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Strategy enfrenta onda de processos por causa do Bitcoin: entenda por que a empresa virou alvo de ações coletivas nos EUA

A Strategy enfrenta uma série de ações judiciais nos EUA, acusada de fraude envolvendo sua estratégia de acumulação de Bitcoin. Entenda os motivos e implicações.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
Microstrategy

A Strategy, antiga MicroStrategy e conhecida por ser a maior detentora corporativa de Bitcoin (BTC) no mundo, está no epicentro de uma crescente tempestade jurídica nos Estados Unidos. A empresa enfrenta ao menos cinco ações judiciais semelhantes, todas alegando fraude de valores mobiliários associada à sua política de acumulação agressiva de BTC e à forma como comunicou os riscos e expectativas de retorno a investidores.

A sequência de processos ocorre em um momento sensível para a companhia, que detém mais de 590 mil Bitcoins em seu balanço, avaliados em cerca de US$ 63 bilhões. Mas por que exatamente a Strategy está sendo processada? E o que isso significa para investidores, para o mercado de criptoativos e para o próprio Michael Saylor, cofundador e principal rosto da empresa?

Neste artigo, exploramos as origens jurídicas dos processos, os mecanismos das ações coletivas nos EUA, os interesses por trás dos advogados, as implicações econômicas das perdas com Bitcoin e como essa batalha legal pode redesenhar o cenário da governança corporativa cripto.

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O que motivou os processos contra a Strategy?

Todos os processos giram em torno da acusação de que a Strategy fez declarações públicas “materialmente falsas e enganosas” sobre sua estratégia com Bitcoin, especificamente entre 30 de abril de 2024 e 4 de abril de 2025.

Essas declarações teriam ocultado ou minimizado riscos financeiros relevantes e criado expectativas irreais de rentabilidade. O argumento central das ações é que os investidores teriam tomado decisões com base em informações incompletas ou distorcidas, o que configuraria fraude de valores mobiliários sob a legislação norte-americana.

Quem está processando a empresa?

Bitcoin
Reprodução: Seu Crédito Digital/Freepik

Até o momento, pelo menos cinco escritórios de advocacia especializados em litígios financeiros iniciaram ações quase idênticas:

  • Pomerantz LLP (primeira ação, em 16 de maio);
  • Gross Law Firm;
  • Bronstein, Gewirtz & Grossman;
  • Kessler Topaz Meltzer & Check;
  • Levi & Korsinsky.

O curioso é que, em vez de unirem forças em uma ação coletiva única, esses escritórios optaram por protocolar processos separados, embora com conteúdo quase idêntico. O motivo? Disputar a liderança da ação coletiva consolidada, uma prática comum e estratégica em casos envolvendo valores mobiliários.

Por que tantas ações idênticas?

Segundo os professores Adam Pritchard (Universidade de Michigan) e Ann Lipton (Universidade do Colorado), essa disputa faz parte de um jogo jurídico lucrativo. A Lei de Reforma de Litígios de Valores Mobiliários Privados dos EUA, de 1995, determina que o juiz deve nomear como “autor principal” o investidor que tiver as maiores perdas financeiras e se voluntariar para o papel.

Esse autor principal terá o poder de escolher o escritório que representará toda a classe na ação coletiva, o que pode render honorários milionários para o escritório escolhido — em alguns casos, dezenas de milhões de dólares.

Campanhas para atrair investidores

Os escritórios, por isso, lançaram comunicados à imprensa chamando investidores lesados a se unirem à causa, com destaque para o prazo de 15 de julho, data em que o juiz deverá escolher o autor principal.

Além do número de participantes, os advogados buscam especialmente grandes investidores institucionais, pois são eles que costumam registrar as maiores perdas monetárias e, portanto, aumentam as chances de liderança na ação.

Quem são os grandes investidores da Strategy?

De acordo com documentos da SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA), o executivo Michael Saylor, cofundador e atual presidente executivo da Strategy, é o maior acionista individual, com quase 20 milhões de ações — um valor de aproximadamente US$ 7,8 bilhões, ao preço médio de US$ 389 por ação.

