O recente tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros já tem efeitos concretos no bolso dos consumidores norte-americanos. Segundo o Departamento de Estatísticas de Trabalho dos EUA, o preço da carne bovina subiu 2,5% em julho e acumula alta de 11,3% em 12 meses, com o quilo dos bifes crus chegando a um equivalente a R$ 143.
Tarifaço eleva preços da carne nos EUA; como isso afetará o mercado brasileiro
Tarifaço de 50% nos EUA sobre carne brasileira eleva preços e pressiona mercado interno e exportações.
Mesmo sendo um dos maiores produtores mundiais de carne bovina, os Estados Unidos dependem significativamente de importações para abastecer seu mercado interno. O Brasil representa cerca de 26% dessas importações, tornando-se um dos principais fornecedores.
Com a entrada em vigor da sobretaxa no início de agosto, a carne brasileira passou a pagar 76% de imposto, alterando o fluxo de comércio entre os países.
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Impactos no preço da carne no Brasil

Preço pode cair, mas não voltará a níveis antigos
Especialistas divergem sobre como o tarifaço afetará o preço da carne no mercado interno brasileiro. Roberto Simioni, economista-chefe da Blue 3 Investimentos, projeta uma possível queda nos preços nos próximos meses devido ao excesso de oferta do produto que originalmente seria exportado aos EUA.
“Parte da produção que poderia ser exportada deve ser redirecionada para o consumo doméstico, aumentando a oferta interna e pressionando os preços para baixo. A redução da rentabilidade pode levar produtores a aumentar o abate de fêmeas, diminuindo a formação de novos rebanhos e gerando alta nos preços futuramente como forma de compensação da perda do mercado externo”, explica Simioni.
Por outro lado, relatório da Scot Consultoria aponta que o volume de exportações já vinha diminuindo antes da sobretaxa, e parte da carne brasileira destinada aos EUA já está sendo redirecionada para outros mercados. “O volume embarcado na semana de 10 a 16 de agosto permaneceu dentro da média anual, com valores atingindo máximas do ano. Portanto, EUA ou não, a exportação se manteve praticamente estável”, afirma a consultoria.
Carne acumula inflação de 23% no Brasil
O cenário interno mostra que mesmo uma possível queda não fará a carne voltar aos preços de um ano atrás. Segundo o IPCA, em julho o preço da carne teve queda de 0,3%, contribuindo para que a inflação do período ficasse em 0,26%. No entanto, o produto acumula alta de 23% nos últimos 12 meses, sendo um dos principais vilões da inflação no país.
Simioni projeta que, caso o excesso de produção permaneça no mercado interno, a carne bovina poderia registrar redução máxima de 8% nos próximos meses.
Efeito nos Estados Unidos é mais severo
Apesar de prever impactos negativos para a pecuária brasileira, analistas acreditam que os EUA sentirão mais o tarifaço. O país, maior produtor mundial de carne bovina e também segundo maior importador, enfrenta um déficit que saltou de 300 mil toneladas em 2023 para quase 1 milhão de toneladas previstas pelo USDA em 2025.
Bruno Suzuki, analista de Diversificação Internacional da InvestSmart XP, alerta que o aumento do custo das carnes impactará diretamente o consumidor final. “Sem os cortes magros importados, frigoríficos usam cortes nobres do gado local, elevando o preço de bifes e churrascos, o que pressiona consumidores e redes de fast-food.”
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Levantamento da Datagro mostra que os exportadores brasileiros têm vantagens de redirecionamento para outros mercados, enquanto os importadores norte-americanos enfrentam restrições na disponibilidade local da proteína. O principal produto exportado aos EUA são os chamados beef trimmings, pedaços usados principalmente para carne moída, responsável por metade do consumo per capita de carne bovina nos EUA.
Entre 2021 e 2025, a representatividade da carne brasileira nas importações totais dos EUA triplicou, de 66 mil para 221 mil toneladas, mostrando a importância do produto para o mercado americano.
Brasil: entre os maiores consumidores de carne do mundo

O consumo interno de carne bovina no Brasil segue em crescimento. Em 2024, o país foi o terceiro maior consumidor absoluto do mundo, enquanto a disponibilidade per capita coloca o Brasil na quinta posição global.
Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), o ranking dos maiores consumidores e disponibilidade per capita apresenta os EUA no topo em consumo total, mas com per capita menor que o Brasil em alguns cortes:
| País | Consumo total (mil t) | População (milhões) | Disponibilidade per capita (kg/hab/ano) |
|---|---|---|---|
| EUA | 12.668 | 337 | 37,6 |
| China | 11.955 | 1.409 | 8,5 |
| Brasil | 8.095 | 213 | 38,1 |
| Índia | 2.990 | 1.442 | 2,1 |
| Argentina | 2.042 | 47 | 43,3 |
Os dados mostram a força do mercado brasileiro e a resiliência da cadeia produtiva frente às mudanças no comércio internacional.
Com Informações de: Isto É Dinheiro
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

