A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta terça-feira (9) a retomada do julgamento que pode definir a condenação ou absolvição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus considerados parte do núcleo central do golpe de Estado de 2022.
O processo, acompanhado de perto pela imprensa e pela sociedade, coloca em discussão crimes graves como tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e participação em organização criminosa armada.
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O julgamento acontece em sessões marcadas para dias consecutivos, e deve mobilizar atenção política e jurídica no país, dada a relevância do caso e os impactos para o cenário eleitoral e institucional.
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Como será a votação

O relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, abrirá a votação com seu parecer, que pode levar aproximadamente três horas, conforme expectativa da imprensa. Após o voto do relator, a sequência seguirá com os ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.
A Primeira Turma tem seguido a prática de julgar primeiro questões preliminares e, posteriormente, o mérito, ou seja, se os réus serão condenados ou absolvidos. Não há limite de tempo para a exposição de cada voto, o que indica que as sessões podem se estender ao longo do dia.
Cronograma das sessões
As próximas sessões do julgamento estão previstas da seguinte forma:
- 9 de setembro, terça-feira: 9h às 12h e 14h às 19h
- 10 de setembro, quarta-feira: 9h às 12h
- 11 de setembro, quinta-feira: 9h às 12h e 14h às 19h
- 12 de setembro, sexta-feira: 9h às 12h e 14h às 19h
Essa programação reflete a complexidade do processo e a necessidade de análise detalhada de provas, depoimentos e argumentos jurídicos apresentados pelas partes.
Quem são os réus?
Além de Jair Bolsonaro, o processo envolve integrantes do núcleo que participou da articulação do golpe de 2022. Os réus são:
- Jair Bolsonaro – ex-presidente da República;
- Alexandre Ramagem – ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);
- Almir Garnier – ex-comandante da Marinha;
- Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal;
- Augusto Heleno – ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional);
- Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro;
- Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa;
- Walter Braga Netto – ex-ministro e candidato a vice na chapa de Bolsonaro em 2022.
A única exceção é Alexandre Ramagem, cuja acusação de dois crimes foi suspensa pela Câmara dos Deputados. Ele ainda responde por golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa armada.
Crimes apontados
O conjunto de réus responde por delitos graves previstos na legislação brasileira, incluindo:
- Tentativa de abolir violentamente o Estado Democrático de Direito;
- Tentativa de golpe de Estado;
- Participação em organização criminosa armada;
- Dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
O caso é considerado um dos mais importantes da história recente do país, devido à participação direta de integrantes do governo federal em ações que ameaçaram a estabilidade democrática.
Contexto e importância do julgamento

O julgamento do núcleo do golpe de 2022 ocorre em meio a intenso debate público e político. A decisão do STF terá repercussão direta sobre o cenário eleitoral e institucional, podendo afetar a elegibilidade de políticos e definir responsabilidades jurídicas de ex-integrantes do governo.
Especialistas destacam que o processo também é simbólico, reforçando a atuação do STF como guardião do Estado Democrático de Direito. O acompanhamento de cada voto pelos ministros será crucial para compreender a linha de argumentação adotada pela Corte.
Expectativa para os votos
O voto do relator, Alexandre de Moraes, é considerado detalhado e deve apresentar análise minuciosa das provas e depoimentos. A expectativa é de que ele apresente argumentos robustos sobre a responsabilidade individual e coletiva dos réus no planejamento e execução de atos voltados à abolição do Estado democrático.
A sequência de votos dos ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin será observada com atenção, já que qualquer divergência pode gerar discussões sobre interpretação jurídica e proporcionalidade das penas.
Com informações de: CNN Brasil
