O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (13) a chegada do primeiro lote do medicamento trastuzumabe entansina ao Brasil, destinado ao tratamento de pacientes com câncer de mama HER2-positivo atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Lote de remédio para câncer de mama chega ao Brasil e será distribuído pelo SUS
Ministério da Saúde inicia entrega ao SUS medicamento que reduz em até 50% a mortalidade por câncer de mama HER2-positivo. Saiba mais!
O imunoconjugado, incorporado à rede pública em 2022, representa um dos avanços mais significativos da oncologia moderna e promete reduzir em até 50% a mortalidade entre as mulheres diagnosticadas com essa forma agressiva da doença.
Leia mais:
INSS garante benefícios para pacientes com câncer durante o tratamento
Entrega marca novo capítulo no combate ao câncer de mama

A cerimônia de recebimento aconteceu no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), onde foram entregues 11.978 unidades do medicamento. Essa é apenas a primeira de quatro remessas previstas — as próximas devem ocorrer em dezembro de 2025, março de 2026 e junho de 2026.
Ao todo, o governo federal investiu R$ 159,3 milhões na compra de 34,4 mil frascos-ampola, que serão distribuídos às secretarias estaduais de Saúde conforme protocolos clínicos estabelecidos. O investimento, segundo o Ministério da Saúde, garante 100% da demanda nacional e deve beneficiar 1.144 pacientes ainda neste ano.
O que é o trastuzumabe entansina e como ele atua
O trastuzumabe entansina, conhecido internacionalmente como T-DM1, é um medicamento biotecnológico de alta complexidade. Ele combina anticorpos monoclonais com agentes quimioterápicos, funcionando como um “míssil inteligente” que direciona o tratamento diretamente às células cancerígenas.
Esse mecanismo de ação permite maior eficácia com menor toxicidade, reduzindo efeitos colaterais severos e preservando células saudáveis. O fármaco é indicado principalmente para pacientes com câncer de mama HER2-positivo em estágio III ou avançado, que não responderam totalmente à quimioterapia inicial.
HER2-positivo: um tipo agressivo de câncer de mama
O termo “HER2-positivo” se refere à presença excessiva da proteína HER2 (Human Epidermal growth factor Receptor 2), que estimula o crescimento das células tumorais.
Estima-se que cerca de 20% dos casos de câncer de mama apresentem essa mutação, o que torna o tratamento mais complexo e a taxa de recidiva mais elevada.
Com a introdução do T-DM1, as chances de recidiva e mortalidade podem ser reduzidas pela metade, de acordo com estudos clínicos e dados apresentados pelo próprio Ministério da Saúde.
Distribuição e início dos tratamentos
Os medicamentos serão distribuídos em etapas às secretarias estaduais de saúde, responsáveis pela entrega às unidades de tratamento oncológico credenciadas.
Segundo o diretor do Departamento de Atenção ao Câncer do Ministério da Saúde, José Barreto Campello Carvalheira, os primeiros pacientes começarão a receber o tratamento ainda neste mês, com previsão de cobertura completa até início de novembro.
“É um avanço gigantesco para a oncologia nacional. É uma medicação que vai reduzir em 50% a mortalidade das pacientes que têm HER2-positivo. É uma grande vitória do povo brasileiro, e o Ministério da Saúde fica orgulhoso de fazer essa entrega dentro do Outubro Rosa”, declarou Carvalheira.
O diretor destacou ainda que a chegada do medicamento durante o Outubro Rosa simboliza o compromisso do governo com políticas públicas de prevenção e tratamento do câncer de mama, a principal causa de morte por câncer entre as mulheres no país.
Um avanço dentro do SUS

