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Brasil atinge 2,2 milhões de trabalhadores por aplicativos; veja quanto eles ganham em média

Número de trabalhadores por aplicativos no Brasil atinge 2,2 milhões. Estudo revela ganhos médios, jornada e falta de proteção previdenciária.

Helena SerpaPor Helena Serpa4 min de leitura
Entregadores

O Brasil ultrapassou a marca de 2,2 milhões de trabalhadores atuando como motoristas e entregadores por meio de aplicativos. O dado, revelado por um estudo recente do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), escancara o peso crescente desse tipo de trabalho na economia nacional.

Crescimento acelerado da força de trabalho digital

motoristas app trabalhadores
Imagem: Freepik / Reprodução

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Aumento significativo de motoristas e entregadores

De acordo com a pesquisa, houve um aumento expressivo no número de trabalhadores em relação a 2022. O total de motoristas cresceu 35%, enquanto o número de entregadores avançou 18% no mesmo período. O levantamento indica que essa modalidade de trabalho não só permanece em ascensão, como se consolida como uma das principais fontes de renda em diversas cidades brasileiras.

Perfil e escolaridade predominante

A maior parte dos trabalhadores por aplicativo possui ensino médio completo, sendo esta a escolaridade mais frequente entre os entrevistados. Isso reflete a acessibilidade da atividade, que exige baixo investimento inicial e pouca formalização para começar.

Renda média dos trabalhadores de aplicativos

Quanto ganham motoristas de app

O estudo aponta que:

CategoriaRenda média mensal (R$)
Motoristas de app3.083 a 4.400
Entregadores2.669 a 3.581
Ensino médio (IBGE)2.392
Salário mínimo (2024)1.412

Jornada de trabalho: flexibilidade com limites

Carga horária semanal

Os motoristas de aplicativos atuam, em média, entre 19 e 27 horas por semana, enquanto os entregadores trabalham de 9 a 13 horas semanais. Isso demonstra que muitos veem o trabalho como atividade complementar, ainda que para outros represente a principal ou única fonte de renda.

Autonomia e flexibilidade: benefícios citados

A autonomia para escolher horários e o controle sobre a rotina são apontados como fatores decisivos para a adesão à modalidade. Ainda assim, a instabilidade financeira e a ausência de benefícios garantidos pela legislação trabalhista seguem sendo grandes preocupações.

Desejo de continuar no setor, mesmo com riscos

Apesar das fragilidades do modelo, 80% dos motoristas e 75% dos entregadores afirmam que pretendem continuar trabalhando com aplicativos. Os principais motivos apontados são:

  • Remuneração atrativa em comparação com outras atividades de mesma qualificação;
  • Autonomia para escolher horários;
  • Consequência de demissão ou fim de contrato em empregos anteriores.

Guerra do delivery: disputa bilionária entre plataformas

Mercado em expansão e concorrência acirrada

O setor de delivery, que inclui empresas como iFood, Rappi e Uber Eats (esta última com presença reduzida nos últimos anos), está no centro de uma disputa bilionária por participação de mercado. O número crescente de entregadores reflete também a alta demanda dos consumidores por conveniência e velocidade na entrega.

Estratégias das empresas

As plataformas têm investido em:

  • Redução de prazos de entrega;
  • Programas de fidelidade para consumidores e entregadores;
  • Expansão de mercados locais e regionais.

No entanto, essas estratégias muitas vezes impactam diretamente a remuneração dos trabalhadores, que enfrentam cortes em repasses e aumento de metas para bonificações.

Debate político e regulamentação

INSS
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

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CPMI do INSS mira trabalhadores por app?

Paralelamente ao crescimento da categoria, o Congresso Nacional avança com discussões sobre a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, voltada à apuração de irregularidades na Previdência Social.

Propostas em tramitação

Tramitam no Congresso diferentes projetos que buscam:

  • Garantir direitos trabalhistas mínimos para trabalhadores de apps;
  • Criar categorias intermediárias entre trabalhador autônomo e empregado formal;
  • Obrigar as plataformas a contribuir para a Previdência em nome de seus prestadores de serviço.

FAQ – Perguntas frequentes

Quantos trabalhadores por aplicativo existem no Brasil?
Segundo o Cebrap, são 2,2 milhões de pessoas atuando como motoristas e entregadores.

Qual é a renda média desses trabalhadores?
Motoristas ganham entre R$ 3.083 e R$ 4.400 por mês, enquanto entregadores recebem entre R$ 2.669 e R$ 3.581.

Eles contribuem com a Previdência Social?
Apenas cerca de 53% dos motoristas e 57% dos entregadores têm algum tipo de contribuição ao INSS.

Considerações finais

A consolidação dos trabalhadores por aplicativo como uma parcela expressiva da força de trabalho brasileira exige respostas do Estado e das empresas. Sem uma regulação clara, os riscos de precarização se ampliam, ainda que os ganhos financeiros e a flexibilidade atraiam cada vez mais pessoas para o setor.

É fundamental acompanhar o desdobramento das propostas legislativas e as ações de fiscalização, para garantir que o crescimento dessa modalidade ocorra sem aprofundar desigualdades ou excluir milhões de trabalhadores da proteção social.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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