As expectativas do mercado financeiro para os juros brasileiros voltaram a piorar. O mais recente Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (8), mostrou uma elevação nas projeções para a Selic em 2026 e 2027, além de uma nova alta nas estimativas de inflação.
Mercado prevê juros de 13,5% em 2026 após revisão do Focus
Mercado eleva projeções para a Selic e inflação após novas tensões no Oriente Médio. Veja o que muda para economia e investimentos.
O movimento ocorre em um momento de aumento das incertezas globais, especialmente após a escalada das tensões no Oriente Médio. Conflitos na região costumam impactar diretamente os preços internacionais de commodities, principalmente petróleo e energia, elevando os riscos inflacionários em diversos países, incluindo o Brasil.
O relatório também revelou que a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) superou novamente o teto da meta perseguida pelo Banco Central, reforçando o cenário de cautela para a política monetária nos próximos anos.
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O que é o Boletim Focus e por que ele influencia o mercado?

O Boletim Focus é uma publicação semanal do Banco Central que reúne as projeções de centenas de instituições financeiras, consultorias e economistas para os principais indicadores econômicos do país.
Entre os dados acompanhados pelo mercado estão:
Inflação (IPCA)
Mede a evolução dos preços ao consumidor e serve como principal referência para a política monetária brasileira.
Selic
É a taxa básica de juros da economia, utilizada pelo Banco Central para controlar a inflação.
Produto Interno Bruto (PIB)
Representa o crescimento da atividade econômica do país.
Dólar
Indica a expectativa para a taxa de câmbio nos próximos anos.
As projeções do Focus não representam uma previsão oficial do Banco Central, mas funcionam como um importante termômetro das expectativas do mercado.
Inflação segue acima da meta e preocupa economistas
A principal preocupação continua sendo o comportamento da inflação.
Segundo o levantamento, a projeção para o IPCA de 2026 subiu de 5,09% para 5,11%. Foi a terceira semana consecutiva em que a estimativa ficou acima do teto da meta de inflação.
Atualmente, a meta contínua perseguida pelo Banco Central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Na prática, isso significa que o limite máximo aceitável é de 4,5%.
Com uma projeção de 5,11%, o mercado já espera uma inflação significativamente acima desse patamar.
Projeções atualizadas para a inflação
| Ano | Projeção anterior | Nova projeção |
|---|---|---|
| 2026 | 5,09% | 5,11% |
| 2027 | 4,02% | 4,03% |
| 2028 | 3,66% | 3,65% |
Embora a estimativa para 2028 tenha apresentado leve recuo, os números para 2026 e 2027 continuam demonstrando dificuldade para convergência da inflação à meta.
Como a guerra no Oriente Médio pode impactar a inflação brasileira
Conflitos geopolíticos costumam provocar reações rápidas nos mercados internacionais.
Quando há risco de interrupção na produção ou no transporte de petróleo, os preços da commodity tendem a subir. Isso afeta:
- Combustíveis;
- Transporte de mercadorias;
- Energia;
- Custos industriais;
- Preços dos alimentos.
O Brasil produz petróleo, mas ainda sofre influência das oscilações internacionais nos preços dos combustíveis e de diversos produtos importados.
Caso as tensões no Oriente Médio continuem aumentando, os economistas avaliam que o cenário inflacionário pode se tornar ainda mais desafiador nos próximos meses.
Mercado eleva projeções para a Selic
Com a inflação permanecendo elevada, o mercado passou a acreditar que os juros precisarão ficar altos por mais tempo.
A projeção para a Selic ao final de 2026 aumentou de 13,25% para 13,50%.
Para 2027, a estimativa também avançou, passando de 11,25% para 11,50%.
Já para 2028, a expectativa permaneceu estável em 10%.
Projeções atualizadas para a Selic
| Ano | Projeção anterior | Nova projeção |
|---|---|---|
| 2026 | 13,25% | 13,50% |
| 2027 | 11,25% | 11,50% |
| 2028 | 10,00% | 10,00% |
O aumento das projeções mostra que os analistas enxergam um processo mais lento de redução dos juros nos próximos anos.
O que juros mais altos significam para consumidores e empresas
Uma Selic elevada produz efeitos em toda a economia.
Crédito mais caro
Financiamentos imobiliários, empréstimos pessoais e crédito para empresas tendem a ficar mais caros.
Menor consumo
Com juros elevados, famílias costumam reduzir gastos e priorizar a quitação de dívidas.
Investimentos em renda fixa ganham atratividade
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Aplicações como Tesouro Selic, CDBs e fundos DI geralmente oferecem retornos mais elevados em ambientes de juros altos.
Crescimento econômico mais lento
O custo maior do crédito reduz investimentos empresariais e pode limitar a expansão da atividade econômica.
Mercado aposta em manutenção dos juros na próxima reunião
Apesar da piora das projeções futuras, os investidores avaliam que o Banco Central pode optar por manter a taxa básica na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
Segundo o Termômetro do Copom, ferramenta que acompanha as apostas do mercado financeiro, cerca de 62% dos participantes esperam manutenção da Selic no próximo encontro.
Essa percepção reflete a estratégia de cautela adotada pelo Banco Central diante das incertezas internas e externas.
PIB apresenta leve melhora nas projeções
Em meio ao cenário de juros elevados e inflação resistente, as expectativas para o crescimento econômico apresentaram pequena melhora.
Projeções para o PIB
| Ano | Projeção anterior | Nova projeção |
|---|---|---|
| 2026 | 1,90% | 1,91% |
| 2027 | 1,70% | 1,70% |
| 2028 | 2,00% | 2,00% |
A alta para 2026 foi modesta, mas indica que os economistas ainda esperam expansão da atividade econômica, mesmo em um ambiente financeiro mais restritivo.
Dólar tem projeções revisadas para baixo
Enquanto inflação e Selic avançaram, as expectativas para o câmbio apresentaram ligeira melhora.
Projeções para o dólar
| Ano | Projeção anterior | Nova projeção |
|---|---|---|
| 2026 | R$ 5,16 | R$ 5,15 |
| 2027 | R$ 5,25 | R$ 5,20 |
| 2028 | R$ 5,30 | R$ 5,30 |
A redução das estimativas sugere uma expectativa de maior estabilidade cambial no médio prazo, embora fatores internacionais continuem representando riscos relevantes.
O que esperar da economia brasileira nos próximos meses

O cenário desenhado pelo Boletim Focus mostra uma economia que continua enfrentando desafios importantes para controlar a inflação.
A combinação entre pressões externas, especialmente ligadas ao Oriente Médio, e fatores internos mantém os economistas cautelosos quanto à trajetória dos preços e dos juros.
Para consumidores, o principal impacto pode ser a manutenção do crédito mais caro por um período prolongado. Já para investidores, aplicações de renda fixa seguem beneficiadas por uma Selic elevada.
Nos próximos meses, a evolução da inflação, o comportamento do dólar, as decisões do Banco Central e os desdobramentos do cenário internacional continuarão sendo os principais fatores observados pelo mercado financeiro brasileiro.
Conclusão
As novas projeções do Boletim Focus reforçam um cenário de maior cautela para a economia brasileira nos próximos anos. Com a inflação ainda acima da meta e as incertezas globais ganhando força, especialmente após o agravamento das tensões no Oriente Médio, o mercado passou a apostar em juros elevados por mais tempo. Nesse contexto, consumidores, empresas e investidores devem acompanhar de perto os próximos dados econômicos e as decisões do Banco Central, que continuarão sendo determinantes para os rumos da inflação, da Selic e do crescimento do país.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
