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Aposentados atentos: STF começa hoje julgamento da revisão da vida toda

STF inicia julgamento que pode definir o futuro da revisão da vida toda do INSS. Entenda o que está em jogo.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
STF pgr

A partir desta sexta-feira (6), o Supremo Tribunal Federal (STF) inicia um novo capítulo em um dos debates mais aguardados pelos aposentados brasileiros: a revisão da vida toda do INSS. Após decisão em março que considerou inconstitucional a tese, que previa a inclusão de contribuições anteriores a julho de 1994 no cálculo dos benefícios, agora os ministros analisarão os chamados embargos de declaração, etapa que define como e para quem a decisão será aplicada.

O julgamento ocorre no plenário virtual da Corte e segue até 13 de junho. Cada ministro terá esse período para registrar seu voto na plataforma eletrônica do Supremo.

Leia mais: Revisão da vida toda adiada mais uma vez pelo STF; veja o que está em jogo

Entenda o que está em jogo

Fachada do prédio da previdência social. INSS
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

A revisão da vida toda permitia que segurados utilizassem no cálculo da aposentadoria todas as contribuições feitas ao longo da vida, inclusive aquelas anteriores ao Plano Real. A regra atual, definida após a reforma da Previdência de 1999, exclui esses recolhimentos antigos.

Em 2022, o STF chegou a aprovar a tese, garantindo o direito à revisão para quem se aposentou entre 29 de novembro de 1999 e 12 de novembro de 2019. Contudo, a Corte voltou atrás em março de 2025, quando decidiu, por 7 votos a 4, que a tese é inconstitucional.

Agora, com os embargos de declaração, os ministros não irão reverter essa decisão. A discussão gira em torno da chamada “modulação dos efeitos”, ou seja, os ministros vão determinar a partir de quando essa decisão vale e quem será atingido por ela.

Impacto nos aposentados

Entre os principais pontos a serem definidos, estão:

  • Se aposentados que já recebiam valores maiores por conta da revisão poderão manter o benefício;
  • Se a decisão será retroativa ou valerá apenas para novos processos;
  • Se quem já tinha ganho judicial poderá ser afetado.

“A expectativa é que encerrem o assunto de vez, com votação unânime”, afirma Geovani Santos, advogado especialista em direito previdenciário. Ele reforça que a tese tinha o objetivo de corrigir uma distorção da reforma de 1999, que desconsiderava contribuições anteriores a julho de 1994 para evitar os efeitos inflacionários anteriores ao Plano Real.

Julgamento em plenário virtual é alvo de críticas

A forma como o julgamento está sendo conduzido tem provocado controvérsias. Inicialmente previsto para ocorrer presencialmente em 28 de maio, o julgamento foi adiado para 6 de junho e transferido para o plenário virtual, onde os ministros não debatem oralmente.

“Qualquer adiamento significa mais tempo de angústia e incerteza dos aposentados sobre sua situação financeira e seus direitos”, afirma a advogada Letícia Costa. “Essa espera impacta o planejamento financeiro e a tranquilidade dessas pessoas”, completa.

Washington Barbosa, CEO da WB Cursos e especialista em direito previdenciário, também critica a mudança de formato. “O virtual deve ser utilizado para causas mais consensuais, que não suscitem debates intensos. A revisão da vida toda é uma tese bem complexa”, destaca.

O que são embargos de declaração?

Trata-se de um tipo de recurso utilizado para esclarecer ou corrigir possíveis omissões, obscuridades ou contradições em uma decisão judicial. Neste caso, não se trata de reverter o mérito, mas de definir como a decisão será aplicada.

A modulação dos efeitos é justamente isso: estabelecer os limites temporais e os grupos impactados pela decisão. Se necessário, um dos ministros pode pedir ‘destaque’ e transferir a discussão para o plenário físico.

Divergência sobre impactos financeiros

O impacto financeiro da revisão da vida toda foi um dos principais argumentos do governo para pedir sua rejeição. A União estimava um custo de até R$ 480 bilhões caso a tese fosse mantida. Por outro lado, o Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP) apresentou uma estimativa bem menor: cerca de R$ 1,5 bilhão.

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Essa diferença nos números evidencia a complexidade do tema e o peso que a decisão pode ter tanto para os cofres públicos quanto para a vida dos aposentados.

Como era o cálculo da aposentadoria

Foto ampla do prédio do STF com a estátua à frente
Imagem: vitordemasi / shutterstock.com

Desde a reforma previdenciária de 1999, o cálculo dos benefícios passou a considerar apenas as contribuições feitas a partir de julho de 1994. Foram estabelecidas duas fórmulas:

  • Para quem já era segurado até 26 de novembro de 1999: média de 80% das maiores contribuições a partir de julho de 1994;
  • Para quem começou a contribuir após essa data: média de 80% dos maiores recolhimentos desde o início das contribuições.

Com isso, aposentados que tiveram salários maiores antes do Plano Real se sentiram prejudicados, pois suas contribuições anteriores foram desconsideradas no cálculo final da aposentadoria.

Expectativas para o desfecho

Apesar da insegurança jurídica que o tema vem provocando, a expectativa de especialistas é que a votação sirva para encerrar o imbróglio.

Mesmo sem alterar o mérito da decisão de março, a votação dos embargos será fundamental para determinar quem, de fato, será atingido e como será o tratamento jurídico daqui em diante. Com isso, o STF deverá oferecer um desfecho final para um dos temas mais relevantes da Previdência Social nos últimos anos.

Com informações de: Economia – UOL

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Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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