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Você está em risco? Superbactérias podem causar 39 milhões de mortes até 2050!

Avatar de Bruna Cassana Machado Bruna Cassana Machado · · · 5 min de leitura
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A resistência de bactérias aos antibióticos, causada principalmente pelo uso excessivo e indiscriminado desses medicamentos, representa hoje uma das maiores ameaças sanitárias do planeta. Um estudo publicado na revista científica The Lancet traça um cenário alarmante: se nenhuma ação for tomada, bactérias resistentes poderão ser responsáveis por até 40 milhões de mortes até 2050.

O levantamento foi conduzido por uma coalizão internacional de pesquisadores — o GBD 2021 Antimicrobial Resistance Collaborators — com a participação de especialistas brasileiros, que analisaram dados de 204 países e territórios. Os números revelam uma escalada perigosa no número de óbitos provocados por infecções que já não respondem aos antimicrobianos tradicionais.

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Impacto já é devastador

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Imagem: wirestock – freepik

Mortes por infecções resistentes seguem em alta no mundo

Segundo a pesquisa, os óbitos causados diretamente por infecções resistentes aumentaram de 1,06 milhão em 1990 para 1,14 milhão em 2021. Quando considerados os casos em que as bactérias resistentes estavam presentes — ainda que não tenham sido a causa direta do falecimento — os números saltam para 4,71 milhões em 2021.

Projeções para o futuro

O cenário futuro, caso não haja mudanças estruturais, é ainda mais preocupante. Veja as projeções:

  • 1,91 milhão de mortes anuais em 2050 por infecções diretamente atribuídas à resistência antimicrobiana.
  • 8,2 milhões de óbitos por ano quando considerados todos os casos em que as bactérias resistentes estiverem envolvidas.
  • 169 milhões de mortes acumuladas entre 2025 e 2050 — número superior à população de países como Rússia, Japão ou Bangladesh.

O que está alimentando essa crise silenciosa?

Uso inadequado de antibióticos é o principal vilão

Na medicina

O uso inadequado de antibióticos em seres humanos — seja por automedicação, por prescrição desnecessária ou por interrupção precoce do tratamento — cria condições ideais para que as bactérias mais resistentes sobrevivam e se multipliquem.

Na agropecuária

A situação também é crítica no setor agropecuário, onde antibióticos são amplamente utilizados em animais saudáveis para promover crescimento ou prevenir infecções, acelerando o surgimento de cepas resistentes que podem ser transferidas para humanos por meio da cadeia alimentar.

Consequências da resistência antimicrobiana

Infecções comuns tornam-se mortais

Infecções que antes eram facilmente tratadas com antibióticos simples, como pneumonias ou infecções urinárias, estão se tornando cada vez mais letais. Entre 2013 e 2022, somente no estado de São Paulo, foram registradas:

  • 2,4 milhões de internações por infecções resistentes;
  • Cerca de 500 mil mortes;
  • Um gasto público estimado em R$ 4,7 bilhões.

Risco maior para idosos

O estudo relaciona o aumento das mortes ao envelhecimento da população. Em 1990, apenas 6% da população global tinha mais de 65 anos. Em 2021, esse número chegou a quase 10%, o que amplia significativamente o grupo de risco, dado que os idosos têm sistemas imunológicos mais frágeis e maior exposição a internações hospitalares.

Três cenários para o futuro

O que pode ser feito para evitar o pior?

O estudo traça três possíveis caminhos para os próximos 25 anos:

1. Se nada mudar

  • 169 milhões de mortes acumuladas até 2050.

2. Com novos antibióticos eficazes

  • 11,1 milhões de vidas podem ser salvas com o desenvolvimento e uso correto de novas drogas.

3. Com medidas preventivas eficazes

  • 92 milhões de vidas seriam poupadas apenas com estratégias como vacinação, higiene, e controle do uso de antibióticos.

“Prevenir infecções reduz o contato com bactérias resistentes e o uso desnecessário de antibióticos”, reforça o estudo.

O papel da prevenção

Vacinação é uma das estratégias mais eficazes

Segundo Cristina Carvalheiro, neonatologista da USP e coautora do estudo, a vacinação em massa é uma das estratégias mais eficientes no combate à resistência antimicrobiana.

“Vacinar amplamente as crianças ajuda a evitar infecções e reduz a necessidade de antibióticos”, afirma.

Saneamento e higiene

Melhorar o acesso à água potável, ao saneamento básico e à higiene pessoal também são medidas fundamentais para conter a propagação de infecções resistentes, especialmente em regiões mais pobres.

Diagnóstico e acesso ainda são barreiras

Países em desenvolvimento enfrentam desafios extras

De acordo com a geógrafa Jessica Andretta Mendes, coautora do artigo e pesquisadora da Universidade de Oxford, os países em desenvolvimento sofrem com infraestrutura precária, diagnóstico inadequado e dificuldade de acesso a medicamentos eficazes.

“É fundamental investir na coleta e no monitoramento de dados para planejar intervenções mais eficazes”, alerta.

Educação em saúde é fundamental

planos de saúde
Imagem: Freepik

População precisa entender o risco do uso indiscriminado

O cirurgião-dentista e patologista Marcos Palone destaca a importância da educação em saúde:

“É preciso fortalecer os programas de vacinação e as campanhas sobre a importância de medidas básicas, como a higiene das mãos.”

Campanhas de conscientização sobre o uso racional de antibióticos são essenciais para diminuir a automedicação e aumentar o entendimento da população sobre os riscos envolvidos.

O papel da comunidade científica e dos governos

Políticas públicas urgentes são necessárias

A resistência antimicrobiana é uma crise global que exige respostas coordenadas entre governos, profissionais de saúde e indústria farmacêutica. Algumas medidas urgentes incluem:

  • Financiamento para o desenvolvimento de novos antibióticos;
  • Controle mais rígido sobre a prescrição e venda de antimicrobianos;
  • Incentivo à pesquisa em vacinas e terapias alternativas;
  • Monitoramento internacional da resistência bacteriana.

Considerações finais

A resistência bacteriana não é uma ameaça distante — ela já está impactando o presente e poderá ser ainda mais devastadora no futuro. O estudo da The Lancet serve como um alerta contundente de que o tempo para agir é agora.

Sem mudanças imediatas nas políticas de saúde, o mundo pode enfrentar uma catástrofe sanitária com dimensões maiores que muitas pandemias já enfrentadas. A responsabilidade é coletiva: governos, profissionais de saúde, indústria e cidadãos devem atuar em conjunto para evitar que infecções simples voltem a ser fatais.

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