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Sell America: especialistas explicam realocação para mercados emergentes

Movimento Sell America fortalece o Ibovespa, impulsiona fluxo estrangeiro e coloca o Brasil no radar em meio a juros e eleições.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto6 min de leitura
ibovespa

O Ibovespa, principal benchmark da Bolsa brasileira, encerrou a última sexta-feira (23) aos 178.859 pontos, renovando máximas históricas e consolidando um movimento que tem ganhado força com a estratégia global conhecida como Sell America, marcada pela redução de exposição a ativos dos Estados Unidos e pela busca por oportunidades em mercados emergentes como o Brasil.

No acumulado do ano, o índice registra alta de 8,5% em reais e 10,3% em dólares, reforçando a atratividade do mercado brasileiro no atual ciclo internacional de alocação de capital.

Na sessão seguinte, segunda-feira (26), o índice chegou a abrir em alta, mas perdeu fôlego ao longo do pregão e fechou em leve baixa de 0,08%, aos 178.721 pontos. Apesar do ajuste pontual, o patamar elevado do índice mantém o otimismo predominante, sobretudo diante do fluxo consistente de capital estrangeiro observado nas últimas semanas.

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Movimento “Sell America” impulsiona mercados emergentes

Parte relevante desse desempenho está associada a uma rotação global de ativos. Analistas de mercado passaram a apelidar o movimento recente de “Sell America”, em referência à saída gradual de recursos de ativos dos Estados Unidos e à busca por oportunidades em mercados emergentes.

Segundo avaliação da Ágora Investimentos, o aumento da aversão ao risco nos EUA, somado a incertezas políticas e fiscais, tem levado investidores globais a reduzir exposição ao mercado americano e a diversificar portfólios. Nesse contexto, o Brasil surge como um dos principais destinos, beneficiado por liquidez elevada, valuations atrativos e expectativa de mudança no ciclo monetário.

Brasil entra em 2026 como destaque entre emergentes

Relatório recente do JPMorgan aponta que o Brasil inicia 2026 como um dos mercados emergentes mais observados do mundo. Para o banco, os recordes do Ibovespa refletem fluxos extraordinários, sustentados por fatores domésticos e internacionais.

O destaque não se limita ao desempenho passado. O banco identifica dois grandes gatilhos para os próximos meses: o início de um ciclo de cortes na taxa de juros e o impacto das eleições presidenciais de outubro.

“O Banco Central provavelmente começará a cortar as taxas em março, com uma redução total de 350 pontos-base prevista para o ano”, avalia a equipe de estratégia do JPMorgan. Historicamente, ciclos de afrouxamento monetário costumam favorecer a Bolsa brasileira, ao reduzir o custo de capital das empresas e tornar a renda variável mais atrativa frente à renda fixa.

Setores que tendem a se beneficiar da queda dos juros

Com a perspectiva de juros mais baixos, alguns segmentos ganham protagonismo nas projeções de analistas.

Indústria e consumo

A redução da Selic tende a estimular o crédito, impulsionando investimentos produtivos e o consumo das famílias. Empresas industriais e de bens duráveis costumam reagir positivamente a esse ambiente, especialmente aquelas com maior sensibilidade ao financiamento.

Serviços públicos e infraestrutura

Empresas de energia elétrica, saneamento e concessões também se beneficiam de juros menores, já que operam com estruturas intensivas em capital e contratos de longo prazo.

Setor financeiro e imobiliário

Bancos, seguradoras e empresas do setor imobiliário historicamente apresentam melhora de resultados em ciclos de queda dos juros, com aumento da demanda por crédito e redução da inadimplência.

Eleições adicionam volatilidade ao mercado

Apesar do cenário construtivo, o JPMorgan ressalta que este será o primeiro ciclo de cortes de juros convivendo com uma eleição presidencial, fator que adiciona incerteza ao ambiente de investimentos.

As pesquisas iniciais indicam o presidente Lula na liderança, mas com índices elevados de rejeição. Ao mesmo tempo, nomes da oposição, como o senador Flávio Bolsonaro, ganham espaço. Para os estrategistas, a visibilidade do cenário eleitoral deve permanecer limitada ao menos até abril.

Diante disso, a recomendação é clara: foco em empresas de grande porte, com alta qualidade operacional, governança sólida e menor exposição a riscos políticos diretos.

Bradesco BBI vê Brasil como principal aposta entre emergentes

O Bradesco BBI reforça a leitura positiva para o mercado brasileiro, destacando que o chamado “excepcionalismo americano” vem perdendo força. Essa mudança abre espaço para uma nova rotação global em direção aos mercados emergentes.

Embora o Brasil represente cerca de 4% do índice MSCI de emergentes, o interesse dos investidores supera esse peso, considerando fatores como liquidez, assimetria de preços e potencial de valorização.

“O Brasil é nossa principal escolha, com exposição acima da média, impulsionada pela proximidade do ciclo de afrouxamento monetário e pelo suporte do cenário global”, aponta o relatório, com destaque para setores sensíveis à taxa de juros, mercado de capitais e empresas estatais.

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Narrativa muda de juros para fiscal e política

Para os analistas do BBI, a narrativa dominante no mercado começa a migrar das decisões de política monetária para o campo político e fiscal. A sustentabilidade da estrutura macroeconômica brasileira passa a depender, cada vez mais, da condução das contas públicas e do compromisso com regras fiscais.

Esse fator será determinante para a manutenção do fluxo estrangeiro e para a capacidade do Ibovespa de sustentar níveis elevados ao longo de 2026.

Estados Unidos passam a ser vistos com mais cautela

Curiosamente, alguns investidores passaram a comparar os EUA a um “mercado emergente populista”, diante de pressões políticas sobre o Federal Reserve, discussões sobre autonomia do banco central e propostas intervencionistas no debate eleitoral.

Essa percepção, antes marginal, ganhou força nos últimos meses e contribui para a revisão de estratégias globais de alocação, favorecendo países como o Brasil.

Semana decisiva com Fed e Copom no radar

No curto prazo, o foco do mercado se volta para a chamada Super Quarta. O Federal Reserve inicia nesta terça-feira (27) sua reunião de dois dias, com expectativa majoritária de manutenção dos juros. O tom do comunicado e da coletiva de Jerome Powell será decisivo para calibrar as apostas sobre o ritmo de cortes nos EUA.

No Brasil, o Copom também deve manter a Selic em 15,00% ao ano. Ainda assim, investidores aguardam sinais mais claros sobre o início do ciclo de afrouxamento, que, segundo a maioria das projeções, pode começar em março.

Caso o Banco Central adote uma postura mais cautelosa, os juros elevados podem se estender por mais tempo, o que tende a gerar ajustes pontuais no mercado acionário.

Commodities e riscos geopolíticos seguem no radar

No pregão mais recente, a queda de 0,95% do minério de ferro em Dalian pressionou ações da Vale, que recuaram 2,29%, influenciando negativamente o Ibovespa.

Além disso, riscos externos continuam no radar, como a possibilidade de paralisação do governo dos EUA, tensões comerciais envolvendo Canadá e China e debates sobre a autonomia do Fed. Esses fatores reforçam a necessidade de seletividade e visão de longo prazo por parte dos investidores.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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