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Soja perde mais de 2% em Chicago e contrato de novembro cai a US$ 12,19

Contratos futuros da soja recuam em Chicago com melhora do clima nos EUA, realização de lucros e queda do petróleo global.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Soja perde mais de 2% em Chicago e contrato de novembro cai a US$ 12,19

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago iniciaram a semana em forte queda, devolvendo parte da valorização registrada nos últimos pregões. O movimento negativo ocorre após uma sequência de altas que levou as cotações aos maiores patamares dos últimos meses, impulsionadas principalmente pelo aumento das preocupações com o clima nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos.

Nesta segunda-feira (27), os principais vencimentos da oleaginosa operam com perdas superiores a 30 pontos, em um cenário marcado pela realização de lucros, melhora das condições meteorológicas no Meio-Oeste norte-americano e forte recuo do petróleo no mercado internacional.

A mudança no ambiente externo reduziu parte da pressão compradora sobre as commodities agrícolas. Com investidores ajustando suas posições, a soja passou a refletir uma combinação de fatores técnicos e fundamentais que aumentaram a volatilidade no mercado global.

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Queda do petróleo amplia pressão sobre as commodities agrícolas

Um dos principais elementos influenciando o comportamento da soja nesta sessão é a forte desvalorização do petróleo. A pausa nos conflitos envolvendo Irã e Estados Unidos e a possibilidade de avanço em negociações diplomáticas provocaram uma queda expressiva nos preços do petróleo tipo Brent, negociado em Londres.

O recuo do petróleo afeta diretamente o complexo da soja, principalmente o óleo de soja, que possui ligação com o mercado de biocombustíveis. Quando o petróleo perde força, diminui a atratividade relativa dos óleos vegetais utilizados na produção de biodiesel, pressionando também os derivados da oleaginosa.

Além da soja, outras commodities agrícolas acompanham o movimento negativo em Chicago. Milho, trigo, farelo e óleo de soja também registram perdas diante do ambiente de menor apetite ao risco entre os investidores.

Contratos futuros da soja registram perdas expressivas

Por volta das primeiras negociações do dia, os contratos futuros apresentavam queda superior a 30 pontos nos principais vencimentos.

O contrato com entrega em novembro era negociado próximo de US$ 12,19 por bushel, enquanto o vencimento de janeiro de 2027 girava em torno de US$ 12,32 por bushel.

A movimentação reforça a característica de alta volatilidade do mercado agrícola internacional. Depois de uma forte valorização recente, operadores passaram a realizar lucros, vendendo contratos que haviam acumulado ganhos expressivos.

Esse tipo de ajuste é comum em períodos nos quais o mercado precifica riscos e posteriormente revisa suas expectativas. No caso da soja, a melhora das previsões climáticas nos Estados Unidos reduziu parte do prêmio que estava embutido nas cotações.

Clima nos Estados Unidos volta ao centro das atenções

O desenvolvimento da safra norte-americana continua sendo o principal fator observado pelos participantes do mercado.

Nas últimas semanas, preocupações com temperaturas elevadas e possíveis impactos sobre o potencial produtivo das lavouras ajudaram a sustentar a alta dos preços. Entretanto, novos mapas meteorológicos passaram a indicar um cenário mais favorável, com previsão de chuvas regulares e temperaturas menos extremas em importantes áreas produtoras.

Essa mudança reduz o temor de perdas justamente durante uma fase considerada decisiva para a definição do rendimento das plantações.

A safra dos Estados Unidos exerce grande influência sobre as cotações globais porque o país está entre os maiores produtores e exportadores mundiais de soja. Qualquer alteração nas perspectivas de produtividade tende a provocar movimentos rápidos nos contratos futuros negociados em Chicago.

Realização de lucros aumenta pressão vendedora

Além dos fundamentos agrícolas, o movimento técnico dos investidores também explica a queda desta segunda-feira.

Após a alta acumulada na semana anterior, fundos de investimento e grandes operadores aproveitaram os preços mais elevados para reduzir posições compradas.

A realização de lucros ocorre quando investidores vendem contratos após uma valorização significativa, garantindo ganhos antes de possíveis mudanças no cenário.

Esse comportamento costuma aumentar a pressão de venda no curto prazo, principalmente quando coincide com a redução de riscos anteriormente considerados importantes pelo mercado.

Demanda internacional continua sendo monitorada

Mesmo com a pressão negativa desta sessão, a demanda mundial pela soja continua sendo um dos principais pontos de acompanhamento.

A China permanece como o maior comprador global da oleaginosa e influencia diretamente as expectativas de exportação dos Estados Unidos e do Brasil.

O mercado observa principalmente o ritmo das compras chinesas, os embarques norte-americanos e a disputa por participação no comércio internacional entre os grandes fornecedores.

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Caso a demanda externa permaneça aquecida, ela pode limitar movimentos mais intensos de queda nos preços. Por outro lado, uma redução no ritmo das compras poderia aumentar a pressão sobre as cotações.

Impactos para o mercado brasileiro de soja

A queda em Chicago tende a limitar a formação dos preços internos da soja brasileira, já que a Bolsa de Chicago é uma das principais referências para a comercialização internacional da commodity.

No entanto, outros fatores podem reduzir o impacto negativo para os produtores brasileiros. Entre eles está o comportamento do dólar frente ao real e os prêmios pagos nos portos nacionais.

Quando o dólar se valoriza, a soja brasileira pode ganhar competitividade no mercado externo, ajudando a compensar parcialmente uma eventual queda das cotações internacionais.

Produtores e empresas exportadoras acompanham diariamente três principais variáveis:

  • cotação da soja em Chicago;
  • câmbio entre dólar e real;
  • valores dos prêmios nos portos brasileiros.

A combinação desses fatores define o preço final recebido pelo produtor.

Mercado deve continuar volátil nos próximos dias

Petróleo
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A expectativa para a semana é de manutenção da volatilidade no mercado da soja.

Os investidores devem continuar reagindo rapidamente às atualizações climáticas nos Estados Unidos, aos movimentos do petróleo e às notícias relacionadas ao cenário geopolítico internacional.

Se as previsões confirmarem condições favoráveis para o desenvolvimento das lavouras norte-americanas, o mercado pode permanecer pressionado, com possibilidade de novas correções nos preços.

Por outro lado, qualquer mudança significativa nos modelos meteorológicos, como retorno de ondas de calor ou redução das chuvas, pode reintroduzir o chamado prêmio climático e provocar recuperação das cotações.

Foto: Wenderson Araujo/CNA

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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