Projeções apontam fim da alta dos juros e Selic mantida em 14,75%
Mercado projeta Selic mantida em 14,75% na reunião do Copom. UBS BB aponta fim do ciclo de alta, mas juros devem seguir altos até 2026.
O Comitê de Política Monetária (Copom) se prepara para sua próxima reunião, marcada para quarta-feira, 18, em meio a um cenário de juros elevados e inflação persistente. De acordo com as projeções do banco UBS BB, a taxa Selic deve permanecer a mesma, marcando o fim do ciclo de elevação dos juros iniciado como resposta ao avanço da inflação.
A análise do banco aponta que o Banco Central (BC) adotará uma estratégia de manutenção dos juros em patamares elevados por um período prolongado. A decisão reflete a preocupação da autoridade monetária em controlar a inflação, que permanece acima da meta estabelecida.
Fim do ciclo de alta, mas juros continuam altos
Contexto da decisão do Copom
De acordo com relatório divulgado pelo UBS BB, o comunicado anterior do Copom já sinalizava a manutenção da taxa, utilizando o termo “vigilância”, que historicamente antecipa decisões sem alteração na Selic.
Desde 2019, todas as vezes em que o BC usou essa expressão, a reunião subsequente terminou sem mudanças na taxa básica.
Quando os juros devem começar a cair?
Apesar do fim da trajetória de alta, o mercado financeiro não espera cortes imediatos. A expectativa, segundo o UBS BB, é que o Banco Central só comece a reduzir a Selic a partir de abril de 2026.
| Ano | Selic (%) | Variação prevista por reunião |
|---|---|---|
| 2025 | 14,75 | Estável |
| Abril/2026 | 14,25 | -0,50 p.p |
| Junho/2026 | 13,75 | -0,50 p.p |
| Dezembro/2026 | 11,75 | -0,50 p.p por reunião |
| Longo prazo | 9,00 | Meta de equilíbrio |
Inflação continuará acima da meta até 2026
Projeção para a inflação:
O relatório do UBS BB aponta que a inflação continuará pressionando a economia brasileira. As estimativas indicam uma alta de 5% em 2025 e de 4% em 2026, ambos acima do centro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3% ao ano.
Isso significa que a política de juros altos precisará ser mantida por mais tempo para conter o avanço dos preços.
Risco de estagflação preocupa especialistas
O que é estagflação?
O Brasil pode enfrentar um cenário de estagflação — combinação de baixo crescimento econômico com inflação elevada. Este quadro é particularmente desafiador, pois medidas para combater a inflação (como juros altos) acabam desacelerando ainda mais a economia.
Impactos da estagflação:
- Crescimento fraco: Menor geração de empregos e investimentos.
- Inflação alta: Reduz poder de compra da população.
- Limita cortes de juros: Qualquer redução antecipada pode reacender a inflação.
Como os juros altos impactam sua vida?
Efeitos diretos:
- Crédito mais caro: Financiamentos, empréstimos e cartões de crédito ficam mais caros.
- Consumo desacelera: Menor demanda por bens e serviços.
- Empresas investem menos: Projetos de expansão são adiados.
Pressão sobre a dívida pública
O custo elevado dos juros impacta diretamente as contas do governo. Com a Selic a 14,75%, o Tesouro Nacional precisa destinar mais recursos para pagar juros da dívida pública, o que compromete investimentos em áreas como saúde, educação e infraestrutura.
O que esperar da economia brasileira?

Cenário até 2026
- Juros altos até 2026
- Inflação acima da meta
- Risco de estagflação
- Retomada lenta do crescimento
Os analistas destacam que o Banco Central enfrenta um grande dilema: se reduz os juros para estimular a economia, pode perder o controle sobre a inflação. Se mantém os juros altos, aprofunda a desaceleração econômica.
FAQ
Quando os juros devem começar a cair?
A expectativa é de que os cortes comecem apenas a partir de abril de 2026, de forma gradual.
Qual o impacto da Selic alta na economia?
Juros altos encarecem o crédito, freiam o consumo, desestimulam investimentos e aumentam o custo da dívida pública.
Considerações finais
As projeções indicam que a economia deve conviver com esse patamar elevado de juros por um período prolongado, pelo menos até 2026, o que traz impactos diretos para empresas, consumidores e as contas públicas. O risco de estagflação, apontado por analistas, torna o cenário ainda mais delicado e exige atenção redobrada tanto do governo quanto do mercado.
Diante desse panorama, é fundamental que agentes econômicos — incluindo investidores, empresários e famílias — adotem estratégias de cautela, reavaliem investimentos e ajustem seus planejamentos financeiros para atravessar esse período de juros elevados e inflação resistente.
O desafio do Banco Central será encontrar o equilíbrio entre combater a inflação e não comprometer ainda mais o ritmo de crescimento econômico, que já dá sinais de fragilidade.