A incorporação do trastuzumabe entansina ao SUS, aprovada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) em 2022, é considerada um marco histórico para o sistema público de saúde.
Antes disso, o medicamento estava disponível apenas na rede privada, com custos que ultrapassavam R$ 20 mil por frasco, o que tornava o tratamento inacessível para a maioria das pacientes.
Com a aquisição pública, o SUS garante tratamento integral e gratuito, fortalecendo o princípio da universalidade e a equidade no acesso à saúde.
Impacto esperado: redução de mortalidade e recidiva
Estudos clínicos internacionais, como o KATHERINE Trial, demonstraram que o uso do trastuzumabe entansina em pacientes que ainda apresentam restos tumorais após quimioterapia neoadjuvante reduz em 50% o risco de morte e diminui em igual proporção as chances de recidiva local ou à distância.
O medicamento atua bloqueando a ação da proteína HER2 e liberando o agente quimioterápico diretamente na célula tumoral, resultando em uma ação mais precisa e eficaz.
Efeitos adversos controlados
Entre os efeitos colaterais relatados estão fadiga, náusea, trombocitopenia e elevação de enzimas hepáticas, mas em frequência menor do que em terapias tradicionais.
A segurança clínica do T-DM1 é considerada alta, e seu uso é recomendado por protocolos internacionais da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO).
Perspectivas e políticas públicas em oncologia
O governo federal tem ampliado o investimento em oncologia de precisão dentro do SUS.
Nos últimos anos, novas terapias-alvo e imunoterápicos foram incorporados para tratar câncer de pulmão, melanoma e leucemias.
De acordo com o Ministério da Saúde, o tratamento oncológico é uma das áreas de maior expansão orçamentária, com crescimento de 22% em cinco anos.
O objetivo é reduzir desigualdades regionais e assegurar que pacientes de todo o país tenham acesso a medicamentos modernos, mesmo fora dos grandes centros.
Parcerias e logística
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
A logística de entrega do trastuzumabe entansina é coordenada pelo Departamento de Logística em Saúde (DLOG), em parceria com a Infraero e companhias aéreas.
Os frascos, armazenados sob refrigeração, serão distribuídos a centros de referência em oncologia em todos os estados, incluindo unidades do Instituto Nacional de Câncer (INCA), em parceria com hospitais universitários e federais.
Outubro Rosa: prevenção e diagnóstico precoce continuam essenciais
A chegada do medicamento coincide com as ações do Outubro Rosa, campanha internacional voltada à conscientização sobre o diagnóstico precoce do câncer de mama.
Embora o T-DM1 represente uma revolução no tratamento de casos avançados, a detecção precoce ainda é a principal arma contra o câncer.
Quando identificado no estágio inicial, as chances de cura ultrapassam 90%, segundo o INCA.
Por isso, o Ministério da Saúde reforça a importância dos exames de rotina, como a mamografia bienal para mulheres entre 50 e 69 anos, além do autoexame e da avaliação médica periódica.
O cenário do câncer de mama no Brasil
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama é o tipo mais incidente entre as mulheres brasileiras, com estimativa de 74 mil novos casos por ano até 2026.
A mortalidade ainda é elevada, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, devido à dificuldade de acesso a diagnóstico e tratamento especializado.
Com a chegada do trastuzumabe entansina ao SUS, o Ministério da Saúde espera melhorar os indicadores nacionais de sobrevida, ampliando a equidade no acesso aos medicamentos mais modernos do mundo.
Vozes da ciência e esperança para pacientes

Especialistas em oncologia destacam que o trastuzumabe entansina integra uma nova geração de terapias inteligentes que revolucionaram o tratamento de cânceres metastáticos.
“É um divisor de águas. As pacientes com HER2-positivo agora têm uma segunda chance real de cura ou de prolongar a vida com qualidade”, afirma a oncologista Dra. Marina Torres, do Hospital de Amor de Barretos.
Além do ganho clínico, o acesso gratuito pelo SUS tem impacto social profundo, principalmente entre mulheres em situação de vulnerabilidade. “A equidade no tratamento é uma das conquistas mais importantes da saúde pública brasileira”, acrescenta a médica.
Conclusão: um passo histórico para a oncologia brasileira
A chegada do trastuzumabe entansina ao SUS é mais que uma conquista científica — é uma vitória coletiva do sistema público de saúde e das mulheres brasileiras.
Com potencial de salvar centenas de vidas por ano, o medicamento reafirma o papel do Brasil como referência em acesso universal a terapias avançadas.
Em um país onde o câncer de mama ainda é uma das principais causas de morte feminina, o investimento de R$ 159 milhões em inovação terapêutica marca o compromisso com um futuro em que mais mulheres possam vencer a doença e retomar seus sonhos.
