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Tarifa de Trump pode transformar açaí popular em item de luxo

Tarifa de 50% dos EUA ameaça transformar o açaí brasileiro em produto caro para americanos.

A imposição de uma tarifa de 50% pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que entra em vigor em 1º de agosto, ameaça transformar o açaí, fruta símbolo da região Norte, em um artigo de luxo para os consumidores americanos.

Atualmente, o Brasil é o principal fornecedor mundial da polpa de açaí, responsável por praticamente toda a oferta nos EUA e outras partes do mundo. A medida tarifária pode provocar aumento expressivo no preço do produto, reduzindo seu consumo e gerando impactos significativos para a cadeia produtiva brasileira.

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Açaí brasileiro: do consumo local ao mercado global

açaí
Imagem: Freepik

Originalmente consumido como alimento básico na região Norte do Brasil, o açaí passou a ser uma fruta de exportação com crescente demanda internacional. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam uma expansão expressiva das exportações: enquanto há uma década o volume era de 150 mil toneladas, no último ano ultrapassou 2 milhões de toneladas, saindo principalmente dos Estados do Amazonas e do Pará.

Essa transformação fez com que o açaí fosse reconhecido mundialmente não só como alimento tradicional, mas também como ingrediente em smoothies, tigelas nutritivas e produtos saudáveis. Essa popularidade, entretanto, agora está ameaçada pela imposição de tarifas que podem encarecer a fruta de forma significativa no exterior.

O peso da tarifa americana e suas consequências no preço

Durante uma viagem à Europa, o ex-presidente Donald Trump confirmou que as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros serão mantidas e entrarão em vigor na data prevista, sem possibilidade de adiamento. Uma exceção será para os setores de aço e alumínio, que já sofrem tarifa semelhante.

Ashley Ibarra, gerente da rede Playa Bowls em Manhattan (Nova York), uma das maiores redes de alimentos naturais dos EUA com mais de 300 lojas, declarou à Reuters que, com o aumento do preço, o açaí “se tornará um item de luxo”. Atualmente, uma tigela de açaí de quase 500 ml, acompanhada de granola e banana, é vendida por cerca de US$ 18 (aproximadamente R$ 100). Para efeito de comparação, a rede brasileira Oakberry comercializa uma porção menor (350 ml) por cerca de US$ 13 (R$ 72) nos EUA, enquanto no Brasil o mesmo produto sai a partir de R$ 30,99.

Consumidores americanos já vinham sentindo o peso do preço antes da tarifa, e com o aumento esperado, o consumo tende a cair. Milan Shek, cliente da Playa Bowls, comentou que provavelmente passará a comprar açaí com menos frequência caso o valor suba.

Impactos econômicos para produtores brasileiros

A Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrapa) emitiu nota expressando preocupação com a decisão americana. O órgão alertou que alimentos não deveriam ser utilizados como instrumentos em disputas comerciais, destacando que as tarifas podem acarretar desemprego no Brasil e, do lado americano, provocar desabastecimento e aumento dos preços.

O setor do açaí gera milhares de empregos na região Norte, sendo um dos pilares da economia local. A redução da demanda internacional pode causar queda na produção, afetando não apenas agricultores, mas também cooperativas, indústrias de processamento e toda a cadeia logística.

Repercussões no mercado consumidor dos EUA

Tarifa EUA
Imagem: Freepik

O açaí é bastante popular entre os consumidores americanos que buscam opções saudáveis e naturais para alimentação. O aumento do preço por conta da tarifa poderá afastar parte desse público, impactando diretamente as vendas das redes especializadas e estabelecimentos que trabalham com produtos à base de açaí.

Além disso, a subida dos custos pode restringir a oferta do produto a nichos mais elitizados, tornando o açaí inacessível para grande parte dos consumidores que atualmente o apreciam.

Cenário de negociações e possibilidade de mudanças

Até o momento, não há indicativos claros de que o governo dos EUA reverterá ou adiará a imposição da tarifa, o que mantém o setor brasileiro em alerta máximo. A falta de avanços nas negociações agrava o cenário, que passa a depender de eventuais acordos comerciais ou da atuação em fóruns internacionais para tentar contornar a situação.

Enquanto isso, produtores e exportadores brasileiros avaliam estratégias para minimizar os prejuízos e buscam diversificar os mercados para onde o açaí é exportado, reduzindo a dependência do mercado americano.