Com a proximidade do início da cobrança de novas tarifas pelos Estados Unidos, marcada para 6 de agosto, diversos setores da economia brasileira intensificam a pressão sobre o governo federal. Empresas e associações pedem apoio diplomático mais intenso, medidas de compensação econômica e ações para diversificar os mercados de exportação.
Tarifas dos EUA: setores brasileiros pedem apoio e procuram outras oportunidades
Setores brasileiros pedem apoio e avaliam novos mercados após tarifaço dos EUA. Diplomacia é considerada essencial.
As reações vêm de segmentos que ficaram de fora da lista de exceções divulgada pelo presidente norte-americano Donald Trump. Apesar de o Brasil ter conseguido proteger parte de suas exportações – como suco de laranja, petróleo e algumas peças de aviação civil –, outros produtos estratégicos foram impactados diretamente pelo chamado tarifaço.
Leia mais: Tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros gera alerta global
Aviação agrícola teme impacto de retaliação

Um dos setores em alerta é o de aviação agrícola, que depende fortemente da importação de peças e equipamentos dos Estados Unidos. Cláudio Júnior Oliveira, diretor do Sindag (Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola), destaca que 90% dos componentes utilizados nos aviões fabricados no Brasil vêm dos EUA.
“Estamos procurando ativamente o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para saber se, de fato, o Brasil vai colocar a Lei de Reciprocidade em prática”, afirmou Oliveira. Ele lembra que o setor está em expansão, com grande potencial para atender até 30% das aplicações no campo, incluindo semeadura, aplicação de defensivos agrícolas e combate a incêndios florestais.
Indústria de couro pede auxílios semelhantes aos da pandemia
Outro setor afetado é o de componentes para couro e calçados, que teme impactos severos nas exportações. Silvana Dilly, superintendente da Assintecal, avalia que é hora de proteger empregos e empresas, principalmente por causa das exportações indiretas, realizadas por curtumes e indústrias calçadistas.
“Hoje, o cenário é preocupante”, disse Silvana. Os produtos químicos para curtumes, segundo ela, também devem sentir o impacto. Dados do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) mostram que os EUA foram o segundo maior comprador de couro brasileiro em 2024, com 13,3% de participação nas exportações.
Até junho de 2025, esse percentual aumentou para 13,6%, sinalizando o peso do mercado americano. Segundo a Assintecal, o setor exportou diretamente US$ 2,7 milhões para os EUA no período, alta de 30% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. Com mais de 3 mil empresas, a indústria de componentes de couro emprega cerca de 80 mil pessoas.
Café brasileiro aposta em diplomacia e novas oportunidades
A indústria de café mantém um tom mais otimista. A Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café) acredita que ainda há espaço para negociação. “Na mesa de negociações, todo tempo ganho é válido”, disse a entidade, que vê sinais positivos na existência de uma lista de exceções.
“Temos na história recente das relações comerciais casos de outros países com reversões de escalada de tarifas”, complementa a associação, que diz confiar na atuação da diplomacia brasileira.
Para Alfredo Cotait, presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), é essencial que se busquem novos mercados, com apoio reforçado da ApexBrasil. “Não é da noite para o dia que se encontra um novo mercado. Por isso, essa ajuda é considerada fundamental”, ressaltou.
A CACB iniciou um estudo para avaliar caso a caso o impacto das tarifas, com destaque para o segmento de cafés gourmet, como os produzidos em Franca (SP) e no Sul de Minas Gerais, que poderiam pleitear inclusão na lista de exceções.
Madeira processada vê brechas e dúvidas no tarifaço
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
O setor de madeira processada mecanicamente também demonstra preocupação. A Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente) observou que, apesar da exclusão de alguns produtos como a madeira serrada tropical, há dúvidas quanto à abrangência real da lista de exceções.
A entidade citou que produtos em análise pela Seção 232 — que investiga itens com possível risco à segurança nacional dos EUA — aparecem como “sem tarifa” na medida anunciada, mas o texto oficial deixa margem para interpretações.
Entenda o tarifaço imposto pelos EUA

As novas tarifas anunciadas por Donald Trump somam 50% no total, considerando os 40% adicionais aos 10% já em vigor desde abril. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), as novas regras devem afetar 35,9% das exportações brasileiras para os EUA.
Por outro lado, 694 produtos foram listados como exceções, o que representa 45% do total exportado. Entre eles estão suco e polpa de laranja, peças de aviação civil e derivados de petróleo.
Apesar disso, o governo americano já alertou que qualquer retaliação por parte do Brasil pode levar a ajustes imediatos nas tarifas, como explicou o próprio documento assinado por Trump. “Se o governo do Brasil retaliar aumentando as tarifas sobre as exportações dos Estados Unidos, aumentarei a alíquota igualmente”, afirma o texto.
Com informações de: Economia – UOL
