A legislação da Indonésia assumiu um novo código penal que torna o sexo fora do casamento um crime punível com até um ano de prisão. Faz parte de uma série de alterações que, segundo os críticos, representam um retrocesso nos direitos da população.
Sexo fora do casamento vira crime com pena de 1 ano de prisão
Aprovada nova lei definindo que relação extraconjugal deve ser denunciada à polícia; entenda melhor a situação
As denúncias de sexo extraconjugal podem ser feitas pelo parceiro ou pelos pais da pessoa que a denunciou. O adultério também passará a ser considerado um crime que pode levar à prisão.
Organizações de direitos humanos documentaram que isso afeta desproporcionalmente mulheres, pessoas LGBT e minorias étnicas no país. Os manifestantes se opuseram à nova legislação em pequenas manifestações do lado de fora do parlamento, em Jacarta, esta semana.
O novo código penal, que só entrará em vigor daqui a três anos, também proíbe manifestações que insultem o presidente e se oponham à ideologia do Estado. A nova legislação, que se aplica tanto a indonésios quanto a estrangeiros, inclui várias leis de “moralidade”, que tornam ilegal que casais não casados vivam juntos e façam sexo.
Mudanças na lei
Existem agora seis leis contra a blasfêmia à legislação, incluindo a apostasia – o abandono da fé. Pela primeira vez desde a independência, a Indonésia tornou ilegal influenciar alguém a ser ateu.
Novos artigos contra difamação também tornam ilegal criticar o presidente ou criticar a ideologia do país. No entanto, os legisladores afirmaram que acrescentaram ressalvas para a liberdade de expressão e manifestações de “interesse público”.
Contudo, a Human Rights Watch afirmou, na terça-feira (6), que as normas do código são um “desastre” para os direitos humanos.
A diretora do grupo voltado para questões da Ásia dentro da organização, Elaine Pearson, afirmou à BBC que foi um “enorme revés para um país que tentou se apresentar como uma democracia muçulmana moderna”.
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Andreas Harsano, pesquisador da Human Rights Watch, reforçou que até o ato de cerimônias religiosas de população indígena e/ou rural estariam passíveis de punição. Se o casamento não é considerado “oficial”, então não é válido. “Essas pessoas estarão teoricamente infringindo a lei, já que morar junto pode ser punido com até seis meses de prisão”, disse ele à BBC.
Imagem: Zolnierek / shutterstock.com
