Nova lei muda tudo: saiba como fica o trabalho em feriados e domingos a partir de julho
O trabalho em feriados e domingos no Brasil ganhará novas regras a partir de julho de 2025, com impactos diretos para trabalhadores e empresas de diversos setores. A mudança vem da Portaria nº 3.665/2023, publicada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, que redefine como deve ser feita a autorização para funcionamento em datas tradicionalmente destinadas ao descanso.
Essa nova diretriz exige que empregadores realizem acordos coletivos com os sindicatos antes de colocar funcionários para trabalhar nesses dias. A medida busca proteger os direitos trabalhistas e garantir que as empresas ofereçam compensações justas, mantendo o equilíbrio entre produtividade e bem-estar dos trabalhadores.

LEIA MAIS:
- Feriados de 2025: dicas para usar esses dias para lazer e equilíbrio emocional
- Feriados que não caem em finais de semana: veja quais são os próximos
- Quinto dia útil de junho 2025: saiba quando cai o salário e o impacto dos feriados
Trabalhos on domingo e feriados: Entenda o que muda com a nova portaria
A obrigatoriedade de negociação sindical
A principal mudança trazida pela nova regra é a obrigatoriedade de uma negociação formal com os sindicatos. As empresas não poderão mais decidir unilateralmente sobre o trabalho em feriados e domingos, sendo necessário estabelecer acordos coletivos que definam:
- Jornada de trabalho específica;
- Escalas de folga;
- Formas de compensação, como pagamento em dobro ou folgas;
- Benefícios adicionais, se houver.
Documentação rigorosa
Os acordos precisam ser documentados, registrados e validados pelo sindicato da categoria. A formalização deve ocorrer antes do funcionamento em datas especiais e precisa ser clara sobre os direitos e deveres de ambas as partes.
Flexibilidade, mas com regras
A nova legislação não impede o funcionamento de setores que tradicionalmente operam aos domingos e feriados, como comércio, hotelaria e serviços. No entanto, condiciona essa operação ao cumprimento das normas acordadas com os sindicatos, o que torna o processo mais transparente e equilibrado.
Impacto direto em setores que dependem de datas especiais
Comércio e varejo na linha de frente
O setor de comércio será um dos mais impactados, especialmente em períodos de grande movimentação como:
- Natal;
- Black Friday;
- Feriados prolongados;
- Datas comemorativas regionais.
As empresas precisarão organizar suas escalas com antecedência e garantir que os funcionários recebam os benefícios definidos, evitando sanções trabalhistas.
Serviços e turismo também são afetados
Restaurantes, hotéis, bares e empresas de eventos dependem fortemente do funcionamento em feriados. Com a nova portaria, esses estabelecimentos terão que incluir nas negociações pontos como:
- Intervalos estendidos;
- Transporte para funcionários em horários alternativos;
- Possíveis bonificações para estimular a adesão dos trabalhadores às escalas especiais.
Como ficam as compensações e benefícios?
Manutenção dos direitos já existentes
A nova regra não altera a base legal do pagamento em dobro, prevista na Lei 10.101/2000. Isso significa que:
- Quem trabalhar em feriados deve receber pagamento em dobro;
- Caso prefira, pode ter uma folga compensatória, desde que isso esteja no acordo coletivo.
Possibilidade de benefícios adicionais
Além da compensação financeira, os acordos poderão prever vantagens como:
- Vale-transporte especial;
- Alimentação diferenciada;
- Bônus por produtividade;
- Horários de descanso mais flexíveis.
Prazo de adaptação e planejamento estratégico
Período de transição até julho de 2025
Empresas têm até julho de 2025 para se adaptar. Esse período é essencial para:
- Mapear a necessidade de funcionamento em feriados;
- Avaliar custos operacionais sob as novas regras;
- Iniciar contato com sindicatos para estabelecer as condições de trabalho.
Passos fundamentais para as empresas
- Diagnóstico interno: levantamento das operações afetadas;
- Consultoria trabalhista: orientação para garantir conformidade;
- Negociação com sindicatos: discutir escalas, compensações e condições;
- Formalização: registro dos acordos antes do funcionamento nas datas especiais.
