O mercado brasileiro da soja encerrou mais um dia de valorização, com destaque para o porto de Paranaguá (PR), uma das principais portas de saída do grão para o exterior. A commodity registrou sua segunda alta consecutiva, refletindo uma combinação de fatores internos e externos que seguem influenciando a formação dos preços.
Soja sobe nos portos e retorna ao patamar acima de R$ 130 por saca
Soja avança pela segunda sessão consecutiva em Paranaguá. Mercado acompanha dólar, exportações e desempenho de Chicago.
Segundo o Indicador Cepea/Esalq, a cotação da soja em Paranaguá avançou 0,78% na quinta-feira (28), alcançando R$ 130,90 por saca. O movimento ocorre em um período importante para o setor, marcado pelo encerramento da colheita brasileira e pelo forte ritmo das exportações.
Com grande parte da safra já comercializada, especialistas acreditam que o comportamento do câmbio deverá exercer influência cada vez maior sobre o mercado nos próximos meses.
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Dólar deve ser o principal motor das cotações

Após o fim da colheita, a atenção dos produtores e agentes do mercado passa a se concentrar em variáveis capazes de alterar a rentabilidade das negociações. Entre elas, o dólar aparece como o principal fator de sustentação dos preços.
De acordo com Ale Delara, sócio da Delara Agronegócios, a relação entre os contratos negociados na Bolsa de Chicago e os prêmios de exportação reduz parte do impacto das altas internacionais sobre o mercado brasileiro.
Segundo o analista, quando as cotações sobem em Chicago, é comum que os prêmios pagos nos portos recuem. Dessa forma, o câmbio acaba ganhando maior relevância para determinar se haverá espaço para novas valorizações da soja no mercado interno.
Na prática, um dólar mais forte frente ao real aumenta a competitividade do produto brasileiro no exterior, favorecendo exportações e contribuindo para sustentar os preços pagos aos produtores.
Exportações seguem aquecidas
Outro elemento que ajuda a explicar a firmeza das cotações é o desempenho das exportações brasileiras.
O Brasil continua embarcando grandes volumes de soja para os mercados internacionais, especialmente para a Ásia. A expectativa do setor é que aproximadamente 16 milhões de toneladas sejam exportadas ao longo do mês, enquanto outros 5 milhões de toneladas já estão programados para embarque em junho.
Esse volume expressivo reduz a oferta disponível no mercado doméstico e ajuda a evitar pressões mais fortes de baixa sobre os preços.
Além disso, a demanda internacional permanece sólida, reforçando o papel do Brasil como principal fornecedor global da oleaginosa.
Chicago também encerra o dia em alta
No mercado internacional, a Bolsa de Chicago registrou avanço moderado para os contratos futuros da soja.
Os papéis com vencimento em julho fecharam o pregão cotados a US$ 11,9450 por bushel, com valorização de 0,78%.
Embora o movimento tenha sido considerado discreto, ele demonstra que investidores seguem atentos a fatores como o clima nos Estados Unidos, o desenvolvimento da safra norte-americana e a demanda global pelo grão.
As condições climáticas nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos costumam influenciar diretamente as expectativas de oferta mundial, tornando-se um dos temas mais monitorados pelos participantes do mercado.
Outras regiões produtoras também registram valorização
A alta observada em Paranaguá não foi um caso isolado. Outras importantes regiões produtoras do país também registraram avanço nos preços da soja.
Ponta Grossa registra um dos maiores ganhos do dia
Em Ponta Grossa, no Paraná, a cotação da soja subiu R$ 3 por saca em relação ao fechamento anterior, alcançando R$ 128.
O desempenho reforça o movimento positivo observado no estado, que está entre os maiores produtores da cultura no Brasil.
Mato Grosso mantém recuperação dos preços
Em Rondonópolis, um dos principais polos agrícolas do Mato Grosso, a soja avançou R$ 2 por saca e passou a ser negociada a R$ 112.
Apesar de os preços ainda estarem abaixo dos registrados em algumas regiões do Sul do país, o movimento é visto como positivo pelos produtores locais.
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Bahia acompanha tendência de valorização
No oeste baiano, em Luís Eduardo Magalhães, a saca também apresentou aumento de R$ 2, chegando a R$ 117.
A região é considerada estratégica para a produção de grãos no Matopiba, fronteira agrícola formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
O que pode mexer com o mercado daqui para frente
O comportamento dos preços da soja continuará dependendo de uma série de fatores nos próximos meses.
Entre os principais pontos monitorados pelo mercado estão:
- Oscilações do dólar frente ao real;
- Desempenho das exportações brasileiras;
- Condições climáticas nos Estados Unidos;
- Evolução da safra norte-americana;
- Nível de demanda da China;
- Estoques globais da commodity;
- Movimentação dos fundos de investimento nas bolsas internacionais.
Mudanças em qualquer um desses fatores podem gerar impactos relevantes sobre as cotações tanto no mercado doméstico quanto no cenário global.
Produtores acompanham oportunidades de comercialização

Com os preços apresentando recuperação em diversas regiões, muitos produtores avaliam estratégias de venda para aproveitar momentos mais favoráveis do mercado.
A decisão entre comercializar imediatamente ou aguardar novas oportunidades depende da situação financeira de cada propriedade, dos custos de armazenamento e das expectativas para o câmbio e para o mercado internacional.
Especialistas recomendam atenção redobrada aos indicadores econômicos e às movimentações do dólar, que devem continuar exercendo forte influência sobre os preços da soja ao longo do ano.
Conclusão
A segunda alta consecutiva da soja em Paranaguá sinaliza um mercado sustentado por exportações robustas e por expectativas positivas em relação ao comércio internacional. Com a colheita brasileira praticamente concluída, o câmbio passa a ocupar posição central na formação dos preços. Nos próximos meses, produtores e investidores deverão acompanhar de perto o comportamento do dólar, a demanda global e as condições da safra norte-americana, fatores que podem determinar os próximos rumos do mercado da soja no Brasil.
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