Além dele, figuram entre os principais investidores institucionais:

  • Vanguard Group: 8,55% das ações;
  • BlackRock: 5,8%;
  • Capital International Investors: 5,8%;
  • Susquehanna Securities: 4,8%;
  • Jane Street Group: 4,7%.

Ainda não está claro se algum desses gigantes se juntou formalmente às ações coletivas.

As perdas com Bitcoin: o gatilho dos processos?

Em abril de 2025, a Strategy alertou os investidores sobre perdas não realizadas de quase US$ 6 bilhões com seus ativos em Bitcoin, um aviso que repercutiu fortemente no mercado e pode ter sido o estopim para as ações judiciais.

Durante o primeiro trimestre de 2025, a empresa investiu cerca de US$ 7,7 bilhões na compra de BTC, adquirindo a moeda a um preço médio de US$ 95 mil por unidade. No entanto, quando os resultados financeiros foram divulgados, o preço do BTC havia caído para US$ 82 mil.

Essa diferença provocou um prejuízo contábil significativo, que resultou em uma queda de US$ 16,49 por ação no trimestre. A empresa admitiu em documento enviado à SEC que “pode não conseguir retomar a lucratividade em períodos futuros”, especialmente diante de quedas acentuadas no valor do BTC.

📉 “Perdas não realizadas de bilhões de dólares acenderam o alerta entre investidores e reguladores.”

A resposta da Strategy: silêncio e postura defensiva

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A empresa não respondeu publicamente às acusações, mas reconheceu a existência dos processos em arquivos do tipo 8-K junto à SEC, onde afirma:

“Pretendemos nos defender vigorosamente dessas alegações. Neste momento, não podemos prever o desfecho, nem fornecer uma estimativa razoável ou intervalo de estimativas sobre o possível resultado ou perda, se houver, neste caso.”

Essa postura cautelosa é comum em litígios complexos, especialmente quando ainda se aguarda a consolidação das ações coletivas e a nomeação do autor principal.

O que está em jogo para a Strategy e o mercado?

Caso os tribunais considerem que houve má conduta por parte da empresa ou de seus executivos, as consequências podem ser severas:

  • Multas bilionárias;
  • Indenizações a investidores;
  • Danos reputacionais;
  • Possível mudança na condução da estratégia de investimentos em BTC.

Além disso, o caso pode influenciar outras empresas com exposição a criptoativos, levando a um aumento da pressão regulatória e exigência de transparência contábil e de governança.

O precedente para empresas que adotam o Bitcoin

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

A situação da Strategy serve de alerta para empresas que adotam o Bitcoin como ativo estratégico. A volatilidade do BTC, combinada com a ausência de regras contábeis padronizadas para ativos digitais, cria um campo minado para executivos, CFOs e conselhos de administração.

Empresas como Tesla, Block (ex-Square) e outras com reservas em BTC podem ser impactadas indiretamente, à medida que reguladores e investidores se tornam mais cautelosos.

Conclusão: muito mais que um processo — uma disputa por poder, dinheiro e narrativa

A Strategy está longe de ser a primeira empresa a enfrentar uma ação coletiva relacionada a suas estratégias de investimento. No entanto, o fato de envolver Bitcoin, grandes perdas financeiras e uma figura tão polarizadora quanto Michael Saylor torna o caso emblemático para a era das finanças digitais.

Mais do que uma disputa jurídica, os processos refletem:

  • A luta por controle narrativo no mercado financeiro;
  • A busca dos investidores por responsabilização e compensação;
  • O desejo de advogados especializados em litígios de valores mobiliários por um caso de alto retorno.

Com o prazo se aproximando para a nomeação do autor principal, e com o Bitcoin oscilando fortemente nos mercados, os próximos meses prometem ser decisivos para o desfecho do embate entre investidores e a maior acumuladora de BTC do planeta.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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