O papel dos sindicatos ganha força
Mediação e fiscalização
Com a nova portaria, os sindicatos passam a exercer um papel mais ativo e central na definição das regras para o trabalho em feriados e domingos. Eles serão responsáveis por:
- Avaliar e aprovar os acordos coletivos;
- Garantir que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados;
- Mediar conflitos e fiscalizar o cumprimento dos termos acordados.
Benefícios da participação sindical
- Redução de abusos trabalhistas;
- Maior segurança jurídica para as empresas;
- Condições de trabalho mais justas e transparentes.
As regras tradicionais seguem válidas
O que permanece inalterado?
- O comércio pode continuar funcionando em feriados, desde que com acordo coletivo.
- A distinção entre trabalho em domingos e feriados permanece, com regras específicas para cada situação.
- A obrigação de pagamento em dobro ou concessão de folga continua válida.
Complemento às leis existentes
A portaria não revoga leis anteriores, como a Lei 10.101/2000, mas acrescenta um novo requisito: a obrigatoriedade de acordo coletivo prévio, fortalecendo a proteção dos trabalhadores.
Desafios e soluções para pequenas empresas
Dificuldades iniciais
Empresas de pequeno porte podem encontrar desafios, como:
- Falta de estrutura para negociações;
- Desconhecimento dos procedimentos sindicais;
- Custos adicionais para formalização dos acordos.
Apoio de associações e consultorias
Para superar esses desafios, as empresas podem:
- Buscar apoio em associações comerciais locais;
- Contratar consultorias jurídicas especializadas;
- Participar de treinamentos oferecidos por entidades sindicais e empresariais.
Benefícios para os trabalhadores são destaque
Fortalecimento da representatividade
A obrigatoriedade dos acordos coletivos garante que os trabalhadores tenham mais voz e influência sobre suas condições de trabalho.
Condições mais claras e equilibradas
Os acordos proporcionam:
- Transparência nas escalas;
- Definição clara de folgas, pagamentos e benefícios;
- Redução de conflitos e insatisfações.
A importância do planejamento antecipado
Para as empresas
Empresas devem:
- Mapear os principais feriados que impactam suas operações;
- Antecipar as negociações para evitar correrias e sanções;
- Preparar seus gestores para lidar com os sindicatos de forma eficiente.
Para os trabalhadores
Trabalhadores devem:
- Buscar informações junto aos sindicatos;
- Acompanhar as negociações para garantir seus direitos;
- Denunciar práticas abusivas, se ocorrerem.
Regionalização torna negociações mais específicas
Adaptação conforme a localidade
As negociações coletivas podem variar bastante, considerando:
- Feriados estaduais ou municipais;
- Sazonalidade econômica de cada região;
- Realidade e demandas dos trabalhadores locais.
Movimentações já começaram em alguns estados
Estados como São Paulo, Minas Gerais e Bahia estão liderando as articulações para estabelecer modelos de acordos que sirvam como referência para suas regiões.
Próximos passos para quem emprega
Empresas que atuam em setores dependentes de funcionamento aos domingos e feriados devem:
- Iniciar imediatamente conversas com sindicatos;
- Avaliar se a operação nesses dias continua viável sob as novas regras;
- Adequar seus contratos de trabalho, escalas e políticas internas para refletir as exigências da portaria.
A nova regulamentação para o trabalho em feriados e domingos, válida a partir de julho de 2025, representa uma mudança significativa nas relações de trabalho no Brasil. A exigência de acordos coletivos reforça o protagonismo dos sindicatos, amplia a proteção dos trabalhadores e obriga as empresas a serem mais organizadas e transparentes em suas operações.
Embora traga desafios, especialmente para pequenas empresas, a portaria também cria oportunidades de construir ambientes de trabalho mais justos, colaborativos e produtivos. O sucesso desta transição dependerá da disposição de empregadores e trabalhadores em dialogar e encontrar soluções equilibradas.
Portanto, quem ainda não iniciou esse processo, deve agir o quanto antes para garantir que, quando julho de 2025 chegar, sua operação esteja em total conformidade com a legislação e, acima de tudo, em harmonia com seus colaboradores.
