As taxas dos títulos públicos despencaram na abertura do Tesouro Direto nesta segunda-feira (5), no primeiro pregão após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. O movimento levou os juros de alguns papéis a uma das maiores quedas da série histórica e provocou forte valorização dos títulos no mercado.
O Tesouro Prefixado 2032, por exemplo, saiu de uma taxa de 14,15% ao ano na abertura de sexta-feira para 12,95% nesta segunda, uma redução de 1,20 ponto percentual. O Prefixado com Juros Semestrais 2037 caiu de 14,17% para 13,00%.
Para quem já possui títulos, a mudança pode representar uma valorização relevante no preço de mercado. Para quem pretende investir agora, porém, as condições de remuneração são diferentes das observadas nos dias anteriores.
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O que aconteceu com o Tesouro Direto nesta segunda-feira?

A forte movimentação ocorreu depois do primeiro turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (4). Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa com 47,03% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva obteve 45,16%. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
O resultado alterou as expectativas dos investidores sobre a trajetória econômica do próximo governo. No mercado financeiro, uma possibilidade de mudança na política econômica passou a ser incorporada aos preços dos ativos, especialmente nas projeções para juros e contas públicas.
A reação foi particularmente forte nos títulos de prazo mais longo. A queda das taxas dos prefixados com mais de um ano até o vencimento foi uma das maiores já registradas desde o início da série histórica.
A abertura do Tesouro Direto ocorreu às 11h28 nesta segunda-feira, mais tarde que o horário habitual, em razão da elevada volatilidade dos mercados.
Quais títulos tiveram as maiores quedas nas taxas?
Os títulos prefixados concentraram uma das maiores reprecificações do dia.
| Título | Taxa anterior | Taxa em 5/10 | Queda |
|---|---|---|---|
| Tesouro Prefixado 2029 | 13,83% | 12,74% | 1,09 p.p. |
| Tesouro Prefixado 2032 | 14,15% | 12,95% | 1,20 p.p. |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 | 14,17% | 13,00% | 1,17 p.p. |
| Tesouro IPCA+ 2032 | IPCA + 7,60% | IPCA + 6,91% | 0,69 p.p. |
| Tesouro IPCA+ 2040 | IPCA + 7,22% | IPCA + 6,50% | 0,72 p.p. |
| Tesouro IPCA+ 2050 | IPCA + 7,06% | IPCA + 6,32% | 0,74 p.p. |
Entre os títulos atrelados à inflação, o IPCA+ 2050 apresentou uma das maiores quedas, passando de IPCA + 7,06% para IPCA + 6,32% ao ano.
As taxas, porém, não são fixas ao longo do pregão. Elas podem mudar conforme as condições do mercado.
Por que a queda dos juros faz o preço do título subir?
Essa é uma das principais dúvidas de quem acompanha o Tesouro Direto.
A relação é inversa: quando as taxas de mercado caem, o preço dos títulos que já foram comprados tende a subir. Quando as taxas sobem, o preço de mercado desses títulos tende a cair.
Isso acontece porque o título possui fluxos financeiros previamente definidos. Se um investidor comprou um papel quando o mercado exigia uma taxa mais alta e, posteriormente, títulos semelhantes passam a oferecer uma remuneração menor, aquele papel antigo se torna relativamente mais atrativo.
Esse mecanismo é conhecido como marcação a mercado.
Um exemplo simples
Imagine, de forma ilustrativa, um investidor que comprou um título prefixado quando o mercado oferecia 14% ao ano.
Se, posteriormente, títulos semelhantes passam a ser negociados a 12%, o papel comprado anteriormente pode se valorizar no mercado.
Por isso, uma queda expressiva das taxas pode beneficiar quem já estava posicionado em títulos prefixados ou IPCA+ de prazo mais longo.
Isso não significa, porém, que o investidor necessariamente receberá esse ganho no vencimento.
Se permanecer com o título até a data final, recebe a rentabilidade estabelecida no momento da compra, respeitando as condições do papel.
Já quem vende antecipadamente está sujeito ao preço de mercado daquele momento.
Quem já tem Tesouro Prefixado ou IPCA+ ganhou dinheiro?
Em termos de valor de mercado, sim. A queda das taxas tende a elevar o preço dos títulos que já estavam na carteira.
Mas existe uma diferença importante entre valorização e dinheiro efetivamente recebido.
Quem mantém o título até o vencimento não precisa vender pelo preço de mercado. Nesse caso, recebe a rentabilidade estabelecida na aquisição, conforme as regras do título.
Já quem decide vender antecipadamente pode capturar uma valorização ou sofrer uma perda, dependendo das condições de mercado no momento da venda.
Por isso, uma forte alta no preço de um título não deve ser interpretada automaticamente como motivo para vender.
Por que as eleições mexeram tanto com os juros?
O mercado financeiro tenta antecipar o que pode acontecer com a economia antes que as decisões efetivamente sejam tomadas.
