;
  • Incertezas geopolíticas no Oriente Médio;
  • Pressões fiscais observadas no Brasil e no exterior.

Com isso, os economistas passaram a revisar suas estimativas para a política monetária brasileira.

Itaú vê espaço mais limitado para cortes

Entre as instituições que revisaram suas projeções está o Itaú.

Segundo análises divulgadas pelo banco, o cenário econômico atual não permite aceleração no ritmo de redução dos juros.

Inflação continua preocupando

O banco elevou sua projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador oficial de inflação do país.

A expectativa passou de 5,2% para 5,4%.

A revisão foi influenciada principalmente pelo chamado repasse indireto dos preços do petróleo.

Quando combustíveis e derivados ficam mais caros, diversos setores da economia acabam absorvendo custos maiores, o que pode resultar em aumentos de preços para o consumidor final.

Economia mais forte do que o previsto

Outro fator que influenciou a mudança de cenário foi o desempenho da atividade econômica.

O Itaú elevou sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,9% para 2,1%.

Além disso, o banco destaca que o mercado de trabalho segue aquecido, sem sinais claros de desaceleração.

A expectativa para a taxa de desemprego em 2026 permanece em 5,7%, patamar considerado baixo para os padrões históricos brasileiros.

Medidas de estímulo também entram na conta

Os economistas avaliam que programas recentes de incentivo ao crédito e à atividade econômica podem contribuir para manter a demanda aquecida.

Entre as iniciativas observadas estão:

  • Programas de renegociação de dívidas;
  • Linhas subsidiadas para renovação de frota;
  • Incentivos ao crédito em setores específicos;
  • Ampliação de mecanismos de financiamento.

Quando a economia permanece forte, o Banco Central tende a agir com maior cautela para evitar pressões adicionais sobre a inflação.

Banco Pine projeta Selic de 14%

O Banco Pine também promoveu uma revisão importante em suas estimativas.

A instituição passou a trabalhar com uma Selic de 14% ao final de 2026.

Juros globais mais altos influenciam o Brasil

Segundo a análise do banco, a mudança não está relacionada apenas aos fatores domésticos.

Indicadores de inflação acima do esperado em economias como Estados Unidos, Japão e China contribuíram para elevar os rendimentos dos títulos públicos internacionais.

Esse movimento gera impacto direto nos mercados emergentes, incluindo o Brasil.

Quando os juros permanecem elevados nas economias desenvolvidas, investidores exigem retornos maiores para aplicar recursos em países emergentes, pressionando as taxas locais.

Ambiente global mais desafiador

Na visão do Pine, mesmo uma eventual redução das tensões geopolíticas dificilmente seria suficiente para provocar uma queda significativa dos juros de longo prazo.

A combinação entre:

  • Inflação persistente;
  • Deterioração fiscal;
  • Aumento dos prêmios de risco;
  • Crescimento das incertezas globais;

cria um ambiente mais desafiador para os bancos centrais ao redor do mundo.

MAG Investimentos também revisa cenário

A MAG Investimentos foi outra instituição que alterou de forma relevante suas projeções.

Antes do agravamento das tensões internacionais, a gestora trabalhava com uma Selic de 12% ao final de 2026.

Agora, a projeção foi elevada para 14%.

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Guerra e commodities pressionam inflação

Segundo os economistas da gestora, o conflito no Oriente Médio ampliou os riscos de alta para importantes commodities.

Entre os produtos mais impactados estão:

  • Petróleo;
  • Combustíveis;
  • Fertilizantes;
  • Commodities agrícolas.

Esses aumentos acabam chegando à economia por meio dos custos de transporte, produção e distribuição, criando obstáculos adicionais para o controle da inflação.

O que diz o relatório Focus?

O Relatório Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central e que reúne as expectativas de centenas de instituições financeiras, também mostra uma mudança gradual de percepção.

Atualmente, a mediana das projeções aponta para uma Selic terminal de 13,25% ao final de 2026.

Há apenas algumas semanas, essa estimativa era de 13%.

Embora ainda esteja abaixo das projeções de algumas instituições privadas, a tendência demonstra que o mercado passou a enxergar juros elevados por mais tempo.

Como a Selic afeta a vida dos brasileiros?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A taxa Selic influencia praticamente todos os aspectos da economia.

Quando os juros permanecem elevados, os efeitos costumam ser percebidos em diferentes áreas.

Crédito mais caro

Financiamentos imobiliários, empréstimos pessoais e crédito para empresas tendem a apresentar custos maiores.

Investimentos em renda fixa mais atrativos

Produtos como:

  • Tesouro Selic;
  • CDBs;
  • LCIs;
  • LCAs;
  • Fundos DI;

costumam oferecer rentabilidades mais elevadas em períodos de juros altos.

Consumo desacelera

Com crédito mais caro e menor disponibilidade de recursos, famílias e empresas tendem a reduzir gastos e investimentos.

Esse efeito ajuda a controlar a inflação, mas também pode limitar o crescimento econômico.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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