As taxas dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto registram recuo na manhã de terça-feira (10), devolvendo parte da forte alta observada na sessão anterior. O movimento reflete uma mudança no humor dos mercados internacionais após sinais de possível redução das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã.
Tesouro IPCA+ recua após sinal de possível fim da guerra
Taxas do Tesouro Direto recuam após queda do petróleo e alívio externo; veja os rendimentos atualizados dos títulos públicos.
Na prática, quando há maior aversão ao risco global — como ocorreu na segunda-feira — investidores tendem a exigir retornos maiores para comprar títulos públicos. Isso faz com que as taxas do Tesouro Direto subam rapidamente. Já quando o cenário externo melhora, o processo se inverte: a demanda pelos papéis aumenta e os rendimentos recuam.
Esse foi exatamente o movimento observado nesta terça. A melhora do sentimento dos investidores ocorreu depois que aumentaram as apostas de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, poderia encerrar o conflito com o Irã antes do esperado. A expectativa ajudou a derrubar o preço do petróleo e trouxe algum alívio para os juros globais.
Mesmo assim, o ambiente ainda é considerado instável, e o mercado segue atento ao desenrolar das notícias internacionais e ao impacto nos ativos brasileiros.
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Veja as taxas do tesouro direto da terça-feira (10)
De acordo com os dados divulgados pela plataforma do Tesouro Direto por volta das 9h29, os títulos apresentavam o seguinte rendimento anual:
Títulos pós-fixados
Tesouro Selic 2031
Rendimento: Selic + 0,0982%
Vencimento: 01/03/2031
Esse título é considerado o mais conservador da plataforma, pois acompanha a taxa básica de juros definida pelo Banco Central.
Títulos prefixados
Os papéis prefixados tiveram comportamento misto na manhã desta terça.
Tesouro Prefixado 2029
Rendimento: 13,20% ao ano
Vencimento: 01/01/2029
Tesouro Prefixado 2032
Rendimento: 13,69% ao ano
Vencimento: 01/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037
Rendimento: 13,81% ao ano
Vencimento: 01/01/2037
Nos títulos prefixados, o investidor já sabe exatamente qual será a taxa de retorno anual se permanecer com o papel até o vencimento.
Títulos atrelados à inflação (IPCA+)
Entre os papéis indexados à inflação, o movimento foi de queda nas taxas em praticamente toda a curva.
Tesouro IPCA+ 2032
Rendimento: IPCA + 7,63% ao ano
Vencimento: 15/08/2032
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037
Rendimento: IPCA + 7,43% ao ano
Vencimento: 15/05/2037
Tesouro IPCA+ 2040
Rendimento: IPCA + 7,16% ao ano
Vencimento: 15/08/2040
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045
Rendimento: IPCA + 7,14% ao ano
Vencimento: 15/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050
Rendimento: IPCA + 6,83% ao ano
Vencimento: 15/08/2050
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060
Rendimento: IPCA + 7,04% ao ano
Vencimento: 15/08/2060
Esses títulos são muito utilizados por investidores que buscam proteção contra a inflação, pois garantem uma rentabilidade real acima da variação do IPCA.
O que aconteceu no mercado na segunda-feira
A sessão de segunda-feira foi marcada por forte volatilidade nos mercados globais. Durante boa parte do dia, os juros dos títulos públicos brasileiros abriram em alta significativa, refletindo o aumento das tensões no Oriente Médio.
O estresse foi tão intenso que a própria plataforma do Tesouro Direto chegou a suspender temporariamente as negociações — um mecanismo comum quando há oscilações muito bruscas nas taxas.
O cenário começou a mudar no fim da tarde, quando investidores passaram a interpretar que o conflito poderia não se prolongar tanto quanto inicialmente previsto.
Petróleo em queda ajudou a aliviar os juros
Outro fator importante para a melhora do mercado foi a queda expressiva do petróleo.
O barril do tipo Brent chegou a se aproximar de US$ 120 durante a escalada das tensões, mas recuou para cerca de US$ 90,67 na manhã desta terça-feira.
Essa queda sinaliza que os operadores passaram a apostar em um impacto mais curto sobre o comércio global de energia — algo que reduz as pressões inflacionárias e, consequentemente, os juros.
Ainda assim, o noticiário segue volátil. O secretário de Defesa dos Estados Unidos afirmou que esta terça poderia ser o “dia mais intenso de ataques”, o que mantém investidores em estado de cautela.
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Por que as taxas do tesouro direto mudam todos os dias
As taxas dos títulos públicos variam diariamente porque refletem as expectativas do mercado sobre diversos fatores econômicos, entre eles:
Política monetária
As decisões do Banco Central sobre a taxa Selic influenciam diretamente o rendimento dos títulos públicos.
Inflação futura
Expectativas de inflação mais alta tendem a elevar as taxas dos papéis indexados ao IPCA.
Cenário internacional
Conflitos geopolíticos, mudanças nas taxas de juros dos Estados Unidos e oscilações em commodities — como petróleo — também impactam o mercado brasileiro.
Percepção de risco fiscal
Quanto maior a preocupação com as contas públicas do país, maior tende a ser o retorno exigido pelos investidores.
Vale a pena investir no tesouro direto agora?
Mesmo com oscilações no curto prazo, o Tesouro Direto segue sendo uma das principais portas de entrada para investidores brasileiros no mercado financeiro.
Criado pelo Tesouro Nacional em parceria com a B3, o programa permite investir em títulos públicos com valores a partir de cerca de R$ 30.
Em momentos de volatilidade, muitos especialistas consideram que podem surgir boas oportunidades de travar taxas mais altas — principalmente em títulos de longo prazo.
No entanto, o investidor deve sempre alinhar a escolha do título com seus objetivos financeiros, horizonte de investimento e tolerância a oscilações de preço.
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