As compras internacionais de até US$ 50 voltarão a ser tributadas de forma mais ampla a partir de 2027. A mudança faz parte da reforma tributária sobre o consumo e será implementada por meio da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), um dos novos tributos criados para substituir diversos impostos federais atualmente existentes.
Taxa das blusinhas volta e afeta encomendas de menor valor
Entenda como a CBS vai substituir a taxa das blusinhas e impactar compras internacionais de até US$ 50 a partir de 2027.
A medida afeta diretamente milhões de brasileiros que compram em plataformas internacionais como Shein, AliExpress, Temu e Shopee Internacional. Embora a chamada “taxa das blusinhas” tenha sido encerrada, a tributação sobre importações de pequeno valor não desaparecerá. Ela passará a ocorrer dentro do novo sistema tributário previsto pela reforma.
Entender como funcionará essa cobrança é essencial para quem costuma fazer compras no exterior e deseja evitar surpresas no preço final dos produtos.
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O que muda nas compras internacionais em 2027

A principal mudança é a substituição do modelo atual de tributação federal pela CBS.
Na prática, produtos importados de até US$ 50 passarão a ser tributados dentro da nova estrutura criada pela reforma tributária, alinhando a cobrança sobre mercadorias estrangeiras às regras aplicadas aos produtos vendidos no mercado nacional.
O objetivo declarado pelo governo é reduzir distorções concorrenciais entre empresas brasileiras e plataformas internacionais, além de simplificar a arrecadação de tributos sobre o consumo.
Até o momento, a alíquota definitiva da CBS para essas operações ainda não foi fixada.
O que era a taxa das blusinhas
A chamada “taxa das blusinhas” ficou conhecida popularmente como a cobrança do Imposto de Importação sobre compras internacionais de baixo valor.
O apelido surgiu porque muitas compras realizadas em plataformas asiáticas envolviam roupas, acessórios e itens de moda vendidos a preços reduzidos.
A tributação foi alvo de debates entre governo, varejistas nacionais, consumidores e empresas de comércio eletrônico. Enquanto representantes da indústria e do comércio brasileiro defendiam a cobrança para equilibrar a concorrência, consumidores criticavam o aumento dos custos nas compras internacionais.
Com a reforma tributária, o modelo atual deixa de existir gradualmente, dando lugar à CBS.
O que é a CBS
A Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) será o tributo federal que substituirá impostos atualmente cobrados pela União sobre o consumo.
Ela integra o novo sistema tributário criado pela reforma aprovada pelo Congresso Nacional e funcionará de maneira semelhante a um Imposto sobre Valor Agregado (IVA), modelo adotado em diversos países.
A CBS será aplicada tanto sobre produtos nacionais quanto sobre mercadorias importadas.
Objetivos da CBS
Entre os principais objetivos estão:
- Simplificar o sistema tributário brasileiro;
- Reduzir a cumulatividade de impostos;
- Aumentar a transparência da tributação;
- Uniformizar a cobrança sobre bens e serviços;
- Garantir tratamento semelhante para produtos nacionais e importados.
Qual será a alíquota da CBS nas compras internacionais
A alíquota definitiva ainda depende de regulamentação.
Os cálculos estão sendo realizados pela Receita Federal em conjunto com o Tribunal de Contas da União (TCU), e a definição deverá ocorrer por meio de resolução do Senado Federal.
As estimativas mais recentes apontam para uma alíquota próxima de 9,43%.
Anteriormente, projeções indicavam percentual ao redor de 8,8%, mas ajustes realizados durante a regulamentação da reforma tributária elevaram essa expectativa.
É importante destacar que o percentual poderá sofrer alterações até a definição final das regras.
Quanto uma compra pode ficar mais cara
O impacto dependerá do valor do produto, do frete, da alíquota final da CBS e da incidência dos tributos estaduais.
Veja um exemplo hipotético:
Exemplo de compra internacional
Produto: R$ 200
Frete: R$ 30
Valor total da operação: R$ 230
Se a CBS ficar em aproximadamente 9,43%, a cobrança seria próxima de:
- CBS: cerca de R$ 21,69
Além disso, continua existindo a cobrança do ICMS estadual, dependendo da legislação vigente no momento da importação.
Assim, o custo final pode superar significativamente o preço inicialmente exibido na plataforma internacional.
