A rede Swift, principal sistema global de mensagens financeiras, anunciou que está desenvolvendo um ledger compartilhado baseado em blockchain em parceria com a Consensys, empresa responsável por soluções ligadas ao ecossistema do ethereum (ETH).
O Swift vai virar Pix internacional? Veja o que a nova parceria promete
Swift anuncia parceria com Consensys e prepara sistema baseado em blockchain para pagamentos internacionais rápidos e seguros.
O projeto levanta a questão: será que estamos diante do que pode ser chamado de um “Pix internacional”?
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O que a Swift pretende com o novo sistema

A iniciativa da Swift tem como objetivo tornar os pagamentos transfronteiriços mais ágeis e transparentes. Hoje, uma transferência internacional feita por meio da rede pode levar até três dias úteis para ser concluída, o que gera críticas em um mundo cada vez mais acostumado a transações instantâneas.
O novo modelo, apoiado na tecnologia blockchain, busca oferecer liquidação em tempo real, 24 horas por dia, sete dias por semana. Além disso, a solução permitirá o uso de contratos inteligentes para registrar, sequenciar e validar transações de forma automática e segura.
Testes com grandes instituições financeiras
Segundo a própria Swift, mais de 30 instituições financeiras globais participam da fase de testes e dão feedback sobre a implementação do sistema. Entre os nomes confirmados estão gigantes como Banco Santander, Bank of America, BNP Paribas e HSBC.
Esse movimento reflete a pressão crescente que bancos e empresas enfrentam para oferecer pagamentos internacionais mais rápidos, baratos e rastreáveis.
Blockchain e interoperabilidade
O ledger da Swift terá como foco a interoperabilidade: a ideia é permitir que o sistema se conecte tanto às redes financeiras tradicionais quanto às emergentes, incluindo moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) e stablecoins reguladas.
Dessa forma, a Swift pretende manter sua posição de liderança ao mesmo tempo em que se adapta às inovações trazidas pela economia digital.
O papel da Consensys e da Linea
Embora o comunicado oficial tenha sido discreto sobre detalhes técnicos, informações recentes indicam que a parceria envolve a Linea, solução de segunda camada (layer 2) do ethereum criada pela Consensys.
A Linea foi projetada para aumentar a escalabilidade do ethereum, reduzindo custos e acelerando transações — fatores fundamentais para o sucesso de um sistema global como o da Swift.
Em outras palavras, o objetivo é combinar a robustez e confiança da rede Swift com a eficiência da blockchain moderna, resultando em um sistema híbrido capaz de atender bilhões de transações.
O que disse a liderança da Swift
Durante a conferência Sibos, em Frankfurt, o CEO da Swift, Javier Pérez-Tasso, destacou que a empresa está abrindo caminho para uma nova era dos pagamentos globais:
“Com este conceito inicial de ledger, estamos levando a experiência de pagamentos a um novo patamar, mantendo a Swift no centro da transformação digital da indústria.”
A fala reflete a intenção da empresa de não apenas acompanhar, mas também liderar a revolução digital que atinge o setor financeiro.
Pix internacional? As semelhanças e diferenças

No Brasil, o Pix se consolidou como um modelo de sucesso ao oferecer transferências instantâneas, gratuitas para pessoas físicas e disponíveis 24 horas por dia.
O sistema da Swift, se implementado da forma como está sendo projetado, traria uma experiência semelhante, mas em escala global. Isso explica por que especialistas já se referem ao projeto como um “Pix internacional”.
Diferenças fundamentais
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Apesar da semelhança na rapidez e disponibilidade, existem diferenças importantes:
- Escopo: o Pix é nacional, enquanto a Swift atua em mais de 200 países.
- Base tecnológica: o Pix funciona sobre a infraestrutura do Banco Central, já a Swift utilizará blockchain e contratos inteligentes.
- Regulamentação: o Pix segue normas brasileiras, enquanto a Swift precisa lidar com um mosaico regulatório internacional.
Essas diferenças tornam o desafio mais complexo, mas também mais estratégico para o futuro do sistema financeiro global.
O que esperar para os próximos anos
A Swift já havia sinalizado anteriormente seu interesse em explorar ativos digitais e blockchain. Em 2024, a empresa anunciou que bancos testariam transações reais de ativos digitais em sua rede em algum momento de 2025.
Agora, com a parceria firmada e o desenvolvimento de um ledger compartilhado, o cronograma ganha força.
Impactos potenciais
- Redução de custos: transferências internacionais tendem a se tornar mais baratas, já que a blockchain elimina intermediários.
- Velocidade: operações que antes levavam dias poderão ser concluídas em minutos ou segundos.
- Transparência: cada transação ficará registrada em um ledger imutável, aumentando a rastreabilidade.
- Competição com novas soluções: empresas como Ripple e até stablecoins privadas já disputam esse espaço, o que pressiona a Swift a inovar.
Conclusão
O anúncio da Swift de adotar blockchain em sua infraestrutura representa um passo histórico na modernização dos pagamentos internacionais. Ao unir a experiência da rede, presente em mais de 11.500 instituições financeiras, com a tecnologia descentralizada da Consensys, a empresa se coloca como protagonista na corrida pela digitalização financeira.
Se será ou não chamado de “Pix internacional”, ainda é cedo para afirmar. Mas uma coisa parece clara: o futuro dos pagamentos globais está cada vez mais próximo da instantaneidade que já conquistou os brasileiros com o Pix.
Imagem: Freepik

