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Testes do split payment começam em 2026, mas ferramenta terá estreia adiada

Receita inicia testes do split payment em 2026, mas sistema será implantado gradualmente. Entenda como funcionará a nova cobrança de tributos.

Bruna MachadoPor Bruna Machado7 min de leitura
split payment.

A Receita Federal confirmou que começará ainda em 2026 os testes internos do split payment, uma das principais ferramentas previstas pela Reforma Tributária sobre o consumo. Apesar desse avanço, o órgão informou que o sistema não estará totalmente pronto quando o novo modelo tributário começar a valer, em janeiro de 2027.

A informação é importante porque o split payment será responsável por mudar profundamente a forma como os tributos serão recolhidos no Brasil. Em vez de as empresas pagarem os impostos posteriormente, parte do valor será separada automaticamente no momento do pagamento da compra.

Na prática, isso representa uma transformação na arrecadação de impostos, na gestão financeira das empresas e até no aproveitamento de créditos tributários. Neste artigo, você entenderá como o sistema funcionará, por que sua implantação será gradual e quais os impactos esperados para empresas e consumidores.

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O que é o split payment?

Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

O split payment — expressão em inglês que significa “pagamento dividido” — é um mecanismo criado para automatizar o recolhimento dos novos tributos instituídos pela Reforma Tributária.

Sempre que uma venda for paga, o sistema fará automaticamente a separação da parcela destinada aos impostos.

Na prática, o dinheiro seguirá caminhos diferentes:

  • uma parte será enviada diretamente ao fornecedor;
  • outra será transferida automaticamente ao Fisco para pagamento dos tributos.

O objetivo é tornar o processo mais seguro, reduzir erros e evitar atrasos no recolhimento dos impostos.

Como funcionará o pagamento dividido?

O funcionamento será praticamente invisível para quem realiza a compra.

Imagine que uma empresa venda um produto por R$ 1.000.

Quando o cliente efetuar o pagamento, o sistema poderá fazer automaticamente a divisão do valor:

  • parte correspondente ao IBS e à CBS será enviada diretamente aos órgãos arrecadadores;
  • o restante seguirá para a conta da empresa.

Tudo isso deverá ocorrer no mesmo momento em que a operação financeira for concluída.

O comprador continuará pagando apenas um valor, sem precisar realizar qualquer procedimento adicional.

Quais tributos serão recolhidos automaticamente?

O split payment foi desenvolvido para operar com os novos tributos criados pela Reforma Tributária:

IBS (Imposto sobre Bens e Serviços)

O IBS substituirá diversos impostos estaduais e municipais, como ICMS e ISS.

Será administrado pelo Comitê Gestor do IBS.

CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços)

A CBS substituirá tributos federais como PIS e Cofins.

Sua arrecadação continuará sob responsabilidade da Receita Federal.

O pagamento dividido permitirá que ambos sejam recolhidos automaticamente durante a liquidação financeira da operação.

Por que o governo decidiu criar esse sistema?

O modelo atual apresenta diversos desafios.

Hoje, o imposto normalmente é recolhido depois da venda. Isso pode gerar:

  • inadimplência;
  • sonegação fiscal;
  • divergências nas informações;
  • demora no reconhecimento dos créditos tributários;
  • aumento da burocracia.

Com o split payment, o tributo será recolhido imediatamente.

Segundo a Receita Federal, essa mudança aumenta a segurança do sistema tributário e reduz oportunidades para fraudes.

Por que o sistema não ficará pronto em janeiro de 2027?

Embora a legislação preveja o início da CBS em janeiro de 2027, a Receita Federal reconheceu que o desenvolvimento tecnológico do split payment exige um cronograma mais longo.

Isso acontece porque a ferramenta precisa integrar sistemas de diversos participantes do mercado financeiro e da administração pública.

Entre eles estão:

  • bancos;
  • fintechs;
  • instituições de pagamento;
  • adquirentes de cartões;
  • empresas de tecnologia;
  • Receita Federal;
  • Comitê Gestor do IBS.

Cada participante deverá adaptar seus sistemas para permitir o processamento automático das operações.

Por esse motivo, a implantação será gradual.

O que acontecerá durante os testes de 2026?

Os testes internos previstos para este ano servirão para validar o funcionamento da plataforma antes da participação das empresas.

Entre os objetivos estão:

  • verificar a estabilidade do sistema;
  • identificar falhas técnicas;
  • testar integrações;
  • avaliar a segurança das operações;
  • preparar a infraestrutura tecnológica.

Essa etapa permitirá que ajustes sejam feitos antes da ampliação do uso do sistema.

Por que a integração com Pix, cartões e boletos é tão importante?

Um dos maiores desafios técnicos será integrar o split payment aos principais meios de pagamento utilizados no Brasil.

