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Tarifas de Trump abrem espaço para big techs crescerem no Brasil, diz New York Times

Tarifas de 50% dos EUA criam oportunidades para big techs influenciarem a regulação no Brasil, em meio a disputas sobre redes sociais e IA.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa4 min de leitura
Tarifas tarifaço

As tarifas de 50% impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros não conseguiram até agora libertar Jair Bolsonaro da prisão domiciliar, mas criaram oportunidades para as grandes empresas de tecnologia ampliarem sua influência em Brasília.

A imposição tarifária, parte da agenda comercial norte-americana, abriu uma nova dinâmica de diálogo entre autoridades brasileiras e representantes das chamadas big techs, que buscam moldar as futuras regras para redes sociais e inteligência artificial no país.

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O impacto das tarifas no cenário político e econômico

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Imagem: pch.vector – Freepik

As tarifas impostas pelo governo Trump atingiram produtos-chave da economia brasileira, o que gerou tensões diplomáticas e comerciais. Ainda que a penalização econômica tenha como alvo Bolsonaro, com a tentativa de pressionar sua liberação, o efeito colateral mais relevante emergiu na esfera tecnológica e regulatória.

Enquanto o Brasil mantém regras rigorosas contra a desinformação — sendo reconhecido mundialmente por seu combate à propagação de notícias falsas — as grandes empresas de tecnologia passaram a ter acesso privilegiado às discussões em Brasília.

O papel do Supremo Tribunal Federal na regulação das redes sociais

Em junho, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que as plataformas podem ser responsabilizadas por publicações ilegais e devem monitorar conteúdos patrocinados. A decisão, liderada pelo ministro Alexandre de Moraes, reforçou a postura firme do Brasil diante da desinformação e estabeleceu um marco regulatório que desafia as big techs.

Porém, essas companhias alegam que as normas brasileiras são vagas e pesadas, gerando constantes embates jurídicos e políticos.

Big techs e a nova agenda de influência em Brasília

Antes fortemente alinhadas com Trump, as grandes empresas de tecnologia se viram diante de um cenário novo com as tarifas elevadas aos produtos brasileiros. Buscando suavizar os efeitos e ampliar sua presença, representantes do Google, Meta e outras companhias passaram a ser recebidos por autoridades brasileiras e até ministros do Supremo.

Segundo fontes com conhecimento direto, as conversas abordaram temas que vão desde o impacto das tarifas até a regulamentação de redes sociais e inteligência artificial, áreas consideradas estratégicas para o futuro do setor no Brasil.

Um acordo tácito entre tecnologia e política comercial

O professor Anupam Chander, da Universidade de Georgetown, comenta que “tudo parece fazer parte do ‘acordo’”, destacando que o que antes seria tratado como política doméstica brasileira passou a integrar uma agenda comercial internacional.

Um exemplo foi a reunião realizada um dia antes da entrada em vigor das tarifas, onde executivos do Google e Meta se encontraram com o vice-presidente brasileiro Geraldo Alckmin, com participação remota de um representante do secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick.

O objetivo, segundo integrantes do governo brasileiro, foi demonstrar disposição para o diálogo e cooperação.

Grupo de trabalho para regulação e inovação

Na sequência, o governo brasileiro propôs a criação de um grupo de trabalho focado em regulação, inovação e investimentos no setor de tecnologia, incluindo temas como centros de dados — uma área que promete gerar empregos e movimentar o mercado de tecnologia local.

Alckmin ressaltou a cautela do Brasil em aprender com experiências internacionais:

“Essa questão de regular as big tech e as redes sociais está sendo discutida no mundo inteiro. Então, vamos aprender. Onde foi implementado? O que funcionou? O que gerou críticas? Não devemos ter pressa.”

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Disputa ideológica e política entre Brasil e EUA

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Imagem: Freepik

Donald Trump acusa o Brasil de censurar vozes conservadoras por meio da legislação contra desinformação, além de prejudicar as companhias americanas que atuam no país.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicialmente chamou as tarifas de “chantagem” e afirmou que endureceria a fiscalização brasileira. Contudo, recentemente, Alckmin sinalizou abertura para negociar, sinalizando uma mudança estratégica no relacionamento bilateral.

O mercado brasileiro como peça-chave

Com 212 milhões de habitantes altamente conectados, o Brasil é um dos maiores mercados digitais do mundo e estratégico para as big techs.

Especialistas afirmam que, caso as empresas consigam suavizar as regras locais, Trump poderá reivindicar uma vitória significativa para sua política comercial — mesmo que o imbróglio político envolvendo Bolsonaro persista.

Conclusão

As tarifas de 50% impostas pelos EUA, embora não tenham mudado o cenário político imediato em relação a Bolsonaro, abriram um novo capítulo na relação entre o Brasil e as big techs.

A influência crescente dessas empresas nos corredores do poder em Brasília, sobretudo na regulamentação das redes sociais e da inteligência artificial, mostra que a política comercial internacional pode impactar diretamente o ambiente regulatório doméstico brasileiro.

O Brasil se encontra, portanto, diante de um desafio complexo: equilibrar a defesa de suas políticas públicas, o combate à desinformação e a proteção de seus dados, enquanto negocia e se adapta às pressões comerciais internacionais e ao avanço tecnológico global.

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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