O mercado da soja começou outubro sob pressão internacional, mas encontrou no Brasil fatores capazes de limitar o impacto da queda nas cotações externas. Na quinta-feira, 1º de outubro de 2026, os contratos negociados na Bolsa de Chicago recuaram, enquanto os preços nos portos brasileiros também perderam força em relação ao início da semana.
O movimento mostra que o produtor brasileiro precisa acompanhar mais do que a cotação internacional. O câmbio, o ritmo das exportações e a demanda chinesa continuam sendo componentes importantes na formação dos preços domésticos.
Nas principais referências nos portos, as indicações passaram para a faixa de R$ 160 a R$ 161 por saca, ante níveis de aproximadamente R$ 163 a R$ 164 observados no começo da semana, segundo levantamento citado pela Brandalizze Consulting.
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A pressão sobre a soja norte-americana está relacionada principalmente à combinação entre avanço da colheita nos Estados Unidos e um período de menor participação chinesa nas compras.
Com a entrada da nova safra norte-americana, aumenta a disponibilidade física do grão justamente em um momento de incertezas sobre o ritmo da demanda internacional.
O feriado da Golden Week, na China, também reduziu temporariamente a atuação dos compradores chineses. Para o mercado, a ausência de um dos maiores consumidores mundiais em uma fase de aumento da oferta tende a reforçar a pressão sobre os contratos futuros.
No fechamento de 1º de outubro, o contrato para novembro terminou próximo de US$ 12,84 por bushel, abaixo da marca de US$ 13. Os demais vencimentos também encerraram o pregão em território negativo.
Estoques dos EUA ficaram abaixo das expectativas
Um dado importante divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) ajudou a limitar uma pressão ainda maior: os estoques de soja norte-americanos em 1º de setembro estavam em 315 milhões de bushels, 3% abaixo do volume registrado um ano antes.
O número também ficou abaixo das expectativas médias do mercado, próximas de 324 milhões de bushels.
Mesmo assim, o dado não foi suficiente para interromper a queda. Isso mostra que, no curto prazo, fatores como o avanço da colheita e a perspectiva de maior disponibilidade da safra continuam pesando sobre as negociações.
Dólar evita uma queda maior no Brasil
O comportamento do câmbio é um dos principais motivos pelos quais a soja brasileira não acompanha integralmente todas as perdas de Chicago.
Quando o dólar sobe diante do real, a conversão da cotação internacional para a moeda brasileira tende a oferecer sustentação aos preços domésticos. Esse efeito pode funcionar como uma espécie de amortecedor para o produtor brasileiro.
Na sessão de 1º de outubro, o dólar chegou a avançar mais de 1% e ultrapassou a faixa de R$ 5,20 durante os negócios, ajudando a compensar parte da desvalorização da soja em Chicago.
Isso não significa, porém, que uma alta do dólar seja suficiente para impedir qualquer queda. A própria redução das referências nos portos demonstra que o mercado internacional continua tendo forte influência sobre os preços brasileiros.
China continua sendo peça-chave para a soja brasileira
Outro fator que diferencia o mercado brasileiro do norte-americano é o destino das exportações.
A China continua como principal compradora da soja brasileira. Dados de comércio exterior citados pela Anec mostram que o país asiático respondeu por cerca de 70% dos embarques brasileiros de soja entre janeiro e agosto de 2026.
Além disso, dados do primeiro semestre mostram que o Brasil exportou volume recorde de soja no período. Foram 69,57 milhões de toneladas entre janeiro e junho, enquanto os embarques destinados à China somaram 48,32 milhões de toneladas.
Esse fluxo cria uma situação relevante para o produtor brasileiro: mesmo quando a demanda chinesa pelos Estados Unidos perde força, o Brasil permanece competitivo como fornecedor.
No entanto, também existe um risco. A forte concentração das exportações brasileiras no mercado chinês significa que qualquer mudança relevante na demanda daquele país pode repercutir rapidamente sobre as cotações domésticas.
Exportações brasileiras seguem dando sustentação
O desempenho dos embarques também ajuda a explicar a resistência dos preços no mercado nacional.
Estimativas da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais indicavam embarques de aproximadamente 7,24 milhões de toneladas de soja em setembro, volume superior ao registrado no mesmo mês de 2025.
Para o produtor, exportações fortes representam uma demanda efetiva pelo produto disponível no país. Quando compradores internacionais disputam grandes volumes, existe maior possibilidade de sustentação das bases nos portos e nas principais regiões produtoras.
Esse fator ganha importância justamente durante a transição para a safra 2026/27, quando o mercado começa a avaliar a oferta que chegará nos próximos meses.
O que esperar dos preços da soja em outubro?

O cenário para outubro reúne forças opostas.
De um lado, o avanço da colheita norte-americana aumenta a disponibilidade mundial e pode manter Chicago pressionada. A demanda chinesa também passa por um período de cautela, enquanto os estoques e as margens de esmagamento na China continuam sendo observados pelos agentes do mercado.
De outro, o Brasil conta com uma demanda externa consistente, participação expressiva da China nas exportações e um câmbio que pode oferecer suporte às cotações em reais.
A situação exige atenção principalmente do produtor que precisa decidir quando vender. Uma queda em Chicago não significa automaticamente uma queda proporcional no preço recebido no Brasil, mas também não é seguro considerar que o dólar e as exportações impedirão novas baixas.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