Isso inclui operações realizadas por:

  • Pix;
  • cartões de crédito;
  • cartões de débito;
  • boletos bancários;
  • transferências eletrônicas;
  • outros meios digitais.

Independentemente da forma de pagamento escolhida pelo comprador, o sistema deverá identificar automaticamente quanto corresponde aos tributos e realizar a divisão do valor em tempo real.

Esse processamento exige alta capacidade tecnológica, já que milhões de transações ocorrem diariamente no país.

Como o split payment pode beneficiar as empresas?

Embora a adaptação inicial exija investimentos em tecnologia e revisão de processos internos, a expectativa é que o modelo traga vantagens importantes.

Entre elas:

Maior segurança no crédito tributário

Hoje, muitas empresas dependem do correto recolhimento do imposto pelo fornecedor para utilizar créditos fiscais.

Com o pagamento automático, essa etapa tende a se tornar mais segura.

Redução da burocracia

A automatização poderá diminuir parte das conferências e controles atualmente necessários.

Menor risco de autuações

Como o recolhimento ocorrerá automaticamente, a possibilidade de erros relacionados ao pagamento dos tributos tende a diminuir.

Mais transparência

A separação automática dos valores facilita a rastreabilidade das operações.

Haverá impactos no fluxo de caixa?

Sim.

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Como parte do valor da venda deixará de passar pela conta da empresa, será necessário adaptar controles financeiros e projeções de caixa.

Empresas que hoje utilizam temporariamente recursos destinados aos tributos precisarão reorganizar sua gestão financeira.

Por isso, especialistas recomendam iniciar o planejamento antes mesmo da obrigatoriedade do sistema.

Como as empresas podem começar a se preparar?

Mesmo com a implantação gradual, a preparação antecipada pode reduzir custos futuros.

As principais recomendações incluem:

  • revisar processos fiscais;
  • atualizar sistemas ERP e softwares de gestão;
  • conversar com fornecedores de tecnologia;
  • acompanhar as regulamentações da Receita Federal;
  • monitorar publicações do Comitê Gestor do IBS;
  • capacitar equipes financeiras e tributárias.

Quanto antes a adaptação começar, menor tende a ser o impacto durante a transição.

O consumidor perceberá alguma mudança?

Para a maioria dos consumidores, a experiência de compra deve permanecer praticamente igual.

O pagamento continuará sendo realizado normalmente por Pix, cartão ou boleto.

A principal diferença ocorrerá nos bastidores, com a separação automática da parcela destinada aos tributos.

Ou seja, quem compra um produto ou serviço dificilmente precisará fazer qualquer procedimento diferente.

O que esperar nos próximos anos?

A implementação do split payment faz parte do período de transição da Reforma Tributária.

Nos primeiros anos, novas funcionalidades deverão ser incorporadas gradualmente.

A expectativa do governo é que, após a consolidação do sistema, o país tenha um modelo de arrecadação mais automatizado, com menor índice de sonegação, maior segurança jurídica e simplificação no aproveitamento de créditos tributários.

Até lá, empresas, instituições financeiras e órgãos públicos continuarão ajustando seus sistemas para garantir que a transição ocorra com o menor impacto possível.

Conclusão

Os testes internos do split payment marcam mais uma etapa importante da implementação da Reforma Tributária. Embora o mecanismo comece a ser testado em 2026, a Receita Federal já confirmou que a solução tecnológica será implantada de forma gradual e não estará totalmente operacional em janeiro de 2027.

Para as empresas, o momento é de preparação. Revisar processos, acompanhar a regulamentação e investir na atualização dos sistemas pode facilitar a adaptação ao novo modelo. Já para os consumidores, a expectativa é que a mudança aconteça nos bastidores, tornando a arrecadação mais eficiente sem alterar significativamente a experiência de pagamento.

Perguntas frequentes

split payment
Imagem gerada por IA/Seu Crédito Digital

O que é o split payment?

É um mecanismo que separa automaticamente o valor dos tributos durante o pagamento de uma compra, enviando essa parcela diretamente ao Fisco.

O split payment começará a funcionar em janeiro de 2027?

O novo modelo tributário começa nessa data, mas a Receita Federal informou que o sistema completo será implementado gradualmente.

Quais tributos serão recolhidos pelo split payment?

O mecanismo foi desenvolvido para o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), criados pela Reforma Tributária.

O consumidor precisará fazer algo diferente?

Não. A mudança ocorrerá internamente no processamento do pagamento, sem alterar a forma como o consumidor realiza suas compras.

As empresas já devem começar a se preparar?

Sim. A recomendação é revisar processos fiscais, atualizar sistemas e acompanhar as regulamentações da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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