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Aegea adquire aterro da Simpar por R$ 1,9 bilhão para abater dívida

Simpar vende Ciclus Ambiental para Aegea por R$ 1,9 bilhão e inicia plano de redução de dívida da holding. A Ciclus é o maior aterro de resíduos do Brasil.

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
aegea simpa

A Simpar, holding controladora de empresas como Movida, JSL, Vamos e Automob, anunciou nesta terça-feira a venda da Ciclus Ambiental para a Aegea, líder em saneamento no Brasil.

A transação, que envolveu um enterprise value de R$ 1,9 bilhão, marca uma movimentação estratégica importante da Simpar para reduzir sua dívida na holding e reposicionar seu portfólio em direção a ativos com maior sinergia.

O acordo foi fechado por um equity value de R$ 1,1 bilhão, com o pagamento dividido da seguinte forma:

  • 80% à vista
  • 20% em duas parcelas: uma em seis meses e outra em 18 meses, ambas corrigidas pelo CDI.

Além disso, a Ciclus carrega uma dívida de aproximadamente R$ 800 milhões, elevando o valor total da transação.

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O maior centro de tratamento de resíduos do país

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Imagem: Reprodução/Aegea

A Ciclus Ambiental é responsável pelo maior aterro sanitário do Brasil e um dos cinco maiores da América Latina, atendendo diariamente mais de 400 caminhões e recebendo cerca de 10 mil toneladas de lixo da cidade do Rio de Janeiro.

Mais do que uma operação de aterro, a Ciclus é também um centro de geração de biometano, com tecnologia semelhante à da Orizon. A empresa é responsável por mais de 60% de toda a produção nacional de biometano a partir de resíduos sólidos, posicionando-se como uma referência em economia circular e energia limpa no país.


15 anos de concessão e desenvolvimento do zero

A Simpar detinha a concessão da operação da Ciclus há 15 anos, tendo sido responsável por desenvolver toda a infraestrutura do aterro sanitário e das plantas de biometano desde o início.

Segundo o CEO da Simpar, Fernando Simões, a decisão de venda faz parte de uma estratégia mais ampla: “Estamos entrando em um novo ciclo, buscando sinergias entre os nossos negócios, otimizando recursos e focando na geração de valor para os acionistas,” afirmou em entrevista ao Brazil Journal.


Estratégia para destravar valor de ativos não listados

Fernando Simões também destacou que a venda da Ciclus cumpre uma função importante para destravar valor que até então não era precificado pelo mercado, já que a empresa não estava listada na Bolsa.

“O mercado só enxerga os nossos ativos listados, mas há muito valor escondido em empresas como a Ciclus. Essa venda mostra isso,” disse o CEO.


Alívio para a holding: foco na redução da dívida

A venda da Ciclus permitirá que a Simpar reduza significativamente sua dívida na holding. No primeiro trimestre de 2025, a empresa reportou:

  • Dívida bruta da holding: R$ 6,5 bilhões
  • Dívida líquida da holding: R$ 3 bilhões

O objetivo agora é zerar a dívida da holding nos próximos anos, o que dará mais flexibilidade financeira para investir nas subsidiárias estratégicas, como Movida (aluguel de carros), JSL (logística), Vamos (locação de caminhões e máquinas) e Automob (serviços automotivos).

A transação, no entanto, não altera de forma significativa a alavancagem consolidada do grupo, que no primeiro trimestre superava R$ 40 bilhões, com uma alavancagem de 3,6 vezes o EBITDA.


Para a Aegea, um avanço estratégico no setor de resíduos

Do lado da compradora, a Aegea vê na aquisição da Ciclus uma oportunidade de ouro para expandir sua atuação no setor de resíduos sólidos. A companhia, que já é líder nacional no mercado de saneamento, entra com força agora no segmento de aterros sanitários com geração de energia renovável.

Essa é a segunda movimentação da Aegea no setor. Em 2024, a empresa havia vencido uma pequena concessão para operar um aterro em Crato, no Ceará.

Segundo o CEO da Aegea, Radamés Casseb, o objetivo é acelerar a curva de aprendizado e aproveitar o know-how técnico da equipe da Ciclus, considerada uma das mais qualificadas do setor.


Sinergias operacionais e geográficas com saneamento no Rio

A aquisição também gera sinergias relevantes. Desde 2021, a Aegea opera o sistema de água e esgoto da cidade do Rio de Janeiro, após vencer o leilão da Cedae. Hoje, a companhia também presta serviços em 26 municípios vizinhos, o que permite integração entre o tratamento de lixo e de chorume, o líquido resultante da decomposição do lixo.

Radamés destacou:

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“A gestão do chorume representa cerca de 50% dos custos de um aterro. Como somos também os operadores da estação de tratamento de esgoto, essa sinergia reduz custos e melhora a eficiência.”


Potencial de expansão e atendimento por mais 60 anos

O aterro da Ciclus tem uma área total de 3,7 milhões de metros quadrados, dos quais grande parte ainda está disponível para expansão.

Segundo Casseb, a estrutura atual tem capacidade para atender toda a região metropolitana do Rio por mais 60 anos, o que cria uma base sólida para novos contratos com indústrias privadas e prefeituras da região.

A Aegea também planeja participar de novas concessões no setor de resíduos sólidos urbanos, ampliando sua atuação no segmento ambiental.


Retorno sobre o investimento e financiamento

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Imagem: congerdesign / Pixabay

Sobre o valor da transação, Casseb revelou que o retorno esperado é comparável ao que a Aegea já entrega nas operações de saneamento básico:

  • Retorno estimado: IPCA + 15% a 20%
  • Financiamento: 70% do valor será financiado, e o restante será pago com recursos próprios
  • Impacto na alavancagem: crescimento leve, de 3,17x EBITDA para 3,32x

Próximos passos da Simpar: desinvestimento em Belém?

A Simpar ainda possui outro ativo no setor de resíduos: a CS Brasil, subsidiária que opera um aterro sanitário e serviços de coleta de lixo em Belém (PA).

Fontes do mercado indicam que a holding está organizando um novo processo de venda desse ativo, o que reforça a estratégia de desinvestimento em negócios fora do core e foco nas empresas listadas que compõem o ecossistema da Simpar.


Considerações finais: Simpar mais enxuta, Aegea mais robusta

A venda da Ciclus Ambiental representa um movimento estratégico de grande impacto para o setor de infraestrutura no Brasil. Enquanto a Simpar avança no seu plano de desalavancagem e geração de valor acionário, a Aegea se posiciona como uma potência na gestão integrada de resíduos e saneamento.

Com ganhos de escala, sinergia regional e potencial de longo prazo, a transação promete beneficiar acionistas de ambos os lados e abrir espaço para novas oportunidades de crescimento e eficiência operacional no país.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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