As taxas dos títulos do Tesouro Direto operaram em alta na manhã desta terça-feira (26), refletindo a divulgação do IPCA-15 de agosto, que registrou deflação de 0,14%. O resultado mostrou uma desaceleração menor que a projetada pelo mercado, cuja mediana das expectativas apontava para uma queda de 0,21%.
Tesouro Direto registra alta nas taxas; deflação menor surpreende mercado
Taxas do Tesouro Direto sobem nesta terça (26) após IPCA-15 recuar 0,14% em agosto, abaixo do esperado. Confira os rendimentos atualizados dos títulos.
Apesar da surpresa, o índice representa a primeira deflação desde julho de 2023, reacendendo o debate sobre inflação, política monetária e expectativas de corte na taxa Selic.
O movimento local também foi influenciado pelo avanço dos Treasuries norte-americanos, que apresentaram elevação nas rentabilidades dos papéis de referência.
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O impacto do IPCA-15 nas taxas de juros

Expectativas do mercado
O IPCA-15 é considerado uma prévia oficial da inflação e serve de termômetro para decisões futuras de política monetária. O resultado de agosto indicou que, embora os preços tenham recuado, a queda foi menos intensa que a esperada.
Esse cenário reduz as apostas em cortes mais agressivos da taxa Selic, aumentando o prêmio exigido pelos investidores para carregar títulos públicos de longo prazo.
Reflexo imediato nos prefixados
Às 9h50, os papéis prefixados apresentavam alta relevante:
- Tesouro Prefixado 2028: 13,29% ao ano (antes 13,22%);
- Tesouro Prefixado 2032: 13,87% ao ano (antes 13,81%);
- Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2035: 14,03% ao ano (antes 13,96%).
Esse ajuste evidencia a sensibilidade do mercado ao dado inflacionário e reforça a percepção de que os cortes na Selic devem seguir de forma mais gradual.
Desempenho dos títulos atrelados à inflação
Os títulos indexados ao IPCA (Tesouro IPCA+) também refletiram a reavaliação do mercado:
- IPCA+ 2029: 7,83% ao ano;
- IPCA+ 2040: 7,17% ao ano;
- IPCA+ 2050: 7,02% ao ano.
O investidor que busca proteção contra a inflação continua encontrando retornos expressivos, principalmente nos papéis de vencimento mais longo, que garantem juros reais superiores a 7% ao ano.
Tesouro Selic: opção de curto prazo
Nos títulos pós-fixados, as taxas acompanharam a expectativa de manutenção da Selic em patamares elevados:
- Tesouro Selic 2028: SELIC + 0,0496%;
- Tesouro Selic 2031: SELIC + 0,1052%.
Com risco reduzido e alta liquidez, esses papéis seguem sendo porta de entrada para novos investidores e opção de reserva de emergência.
Rendimento dos Treasuries reforça pressão local
O movimento do Tesouro Direto também foi influenciado pelo avanço dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries), que servem como referência global de juros:
- Treasury de 10 anos: 4,27% ao ano;
- Treasury de 20 anos: 4,88% ao ano;
- Treasury de 30 anos: 4,91% ao ano.
O aumento das taxas americanas reduz a atratividade relativa de ativos emergentes, exigindo retorno maior no Brasil para compensar o risco.
Taxas do Tesouro Direto hoje (26)
Prefixados
| Título | Rentabilidade anual | Investimento mínimo | Preço unitário | Vencimento |
|---|---|---|---|---|
| Tesouro Prefixado 2028 | 13,29% | R$ 7,47 | R$ 747,02 | 01/01/2028 |
| Tesouro Prefixado 2032 | 13,87% | R$ 4,40 | R$ 440,64 | 01/01/2032 |
| Prefixado com Juros Semestrais 2035 | 14,03% | R$ 8,20 | R$ 820,24 | 01/01/2035 |
Pós-fixados (Tesouro Selic)
| Título | Rentabilidade anual | Investimento mínimo | Preço unitário | Vencimento |
|---|---|---|---|---|
| Tesouro Selic 2028 | Selic + 0,0496% | R$ 172,08 | R$ 17.208,23 | 01/03/2028 |
| Tesouro Selic 2031 | Selic + 0,1052% | R$ 171,30 | R$ 17.130,75 | 01/03/2031 |
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Indexados à inflação (Tesouro IPCA+)
| Título | Rentabilidade anual | Investimento mínimo | Preço unitário | Vencimento |
|---|---|---|---|---|
| Tesouro IPCA+ 2029 | IPCA + 7,83% | R$ 34,38 | R$ 3.438,61 | 15/05/2029 |
| Tesouro IPCA+ 2040 | IPCA + 7,17% | R$ 16,19 | R$ 1.619,23 | 15/08/2040 |
| Tesouro IPCA+ 2050 | IPCA + 7,02% | R$ 8,42 | R$ 842,98 | 15/08/2050 |
(Tabela completa inclui Educa+ e Renda+, conforme boletim oficial do Tesouro Nacional.)
Tesouro Renda+ e Tesouro Educa+: alternativas de longo prazo
Além dos papéis tradicionais, o Tesouro oferece modalidades voltadas a objetivos específicos:
- Tesouro Renda+ (Aposentadoria Extra): voltado a quem planeja a aposentadoria, com rendimentos acima de IPCA + 7% em diferentes prazos, chegando até 2084.
- Tesouro Educa+: voltado à formação educacional, também com juros reais superiores a 7% ao ano.
Essas opções reforçam o leque de estratégias para planejamento financeiro de longo prazo.
Como interpretar o movimento do mercado

Para investidores de curto prazo
A alta nas taxas pode representar volatilidade nos preços de mercado. Quem pensa em resgatar antes do vencimento deve estar atento, pois a valorização ou desvalorização pode impactar o retorno final.
Para investidores de longo prazo
Por outro lado, quem deseja garantir juros altos por vários anos encontra hoje uma oportunidade de travar rentabilidades históricas, principalmente em títulos prefixados e indexados ao IPCA.
Considerações finais
O resultado do IPCA-15 de agosto trouxe a primeira deflação em mais de um ano, mas não na intensidade esperada. Isso levou a uma reprecificação imediata das taxas do Tesouro Direto, acompanhando também a alta nos Treasuries americanos.
Para o investidor, o cenário exige cautela: é preciso equilibrar liquidez, horizonte de investimento e apetite a risco. A boa notícia é que os títulos públicos continuam oferecendo retornos atrativos, sobretudo para quem busca proteção contra a inflação e estabilidade de longo prazo.