ICMS continuará sendo cobrado pelos estados
Mesmo com a chegada da CBS, os estados continuarão cobrando ICMS sobre importações durante o período de transição da reforma tributária.
Atualmente, as alíquotas estaduais variam normalmente entre 17% e 20%, dependendo da unidade federativa e das regras aplicáveis.
Por isso, o consumidor não deve analisar apenas a tributação federal ao calcular o custo de uma compra internacional.
Em muitos casos, o imposto estadual representa parcela relevante do valor final pago.
Como funciona a transição para o IBS
A reforma tributária prevê uma substituição gradual dos tributos estaduais e municipais.
Entre 2029 e 2032, ocorrerá a transição do ICMS e do ISS para o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
Ao final desse processo:
- A CBS representará a parcela federal da tributação;
- O IBS representará a parcela estadual e municipal;
- Ambos formarão o novo sistema de tributação sobre o consumo.
O que é o imposto seletivo
Outro componente da reforma tributária é o chamado Imposto Seletivo.
Popularmente conhecido como “imposto do pecado”, ele terá como objetivo desestimular o consumo de produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
Produtos que poderão ser afetados
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Entre os itens que poderão sofrer incidência do imposto seletivo estão:
- Bebidas alcoólicas;
- Cigarros;
- Produtos derivados do tabaco;
- Refrigerantes;
- Veículos com maior potencial poluente.
As alíquotas ainda serão definidas pelo Congresso Nacional.
O imposto seletivo pode influenciar a CBS?
Sim.
A lógica da reforma prevê um equilíbrio na arrecadação total do sistema tributário.
Caso a arrecadação do Imposto Seletivo fique abaixo das projeções inicialmente previstas, pode haver necessidade de ajustes em outros tributos do novo modelo, incluindo a CBS.
Por esse motivo, especialistas acompanham a regulamentação dos dois tributos de forma conjunta.
Por que o governo quer tributar compras internacionais
Segundo o governo federal, a tributação busca corrigir diferenças competitivas entre empresas brasileiras e plataformas estrangeiras.
Durante anos, varejistas nacionais argumentaram que enfrentavam uma carga tributária significativamente maior do que a aplicada sobre produtos importados de pequeno valor.
Com a nova estrutura, a intenção é aproximar o tratamento tributário entre produtos vendidos dentro e fora do país.
Além disso, a medida contribui para a manutenção da arrecadação pública durante a transição para o novo sistema tributário.
O Brasil terá uma das maiores cargas sobre consumo do mundo?
As projeções da reforma tributária indicam que a soma de CBS e IBS poderá alcançar aproximadamente 26,5%.
Caso essa estimativa se confirme, o Brasil passará a ter uma das maiores cargas tributárias sobre consumo entre as economias relevantes do mundo.
A justificativa do governo é que a reforma busca compensar a elevada tributação atual por meio de um sistema mais simples, transparente e menos burocrático.
No entanto, especialistas destacam que o impacto final dependerá da regulamentação definitiva, dos regimes diferenciados e das futuras revisões das alíquotas.
O que o consumidor deve fazer até 2027

Para quem realiza compras internacionais com frequência, a recomendação é acompanhar as regulamentações que ainda serão publicadas.
Os principais pontos que merecem atenção são:
- A definição oficial da alíquota da CBS;
- As regras específicas para importações de pequeno valor;
- A manutenção ou alteração das alíquotas estaduais;
- As normas de transição para o IBS;
- As mudanças operacionais nas plataformas internacionais.
Esses fatores determinarão o custo efetivo das compras realizadas a partir de 2027.
Conclusão
A tributação das compras internacionais de até US$ 50 passará por uma transformação significativa com a implementação da CBS em 2027. Embora a chamada “taxa das blusinhas” tenha sido encerrada, a cobrança de tributos sobre importações de pequeno valor continuará existindo dentro do novo modelo criado pela reforma tributária.
A alíquota definitiva ainda depende de regulamentação, mas as estimativas apontam para uma cobrança próxima de 9,43%. Somada ao ICMS e, futuramente, ao IBS, a mudança pode elevar o custo das compras feitas em sites estrangeiros.
Para os consumidores, acompanhar a evolução das regras será fundamental para entender quanto realmente custará importar produtos nos próximos anos e evitar surpresas na hora de finalizar uma compra internacional.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
