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Juros em debate: gestores estão divididos sobre Selic antes do Copom, diz XP

A poucos dias da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o mercado financeiro brasileiro apresenta uma divisão incomum: metade dos gestores de fundos multimercados projeta um aumento da taxa Selic, enquanto a outra metade acredita na manutenção dos atuais 14,75% ao ano. A informação é da mais recente pesquisa Pré-Copom da XP Investimentos, divulgada […]

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 5 min de leitura
Dólar selic

A poucos dias da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o mercado financeiro brasileiro apresenta uma divisão incomum: metade dos gestores de fundos multimercados projeta um aumento da taxa Selic, enquanto a outra metade acredita na manutenção dos atuais 14,75% ao ano. A informação é da mais recente pesquisa Pré-Copom da XP Investimentos, divulgada após ouvir 27 gestoras com foco em estratégias baseadas em cenários macroeconômicos.

A expectativa dividida reflete o momento de incerteza que domina o cenário doméstico. Enquanto alguns agentes enxergam espaço para continuidade do ciclo de aperto monetário, outros apontam para sinais de desaceleração da inflação e crescimento mais moderado da economia — o que justificaria manter os juros estáveis.

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Resultado da pesquisa da XP mostra equilíbrio

Selic
Imagem: Brenda Rocha Blossom / shutterstock.com

Metade prevê alta de 0,25 p.p.; metade aposta em estabilidade

A sondagem feita entre os dias 4 e 12 de junho pela XP revelou que 50% das casas esperam uma elevação de 0,25 ponto porcentual na Selic, levando-a para 15% ao ano. Os demais acreditam que a taxa será mantida no nível atual.

Além disso, a média das projeções para a taxa Selic no fim de 2025 subiu de 14,77% para 14,83%. Esse pequeno ajuste pode indicar que parte do mercado começa a considerar um novo ciclo de alta, ainda que modesto.

Levantamento do Projeções Broadcast confirma divisão

Maioria também se mostra incerta no relatório publicado no dia 12

Outro levantamento, o Projeções Broadcast, divulgado no dia 12 de junho, reforça essa divisão. Das 48 instituições consultadas, 27 esperam manutenção da Selic em 14,75% ao ano, e 21 apostam em aumento de 0,25 ponto porcentual.

A divergência revela um ponto central: o Banco Central está diante de um dilema sobre o combate à inflação e a preservação do crescimento. O Copom terá de pesar os riscos com cautela, em meio a um cenário interno instável e ao mesmo tempo impactado por fatores externos.

Inflação e crescimento econômico influenciam apostas

Inflação tem queda e PIB mostra recuperação moderada

A inflação projetada para 2024 recuou pela segunda vez consecutiva, de 5,56% em maio para 5,35% em junho, segundo a XP. Esse movimento acompanha a tendência de revisões para baixo no Relatório Focus (atualmente em 5,44%) e reflete a diminuição das pressões cambiais.

O Produto Interno Bruto (PIB) estimado para 2025 também subiu: de 2,11% para 2,38%. A expectativa de crescimento moderado, mas constante, sugere que há espaço para juros mais altos sem sufocar a atividade.

Mudança nas posições de juros nominais e reais

Selic
Imagem: Freepik e Canva

Gestoras começam a enxergar fim do aperto monetário

As gestoras também alteraram seu posicionamento em relação aos juros. Em juros nominais, o número de casas com posição neutra aumentou 12 pontos percentuais. Em juros reais, o avanço foi ainda maior: 24 p.p.

Esse reposicionamento sinaliza que uma parcela significativa do mercado acredita na proximidade do fim do ciclo de aperto monetário — ou ao menos considera os juros atuais suficientemente restritivos.

Real valorizado e dólar enfraquecido dominam o câmbio

Casas estão compradas em real e vendidas em dólar

O cenário cambial também mudou. A XP aponta que 67% das gestoras estão atualmente compradas em real, ante 33% em janeiro. Em contrapartida, a posição vendida em dólar saltou de 13% para 95%.

Essa virada reflete a perda de força da tese de um dólar forte, além da percepção de que o real pode se beneficiar do atual equilíbrio externo e das taxas de juros ainda elevadas no Brasil.

Outras moedas também ganham espaço nas carteiras

A pesquisa também destaca realocações para outras moedas: todas as casas com posição em euro estão compradas, e o iene japonês tem ganhado espaço como ativo defensivo.

Leve melhora na Bolsa brasileira, mas cautela predomina

Investidores ainda hesitam diante de incertezas externas

Na renda variável, houve uma melhora tímida na percepção dos gestores sobre o Brasil. O número de casas compradas em ações locais subiu de 42% para 44%, enquanto as vendidas caíram para 15%. A maioria (41%) permanece neutra.

No exterior, a postura é ainda mais conservadora. Nos Estados Unidos, 52% estão neutros, e apenas 37% comprados. Em mercados globais, a neutralidade cresceu de 81% para 85%.

Perspectiva mais positiva para o cenário internacional

Visão negativa global diminui e avaliações positivas aumentam

A visão negativa sobre a economia global caiu de 68% em maio para 41% em junho, segundo a XP. Ao mesmo tempo, aumentaram as avaliações neutras e positivas — estas passaram de 3% para 15%.

Os analistas destacam que “a seletividade segue como premissa”, com uma ligeira preferência por ativos locais diante das incertezas no exterior. O alívio nas tensões comerciais globais é apontado como um dos fatores que justificam essa mudança de sentimento.

Multimercados se destacam com desempenho acima do CDI

Selic
Imagem: rafastockbr/Shutterstock.com

Flexibilidade e diversidade explicam bom rendimento

Outro destaque da pesquisa foi o desempenho das estratégias multimercado. Esses fundos entregaram, em média, 134% do CDI nos últimos 12 meses. Para a XP, essa performance se deve à flexibilidade dos gestores em operar diferentes classes de ativos — juros, câmbio e bolsa — tanto no Brasil quanto no exterior.

A resiliência dessas carteiras, segundo a análise, está relacionada à menor dependência do cenário macroeconômico, o que as torna atrativas em ambientes de alta volatilidade e incerteza.

Conclusão

Às vésperas de uma das decisões mais esperadas do ano, o mercado financeiro brasileiro se vê em um impasse sobre o rumo da taxa Selic. A divisão entre elevação e manutenção do juro básico mostra não apenas o grau de incerteza que paira sobre a economia nacional, mas também a complexidade do cenário atual. Enquanto a inflação cede e o PIB surpreende positivamente, o Copom terá de calibrar sua decisão com cautela, em meio a uma conjuntura que exige leitura fina e estratégica. O posicionamento dos gestores e os dados apresentados mostram que, independentemente da decisão, a volatilidade deve seguir como marca registrada do mercado nos próximos meses.

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