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“Taxa das blusinhas” provoca quedas nas importações e crescimento no varejo nacional

Aumento do ICMS sobre compras internacionais provoca queda nas importações e fortalece o varejo nacional. Entenda os impactos.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Taxa das blusinhas

Desde 1º de abril de 2025, uma nova alíquota do ICMS entrou em vigor em dez estados brasileiros, elevando de 17% para 20% o imposto estadual sobre compras internacionais de até US$ 50. A medida, que ficou popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”, afeta diretamente consumidores, empresas de logística, plataformas digitais e pequenos importadores.

Embora o foco inicial recaia sobre o comércio eletrônico — especialmente sites como Shein, Shopee e AliExpress — o impacto se estende a toda a cadeia de consumo, gerando mudanças significativas no mercado varejista, nos hábitos de compra e no equilíbrio fiscal entre produtos nacionais e estrangeiros.

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Nova tributação visa equilibrar concorrência entre varejo nacional e estrangeiro

Taxa das blusinhas
Imagem: Joédson Alves / Agência Brasil

A decisão foi aprovada pelo Conselho Nacional dos Secretários de Fazenda (Consefaz) com o argumento de garantir isonomia competitiva entre os comerciantes brasileiros e os gigantes do comércio eletrônico internacional. A tributação adicional se soma ao imposto de importação federal, que desde agosto de 2024 já incide sobre essas compras com alíquota de 20%.

Em entrevista, Pedro Lima, CEO da consultoria tributária Taxcel, ressaltou que o movimento acompanha uma tendência global. “O aumento do ICMS é mais um passo na tentativa de criar um campo nivelado, mas seu efeito real dependerá de como o mercado se adaptar”, disse.

Quais estados já aplicam a nova alíquota

A elevação da alíquota estadual de ICMS foi adotada por ao menos dez unidades federativas, incluindo:

  • Bahia
  • Minas Gerais
  • Paraíba
  • Ceará
  • Pernambuco
  • Rio Grande do Norte
  • Sergipe
  • Alagoas
  • Maranhão
  • Tocantins

Nesses estados, o consumidor verá um aumento imediato no custo de produtos importados de pequeno valor, com reflexo direto no preço final.


O impacto direto no bolso do consumidor

Compras em sites como Shein, Shopee e AliExpress ficam mais caras

Antes da nova medida, o consumidor brasileiro já pagava uma carga tributária significativa nas compras internacionais. Agora, com a aplicação conjunta do imposto de importação federal e do ICMS estadual, um produto comprado por US$ 50 pode chegar ao consumidor custando até 45% a mais — considerando a soma dos dois tributos, além de possíveis taxas alfandegárias e frete.

A principal preocupação é com os consumidores de baixa renda, que têm nessas plataformas uma alternativa de acesso a produtos a preços mais acessíveis. Com os preços mais altos, essa parcela da população pode reduzir o volume de compras ou buscar alternativas nacionais.

A percepção de valor pode determinar o impacto

Mesmo com o aumento dos preços, muitos consumidores continuarão comprando de sites estrangeiros, caso ainda considerem o custo-benefício vantajoso. “Se o consumidor entender que a diferença de preço ainda compensa, o impacto pode ser limitado”, reforça Pedro Lima.


Oportunidade para o varejo nacional

Varejistas brasileiros têm chance de reconquistar consumidores

Nos últimos anos, lojistas e redes varejistas brasileiras vêm sofrendo com a forte concorrência das plataformas asiáticas, que praticam preços extremamente baixos, aproveitando brechas tributárias. A “taxa das blusinhas” pode representar uma janela de oportunidade para esses empreendedores reconquistarem o mercado perdido.

Entretanto, o sucesso dessa recuperação não depende apenas do aumento da carga tributária para concorrentes estrangeiros. “O desafio será melhorar a eficiência operacional, logística e digital. A tributação isolada não corrige as falhas estruturais do varejo brasileiro”, alerta Lima.

Transformação digital se torna prioridade

Para enfrentar o novo cenário, será fundamental que o varejo nacional invista em inovação tecnológica e digitalização. Empresas que otimizarem seus processos logísticos, aprimorarem a experiência do consumidor e apostarem em e-commerce poderão se destacar diante da mudança de comportamento dos consumidores.


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Reflexos nas importações e na economia

Compras Internacionais impostos icms varejo importação
Imagem: William Potter / shutterstock.com

Dados preliminares apontam redução no volume de importações

De acordo com fontes do setor, nas primeiras semanas de abril, plataformas como Shopee e AliExpress já observaram uma queda entre 15% e 25% nas vendas com destino ao Brasil. A expectativa é que, à medida que os consumidores se adaptam às novas cobranças, esse número possa crescer — ou estabilizar, caso o apelo das plataformas estrangeiras continue forte mesmo com os tributos.

Essa desaceleração nas importações pode ter reflexos importantes na balança comercial brasileira e também no nível de arrecadação federal e estadual, já que parte das receitas passa a circular dentro do país, movimentando empresas locais.

Potencial de estímulo à produção nacional

Com a diminuição da dependência de produtos estrangeiros, a indústria nacional pode ser estimulada a expandir sua produção. Isso não apenas gera mais empregos, como também fortalece a economia interna, criando um ciclo virtuoso de consumo, produção e arrecadação.


Reforma tributária pode alterar o cenário

ICMS e outros tributos em transição

O aumento do ICMS ocorre em meio a discussões sobre a Reforma Tributária, que tramita no Congresso Nacional e prevê mudanças profundas na estrutura de arrecadação brasileira. A proposta é substituir o atual modelo de tributos sobre consumo por um sistema mais simplificado, por meio da criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

Essa mudança poderá modificar, no médio e longo prazo, a forma como tributos como o ICMS são aplicados, inclusive nas compras internacionais. Segundo Pedro Lima, é essencial acompanhar de perto essas transformações. “O modelo atual é transitório. O novo sistema tributário busca simplificar, mas pode trazer novos impactos tanto para o varejo quanto para os consumidores”, afirma.

Imagem: Maxx-Studio / Shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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