A questão da isenção de Imposto de Renda para pessoas com doenças graves tem gerado debates intensos nos últimos meses. Inicialmente, o governo federal, por meio do Ministério da Fazenda, chegou a estudar a implementação de um teto para essa isenção, o que afetaria a dedução para pessoas com rendimentos mais altos.
Fazenda não vai mais criar teto de isenção de Imposto de Renda para doença grave
Governo federal desiste de criar teto para isenção de Imposto de Renda para pessoas com doenças graves após resistência da Unafisco. Entenda o que mudou.
No entanto, após uma série de discussões e pressões, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou a retirada da proposta de criação de um teto para a isenção do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) para pessoas com moléstias graves.
Neste artigo, vamos explicar o que motivou essa mudança, os impactos da decisão e o que isso significa para os contribuintes que sofrem com doenças graves.
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O Contexto da Proposta

O Anúncio Inicial e o Pacote de Corte de Gastos
Em novembro de 2024, o Ministério da Fazenda anunciou um pacote de corte de gastos que incluía uma série de medidas fiscais, uma das quais envolvia a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para aqueles que ganham até R$ 5 mil.
Além disso, dentro desse pacote, a pasta estudava a criação de um teto para a isenção de Imposto de Renda em casos de pessoas com doenças graves, com a proposta de limitar esse benefício para quem tivesse rendimentos de até R$ 20 mil por mês.
Essa proposta foi recebida com certo apoio por parte do governo, pois visava equilibrar as finanças públicas diante da necessidade de ajuste fiscal. O objetivo era arrecadar mais com as pessoas que tivessem uma maior capacidade contributiva, como forma de financiar outras isenções e benefícios, incluindo a ampliação da isenção de IR para a faixa de até R$ 5 mil.
A Reação da Sociedade e da Unafisco
A medida, no entanto, enfrentou forte resistência de diversos setores da sociedade, especialmente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco). A entidade se posicionou contra a proposta, alegando que a limitação da isenção para pessoas com doenças graves seria inconstitucional.
De acordo com a Unafisco, a isenção de IR para doenças graves deveria ser garantida para todos os cidadãos, independentemente de sua faixa de renda, como uma forma de assegurar os direitos dessas pessoas, que já enfrentam dificuldades decorrentes de sua condição de saúde.
Em resposta, a Unafisco ameaçou levar a questão ao Supremo Tribunal Federal (STF), caso a medida fosse formalizada em projeto de lei. Isso gerou ainda mais pressão para que o governo reconsiderasse sua posição.
A Decisão do Governo: A Retirada da Proposta

A Declaração do Ministério da Fazenda
Após um período de discussões internas e externas, o Ministério da Fazenda, por determinação do presidente Lula, anunciou a desistência de criar um teto para a isenção de Imposto de Renda em casos de doenças graves. A decisão foi comunicada em uma nota oficial divulgada pela assessoria do ministério, que afirmou:
“A Fazenda não enviou e não vai enviar proposta sobre teto de isenção para moléstia grave. A medida chegou a ser estudada, mas acabou sendo retirada das discussões a pedido do presidente Lula. Devido a esse e outros ajustes, o projeto de lei ainda não foi encaminhado para a Câmara”.
Essa mudança de posicionamento foi uma vitória para aqueles que defendem que a isenção do Imposto de Renda deve ser garantida sem restrições para as pessoas que enfrentam doenças graves, independentemente de sua capacidade financeira.
O Impacto para os Contribuintes com Doenças Graves
Para as pessoas que vivem com doenças graves, essa decisão representa uma continuidade do benefício de isenção de IR que já era garantido.
A proposta inicial de criar um teto de isenção para pessoas com doenças graves causava preocupações, pois poderia prejudicar muitas dessas pessoas, especialmente aquelas que, embora com uma condição de saúde debilitante, ainda possuam rendimentos mais elevados que os limites propostos.
Com a retirada dessa proposta, a isenção de IR continuará a ser aplicada sem limitações de renda, o que significa que todos os contribuintes que se enquadram nas condições de saúde específicas ainda poderão se beneficiar do benefício.
O Pacote de Reformas Fiscais e a Ampliação da Isenção de IR
Ampliação da Faixa de Isenção para R$ 5 Mil
Além da questão da isenção para doenças graves, o governo também anunciou um pacote de medidas fiscais que incluiu a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. A partir de 2024, a isenção foi ampliada para aqueles que ganham até R$ 5 mil por mês, o que representa uma melhora significativa para as classes mais baixas da população.
Com isso, cerca de 13 milhões de pessoas devem ser beneficiadas pela medida, que visa aliviar a carga tributária para quem possui rendimentos mais baixos. Essa mudança faz parte de uma série de ajustes destinados a promover maior justiça fiscal no país, sem prejudicar aqueles que mais precisam de apoio.
Dedução de Despesas Médicas
Outra questão que foi mantida sem alterações foi a dedução de 100% das despesas médicas na declaração de Imposto de Renda.
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Isso significa que, independentemente do valor das despesas, o contribuinte com doenças graves pode deduzir integralmente os gastos com tratamentos médicos, consultas, exames e até internações.
Essa medida busca aliviar o impacto financeiro de pessoas com doenças graves, permitindo que elas destinem mais recursos ao tratamento de sua saúde.
O Papel da Unafisco e os Aspectos Constitucionais

O Argumento da Unafisco
A Unafisco, associação que representa os auditores fiscais da Receita Federal, argumentou que a isenção de Imposto de Renda para pessoas com doenças graves não pode ser restrita com base na renda, pois isso violaria os princípios constitucionais de igualdade e justiça social.
A entidade defende que todos os cidadãos com enfermidades graves devem ser igualmente beneficiados pela isenção, sem distinção de sua capacidade de contribuição.
A retirada da proposta de teto para a isenção é vista como uma vitória para a Unafisco e outras entidades que defendem que a isenção deve ser tratada como um direito constitucional, especialmente para aqueles que enfrentam desafios relacionados à saúde.
A Questão Constitucional
A proposta inicial de limitar a isenção para pessoas com doenças graves poderia ser considerada uma violação do princípio da isonomia, que estabelece que todos devem ser tratados de forma igual perante a lei.
Dessa forma, restringir o benefício a uma parcela da população com base no rendimento poderia ser interpretado como uma discriminação, o que levou à resistência da Unafisco e outras entidades.
Considerações finais
A decisão do governo federal de retirar a proposta de teto para a isenção de Imposto de Renda para pessoas com doenças graves é uma medida que respeita os direitos dessas pessoas e garante que todas elas, independentemente de sua capacidade financeira, possam continuar a ser beneficiadas pela isenção.
Ao mesmo tempo, o pacote de reformas fiscais, que inclui a ampliação da faixa de isenção para rendimentos mais baixos e a manutenção das deduções médicas, visa promover maior justiça fiscal e aliviar a carga tributária para a população brasileira.
Essa mudança mostra a importância da participação das entidades representativas e da sociedade civil no processo de elaboração de políticas públicas, especialmente quando se trata de garantir direitos fundamentais e evitar injustiças fiscais.
O governo, ao revisar a proposta, demonstra sensibilidade para com as necessidades da população mais vulnerável, especialmente aqueles que enfrentam as dificuldades de viver com doenças graves.
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