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SUS lança ‘Agora tem especialistas’ para fortalecer atendimento

Programa federal amplia acesso a especialistas, reduz filas e moderniza atendimento no SUS.

O Governo Federal apresentou, nesta sexta-feira (30), uma iniciativa robusta para enfrentar um dos maiores gargalos da saúde pública no Brasil: a escassez e a demora no acesso a médicos especialistas. Com o lançamento do programa Agora Tem Especialistas, o Ministério da Saúde busca acelerar diagnósticos, ampliar tratamentos e alcançar regiões que historicamente enfrentam dificuldades no atendimento. A proposta reúne esforços do setor público e privado para garantir um atendimento mais eficaz e descentralizado dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).

A seguir, confira os principais eixos do programa e como ele pretende transformar o acesso à saúde especializada em todo o país.

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Estratégia nacional para reduzir filas e ampliar atendimentos

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Imagem: Fernando Frazão / Agência Brasil

O novo programa autoriza o credenciamento de clínicas, hospitais filantrópicos e instituições privadas para oferecer serviços a pacientes do SUS. A medida permitirá que estados e municípios, com apoio da União, ampliem o número de consultas, exames e cirurgias em seis áreas prioritárias: oncologia, cardiologia, ginecologia, ortopedia, oftalmologia e otorrinolaringologia.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a ideia central é aproveitar toda a estrutura de saúde disponível no país. “Estamos somando forças. O SUS tem capacidade, mas precisa de agilidade, de ampliação e de integração com os recursos já existentes em diversas frentes”, afirmou.

Especialistas chegam a locais mais afastados

Para levar atendimento médico a regiões desassistidas, o governo prevê o envio de 150 carretas com estrutura completa para consultas e exames, como mamografias, tomografias e raio-X. Essas unidades móveis permitirão até pequenas cirurgias e biópsias em áreas remotas, além de garantir suporte a caminhoneiros e comunidades indígenas.

Outra medida importante é a aquisição de 6.300 veículos para transporte de pacientes, especialmente aqueles que necessitam de tratamento oncológico, reduzindo os obstáculos logísticos enfrentados por milhares de brasileiros.

Telessaúde: tecnologia como aliada no diagnóstico

O uso da telessaúde é um dos pilares do programa. Com ela, será possível realizar consultas e emitir diagnósticos a distância, o que deve aliviar até 30% das filas nas redes especializadas do SUS. A proposta inclui parcerias com o setor privado para expandir serviços como teleconsulta, telediagnóstico e teleconsultoria.

Além disso, será criado o Super Centro Brasil para Diagnóstico de Câncer, um centro de referência nacional que integrará os serviços oncológicos por meio de plataformas digitais. Com a participação do Instituto Nacional do Câncer (INCA) e do A.C. Camargo Cancer Center, a expectativa inicial é de emissão de mil laudos diários.

Fortalecimento da oncologia no SUS

A área de oncologia será diretamente beneficiada com a aquisição de 121 aceleradores lineares até 2026, equipamentos essenciais no tratamento radioterápico do câncer. Seis dessas unidades foram entregues já nesta sexta-feira nas cidades de São Paulo (SP), Bauru (SP), Piracicaba (SP), Curitiba (PR), Andaraí (RJ) e Teresina (PI).

“Ao consolidar a maior rede pública de cuidado oncológico do mundo, damos uma resposta contundente ao atraso nos diagnósticos que custa vidas todos os anos”, afirmou o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Mutirões e ampliação de turnos nas unidades de saúde

Outra frente importante do Agora Tem Especialistas é a realização de mutirões de atendimento e a expansão dos turnos nas unidades públicas. Estima-se que essas medidas possam ampliar em até 30% a capacidade de atendimento em policlínicas, ambulatórios, UPAs e centros cirúrgicos em todo o país.

A ideia é usar a estrutura já existente de maneira mais intensa, inclusive aos fins de semana, a fim de atender demandas reprimidas, sobretudo as represadas durante a pandemia.

Pagamento com serviços e ressarcimento de planos de saúde

Para viabilizar o programa sem sobrecarregar o orçamento, o governo instituiu mecanismos criativos de financiamento. Hospitais privados e filantrópicos que têm dívidas com a União poderão quitá-las prestando serviços ao SUS, como consultas, exames e cirurgias. Já os planos de saúde deverão ressarcir o SUS por atendimentos realizados em sua clientela.

Comunicação direta com o cidadão

O aplicativo Meu SUS Digital será atualizado para permitir o envio de notificações sobre agendamentos e atendimentos. Mensagens por SMS, WhatsApp e push alertarão os usuários sobre exames, cirurgias e consultas marcadas, facilitando o comparecimento e evitando faltas.

Enfrentando um cenário desafiador

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Imagem: @pressfoto / Freepik

Dados do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) revelam que 370 mil mortes anuais por doenças não transmissíveis poderiam ser evitadas com diagnóstico mais rápido. No caso do câncer, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) alerta que os custos aumentam em até 37% devido ao diagnóstico tardio. Além disso, o país ainda precisa aumentar em mais de 60% a realização de biópsias de câncer de mama.

Outro problema grave é a concentração de especialistas em poucos estados. De acordo com o estudo “Demografia Médica 2025”, cerca de 90% desses profissionais estão nas regiões Sudeste e Sul e na rede privada, o que agrava as desigualdades no acesso ao cuidado.

Formação e contratação de mais especialistas

O programa prevê ainda o aumento de 3.500 profissionais especializados, sendo 500 deles por meio do Mais Médicos Especialistas, voltado especialmente para áreas com maior escassez. A proposta busca preencher lacunas críticas e garantir a presença de médicos em todo o território nacional.

Com informações de: Agência Gov