No caso dos títulos públicos, as expectativas sobre inflação, juros, dívida pública e política fiscal têm peso significativo na formação das taxas.
Após o primeiro turno, parte dos agentes passou a trabalhar com novas possibilidades para a condução econômica. A expectativa em relação às contas públicas também passou a influenciar a precificação dos títulos.
Esse movimento, porém, não significa que uma política econômica já esteja definida.
O mercado está trabalhando com expectativas. Essas expectativas podem mudar conforme os candidatos apresentem propostas, formem alianças e indiquem possíveis integrantes de suas equipes econômicas.
O que pode acontecer com as taxas até o segundo turno?
A tendência é de continuidade da volatilidade.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro. Até lá, novas pesquisas eleitorais, declarações dos candidatos, alianças, propostas econômicas e informações sobre possíveis equipes de governo podem alterar novamente as expectativas dos investidores.
O mercado também deverá observar especialmente as propostas para as contas públicas.
Para que uma eventual queda dos juros longos se sustente, será necessário que as expectativas positivas sejam acompanhadas por medidas concretas e consideradas fiscalmente críveis.
Caso contrário, parte da queda pode ser devolvida.
A queda das taxas significa que é hora de comprar Tesouro Direto?
Não necessariamente.
Uma taxa menor pode significar que determinado título ficou menos atrativo para um novo comprador do que estava quando oferecia uma remuneração maior.
Ao mesmo tempo, uma queda dos juros pode ser positiva para quem acredita que as taxas continuarão recuando e deseja capturar uma eventual valorização de mercado.
São situações diferentes.
O investidor também precisa considerar o objetivo da aplicação. O Tesouro Selic possui características diferentes do Tesouro Prefixado e do Tesouro IPCA+, tanto em relação à remuneração quanto à exposição às oscilações de mercado.
Por isso, não é adequado concluir que um título se tornou automaticamente melhor ou pior apenas porque sua taxa subiu ou caiu em determinado dia.
Quais eram as taxas do Tesouro Direto na abertura desta segunda?
Às 11h28, os títulos disponíveis apresentavam as seguintes taxas:
- Tesouro Selic 2031: Selic + 0,0858% ao ano;
- Tesouro Prefixado 2029: 12,74% ao ano;
- Tesouro Prefixado 2032: 12,95% ao ano;
- Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037: 13,00% ao ano;
- Tesouro IPCA+ 2032: IPCA + 6,91% ao ano;
- Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037: IPCA + 6,86% ao ano;
- Tesouro IPCA+ 2040: IPCA + 6,50% ao ano;
- Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045: IPCA + 6,56% ao ano;
- Tesouro IPCA+ 2050: IPCA + 6,32% ao ano;
- Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060: IPCA + 6,39% ao ano.
Essas taxas representam um retrato do mercado naquele momento e podem mudar durante o pregão.
O que o investidor deve observar antes de tomar uma decisão?
A principal recomendação é não tomar uma decisão apenas olhando para a variação de um único dia.
Quem já possui títulos deve verificar o prazo originalmente planejado e avaliar se precisa do dinheiro antes do vencimento. A venda antecipada expõe o investidor à marcação a mercado.
Quem ainda pretende investir precisa comparar a taxa disponível com seu objetivo e horizonte de investimento. Também deve considerar impostos, custos e a possibilidade de mudanças nas taxas ao longo do período.
Outro ponto é o horário de negociação. Em dias úteis, o Tesouro Direto funciona normalmente das 9h30 às 18h. Fora desse período, as operações seguem regras específicas.
O que esperar do Tesouro Direto nos próximos dias?

O mercado deve continuar acompanhando três fatores principais: a disputa presidencial, as sinalizações sobre política fiscal e o comportamento dos juros no exterior.
O primeiro turno reduziu parte das incertezas eleitorais ao definir os dois candidatos que disputarão a Presidência, mas não eliminou a dúvida sobre o resultado final nem sobre a política econômica que será adotada.
Para o investidor, isso significa que movimentos expressivos nos títulos públicos ainda podem ocorrer.
A forte queda registrada nesta segunda-feira mostra como rapidamente as expectativas podem ser incorporadas aos preços.
Mais do que tentar prever o próximo movimento diário, o ponto central é entender como a variação das taxas afeta cada tipo de título e verificar se o investimento continua adequado ao objetivo para o qual o dinheiro foi reservado.
Conclusão
A forte queda nas taxas do Tesouro Direto mostra o impacto imediato das eleições sobre as expectativas do mercado. Para quem já investe em títulos prefixados ou IPCA+, o movimento pode significar valorização dos papéis, enquanto novos investidores encontram taxas diferentes das observadas antes do primeiro turno.
Com a proximidade do segundo turno, a volatilidade ainda pode continuar. Por isso, mais do que reagir às oscilações de um único dia, é importante considerar o prazo do investimento, o objetivo financeiro e a necessidade de resgate antes do vencimento.
