O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta semana que o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros entrará em vigor a partir do dia 7 de agosto de 2025. A medida, com forte impacto comercial e diplomático, já repercute em diversos setores da economia nacional. E embora o mercado esportivo brasileiro não seja diretamente afetado pela taxação, especialistas apontam que os efeitos indiretos podem atingir o futebol, clubes, torcedores e até a formação de atletas.
Tarifaço de Trump ameaça o futebol brasileiro? Entenda os possíveis efeitos
Tarifa de 50% de Trump pode impactar indiretamente o futebol brasileiro e o mercado esportivo. Saiba mais!
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O que é o tarifaço de Trump e a quem se destina?
A nova medida adotada pelo governo norte-americano aplica tarifas alfandegárias de 50% sobre uma lista de produtos importados do Brasil, como carnes, café, açúcar orgânico, metais industriais e outros bens relevantes para a balança comercial brasileira. A política visa, segundo o governo americano, proteger a indústria e os empregos locais, em linha com o discurso protecionista que marcou a primeira gestão de Trump.
Ainda que produtos esportivos e bens manufaturados do setor não estejam entre os principais alvos da medida, os efeitos econômicos secundários podem se propagar para o setor esportivo — em especial o futebol, que depende de insumos importados, da estabilidade econômica e da valorização cambial para manter sua competitividade.
Impactos indiretos no mercado esportivo brasileiro
A opinião de um tributarista
De acordo com o advogado tributarista Mozar Carvalho, do escritório Machado de Carvalho Advocacia, o tarifaço pode representar uma ameaça velada ao desenvolvimento esportivo no Brasil, caso afete significativamente o desempenho econômico do país.
“Imagine a economia do Brasil encolhendo com cerca de 120 mil empregos a menos e o real despencando. Isso vai tornar, sem sombra de dúvidas, o salário em dólar e em euro para os atletas nacionais muito mais atrativo”, explicou o especialista.
Em outras palavras, um cenário econômico instável pode acelerar a saída de atletas brasileiros para o exterior, em busca de salários mais vantajosos. Isso afetaria não apenas os clubes, mas também a formação de novos talentos, já que muitos projetos sociais e categorias de base dependem de patrocínios e estrutura.
Fuga de talentos e desvalorização do real

Com a desvalorização da moeda brasileira frente ao dólar e ao euro, os contratos internacionais se tornam ainda mais lucrativos para atletas. Isso pode desequilibrar o mercado interno, dificultando a retenção de jogadores em território nacional e tornando mais frágil a competitividade dos clubes brasileiros nos torneios internacionais.
Além disso, clubes com folhas de pagamento em moeda estrangeira, como os que contratam jogadores de fora, podem enfrentar dificuldades para manter os compromissos em dia, dependendo do impacto cambial causado pelo tarifaço.
Equipamentos esportivos podem ficar mais caros
Possível reciprocidade tarifária
Em cenário de retaliação tarifária por parte do governo brasileiro — algo comum em disputas comerciais internacionais — o Brasil poderia adotar medidas semelhantes contra produtos norte-americanos.
Nesse caso, clubes e torcedores seriam impactados diretamente. Equipamentos esportivos como bolas oficiais, uniformes, chuteiras de alto desempenho, GPS táticos, câmeras de análise de jogo, monitores de performance e até gramados sintéticos, que muitas vezes são importados dos EUA ou via intermediários, poderiam sofrer aumento de preços.
“Equipamentos esportivos importantes para os clubes vão ficar mais caros, e com a política da reciprocidade, é certo que isso vai afetar os clubes brasileiros que vivem da utilização destes equipamentos. O tarifaço acaba sacudindo o futebol por tabela”, alertou Mozar Carvalho.
Importação de acessórios esportivos
Embora a maior parte das importações brasileiras de produtos esportivos venha da Ásia — especialmente da China, Vietnã e Indonésia —, alguns insumos tecnológicos e acessórios de alto valor são originários dos Estados Unidos ou fabricados por empresas norte-americanas com sedes em outros países.
Portanto, ainda que os itens venham de fora do território americano, o impacto da instabilidade comercial entre Brasil e EUA pode resultar em reajustes de preços ao longo da cadeia produtiva.
Panorama atual do mercado esportivo brasileiro
Dados da Ápice
Segundo informações da Ápice (Associação pela Indústria e Comércio Esportivo), o setor movimentou em 2024 cerca de R$ 5,6 bilhões no Brasil, envolvendo itens como vestuário esportivo, calçados, meias e acessórios.
O diretor executivo da instituição, Renato Jardim, afirmou que o Brasil não exporta manufaturados esportivos diretamente para os EUA. Os principais destinos são países da América do Sul, com destaque para Argentina, Chile e Paraguai.
Mercado interno como foco
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O mercado esportivo brasileiro é altamente voltado ao consumo interno, com clubes, academias e varejistas esportivos abastecendo-se predominantemente de fornecedores locais ou asiáticos.
Dessa forma, os impactos diretos do tarifaço no setor esportivo são limitados, mas mudanças econômicas no Brasil podem comprometer o crescimento do setor, frear investimentos e encarecer insumos ligados ao esporte de alto rendimento.
Clubes, patrocínios e arrecadação: o efeito dominó
Patrocínios e crise econômica
Clubes brasileiros, especialmente os de médio porte, dependem de patrocínios para manter as contas equilibradas. Em uma possível crise gerada por redução de exportações, perda de empregos e desvalorização cambial, empresas podem cortar investimentos em marketing esportivo, reduzindo a exposição de marcas em uniformes, estádios e transmissões.
Esse movimento impactaria diretamente a arrecadação dos clubes, comprometendo salários, contratações e até a manutenção de categorias de base.
Aumento do custo de produção
Para clubes que produzem seus próprios materiais esportivos ou que mantêm parcerias com fornecedores, o aumento no custo de matéria-prima importada pode gerar reajustes nos preços de camisas, acessórios e produtos licenciados, diminuindo o consumo por parte dos torcedores.
Torcedores também poderão sentir no bolso os repasses do aumento nos preços dos ingressos, dos produtos oficiais ou até de serviços agregados, como streaming de jogos e planos de sócio-torcedor.
O que dizem os clubes e especialistas

Silêncio estratégico ou cautela?
Até o momento, os principais clubes de futebol do Brasil ainda não se manifestaram oficialmente sobre os possíveis efeitos do tarifaço de Trump. Especialistas avaliam que isso se deve ao fato de que os impactos ainda são estimativos e indiretos, e muitas medidas dependerão da resposta diplomática e econômica do governo brasileiro.
Por outro lado, dirigentes de clubes já demonstraram preocupação com o cenário macroeconômico do país e a influência da política internacional na retenção de talentos e nos custos operacionais do futebol profissional.
Imagem: Marko Aliaksandr / Shutterstock.com
