Entrou em vigor neste mês de maio a nova tabela do Imposto de Renda (IR), que amplia a faixa de isenção para trabalhadores formais. A medida acompanha o reajuste do salário mínimo, que passou de R$ 1.412 para R$ 1.518 em janeiro de 2025. Com isso, todos os trabalhadores que recebem até dois salários mínimos mensais — ou seja, até R$ 3.036 — não terão mais desconto de IR na folha de pagamento.
Nova tabela do Imposto de Renda: veja quem ficará isento e os descontos no salário
Nova tabela do Imposto de Renda entra em vigor em maio com isenção para salários de até R$ 3.036. Veja quanto será descontado do seu salário.
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Faixa de isenção foi ampliada para R$ 2.428,80

O novo modelo traz uma faixa de isenção progressiva mensal ampliada, que passa de R$ 2.112 para R$ 2.428,80. A esse valor soma-se o desconto simplificado de R$ 607,20, resultando na isenção total para quem ganha até R$ 3.036 por mês. Essa mudança representa alívio no bolso para milhões de brasileiros que agora ficarão livres do recolhimento mensal do IR diretamente na folha.
O que muda na prática para os trabalhadores
Benefício não é restrito aos que ganham até R$ 3.036
A mudança na tabela do Imposto de Renda não beneficia apenas quem ganha até dois salários mínimos. Como o IR é calculado de forma progressiva, todos os trabalhadores formais que ganham acima desse valor também serão beneficiados, pagando menos imposto do que antes. O efeito é escalonado, pois o valor isento da nova faixa interfere diretamente no cálculo das faixas superiores.
Simulações mostram quanto será descontado agora
Por exemplo, um trabalhador que recebe R$ 5 mil por mês, que antes pagava R$ 335,15 de IR, passará a pagar R$ 312,89 com a nova tabela. A economia mensal é de R$ 22,26. O cálculo foi feito pelo diretor de Impostos da BDO Brasil, Cleiton Felipe, a pedido da revista IstoÉ Dinheiro.
Tabela atualizada do Imposto de Renda
A seguir, veja como ficou a nova tabela progressiva mensal do IR em vigor a partir de maio:
| Faixa de rendimento mensal (R$) | Alíquota (%) | Parcela a deduzir (R$) |
|---|---|---|
| Até R$ 2.428,80 | Isento | 0 |
| De R$ 2.428,81 até R$ 3.641,60 | 7,5 | R$ 182,16 |
| De R$ 3.641,61 até R$ 4.863,60 | 15 | R$ 456,04 |
| De R$ 4.863,61 até R$ 6.085,60 | 22,5 | R$ 1.060,64 |
| Acima de R$ 6.085,60 | 27,5 | R$ 1.642,80 |
Entenda o cálculo da isenção com o desconto simplificado
A Receita Federal aplica automaticamente o desconto simplificado de R$ 607,20 sobre o rendimento bruto, o que equivale a um abatimento fixo na base de cálculo do imposto. Assim, mesmo que o contribuinte ganhe um pouco acima da faixa de isenção nominal, o desconto pode reduzir sua base tributável para um valor isento.
Exemplo:
- Salário bruto: R$ 2.900
- Desconto simplificado: R$ 607,20
- Base de cálculo: R$ 2.292,80
Neste caso, a base fica abaixo do limite da faixa isenta, e o trabalhador não paga IR.
O que muda na declaração do imposto de renda em 2025

Nova tabela vale apenas para retenção mensal
Apesar das mudanças já impactarem os salários pagos a partir de maio, a nova tabela não tem efeito retroativo. Portanto, a declaração de Imposto de Renda referente ao ano-base 2024 (a ser entregue em 2025) continuará sendo feita com base na tabela anterior. Ou seja, o contribuinte não poderá utilizar os novos valores na declaração deste ano.
Declaração anual segue com prazo até 31 de maio
O prazo final para envio da declaração de Imposto de Renda 2025 segue sendo o dia 31 de maio. Até essa data, os contribuintes devem prestar contas à Receita Federal sobre os rendimentos recebidos em 2024. Quem perder o prazo está sujeito à multa mínima de R$ 165,74 e máxima de 20% do imposto devido.
O que esperar para o imposto de renda em 2026
Projeto prevê isenção para salários de até R$ 5 mil
Cumprindo promessa de campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de lei que amplia a faixa de isenção do IR para até R$ 5 mil mensais. A proposta, se aprovada, começará a valer em 2026 e poderá beneficiar grande parte da classe média brasileira.
Medida depende do aval do Congresso
O projeto ainda precisa ser aprovado pelas duas casas legislativas — Câmara dos Deputados e Senado Federal. A proposta inclui ajustes adicionais nas faixas intermediárias, de forma a manter a progressividade do imposto e evitar perdas de arrecadação expressivas.
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Especialistas alertam para impacto na arrecadação
Segundo técnicos do Ministério da Fazenda, a ampliação da faixa de isenção para R$ 5 mil poderá reduzir em cerca de R$ 20 bilhões a arrecadação anual do governo federal. Por isso, o avanço da medida no Congresso dependerá da negociação de uma compensação fiscal ou da reforma tributária mais ampla.
Opinião de especialistas e impactos sociais

Mais justiça tributária para a base da pirâmide
A atualização da tabela do IR tem sido vista como um passo importante em direção à justiça tributária, beneficiando proporcionalmente os trabalhadores de menor renda. Economistas apontam que, com a inflação corroendo os salários, manter a tabela desatualizada representa, na prática, aumento de carga tributária.
Efeito no consumo pode estimular a economia
Com a liberação de parte da renda antes comprometida com o imposto, espera-se um leve estímulo ao consumo doméstico, especialmente nos setores de bens de necessidade básica. Esse efeito é potencializado entre os trabalhadores que se situam na faixa entre R$ 2 mil e R$ 5 mil mensais.
Sindicatos e entidades elogiam a medida
Centrais sindicais e entidades ligadas à classe trabalhadora comemoraram a nova tabela, mas cobram a ampliação da isenção para os R$ 5 mil ainda em 2025. Segundo essas entidades, a defasagem acumulada desde 1996 ultrapassa os 140%.
Conclusão
A entrada em vigor da nova tabela do imposto de renda em maio de 2025 representa um avanço importante para os trabalhadores brasileiros. Com a isenção garantida para salários de até R$ 3.036, milhões de pessoas terão alívio no desconto mensal de IR. Além disso, a progressividade do tributo garante que mesmo quem ganha mais seja beneficiado.
A expectativa agora gira em torno da tramitação do projeto que pretende isentar até R$ 5 mil mensais em 2026. Até lá, a nova tabela representa um fôlego financeiro bem-vindo em um cenário de alta de preços e recuperação econômica.
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