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Tráfico impõe serviços clandestinos de internet e expulsa empresas legalizadas

Facções criminosas expandem domínio ao controlarem provedores de internet, cobrando taxas e ameaçando empresas no Rio, Ceará e Pará.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa5 min de leitura
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A atuação das facções criminosas no Brasil tem ultrapassado os limites do tráfico de drogas e da pirataria de sinal televisivo, conhecida popularmente como gatonet. Agora, o novo foco das organizações é o setor de telecomunicações, mais especificamente os provedores de internet. Nos últimos meses, pequenas e médias empresas do ramo têm enfrentado ameaças, incêndios criminosos e sabotagens em diversos estados do país.

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A realidade nas comunidades: o caso de Arnaldo

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Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O controle silencioso

Arnaldo, morador da região metropolitana do Rio de Janeiro, relata que a tomada do serviço de internet pela facção de sua comunidade ocorreu de forma lenta, mas devastadora. “Cortaram a única internet que era ‘liberada’ aqui. Não avisaram, e até o comércio foi prejudicado”, contou ele com exclusividade ao TecMundo.

A nova ordem

Com a retirada da empresa legal que prestava o serviço, a comunidade ficou por semanas sem acesso à internet. Quando o serviço retornou, era sob nova administração: a do tráfico. Segundo Arnaldo, o valor da mensalidade subiu cerca de R$ 100, e a qualidade caiu. “Antes, eu tinha um pacote melhor. Agora são só 300 mega, pagando mais caro.”

Pagamento facilitado e monitorado

O novo “serviço” aceita pagamento por Pix, boleto ou em espécie, diretamente em unidades instaladas dentro da comunidade. Quem opta por pagar adiantado e presencialmente recebe descontos — um indício da tentativa de profissionalização e fidelização dos clientes.

Crescimento da atuação criminosa

Expansão geográfica

Reportagem exibida pelo programa Fantástico em março revelou que a prática tem crescido especialmente nos estados do Rio de Janeiro, Ceará e Pará. O crime organizado atua cobrando pedágio das empresas legalizadas ou as expulsando das comunidades. Em muitos casos, as facções impõem a contratação de seus próprios serviços ilegais.

Investigação em curso

A Polícia Civil do Rio já abriu mais de 120 investigações relacionadas a esse tipo de crime. As denúncias envolvem extorsão, incêndio de veículos e até disparos contra sedes de empresas.

Casos em outros estados

  • Pará: Empresas tiveram veículos incendiados em Belém.
  • Ceará: Facções como o Comando Vermelho dispararam contra escritórios e forçaram o fechamento de operadoras.
  • Rio de Janeiro: A Claro teve dificuldades em operar em bairros como Estácio e Olaria.

A nova “boca de fumo”

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Imagem: Ground Picture / shutterstock.com

Delegado faz analogia com o tráfico

O delegado Pedro Brasil definiu a situação com uma frase simbólica: “A internet é a nova boca de fumo”. Isso porque o domínio das facções sobre a rede permite, além da arrecadação, uma série de atividades ilícitas como golpes digitais, espionagem e disseminação de malwares.

Profissionalização da estrutura criminosa

As quadrilhas contam com ex-funcionários de empresas regulares que instalam redes clandestinas com equipamentos muitas vezes melhores do que os utilizados por operadoras legalizadas. A comunicação com os clientes é feita por aplicativos como o WhatsApp.

Atendimento e cobrança

Em algumas comunidades, há até balcões de atendimento, funcionando de forma similar a uma empresa formal — mas com um agravante: o risco iminente à segurança dos moradores e a completa ausência de fiscalização governamental.

O impacto econômico e a ameaça à segurança nacional

Perdas milionárias

Só no Ceará, os prejuízos acumulados pelas empresas legais ultrapassam R$ 1 milhão. Estima-se que mais de R$ 500 mil tenham sido necessários para a reconstrução da infraestrutura e reconquista dos clientes após os ataques.

Extorsão sistemática

O Comando Vermelho exige das empresas uma taxa de até 50% do valor cobrado dos clientes para permitir a atuação. Algumas companhias não suportam a pressão e encerram as atividades, como já ocorreu no estado nordestino.

Preocupação do setor

Mauricelio Oliveira, presidente da Abrint (Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações), declarou que há risco real de expansão nacional do problema. “Estamos falando de segurança nacional”, alertou.

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A resposta (ou falta dela) das autoridades

Anatel e polícias

A Anatel afirma colaborar com órgãos de segurança, mas ainda não anunciou medidas específicas ou ações planejadas para combater a atuação das facções no setor de telecomunicações.

Operações pontuais

No Ceará, a Operação Strike resultou na prisão de 17 suspeitos, cinco dos quais eram donos de empresas clandestinas. Um técnico especializado auxiliava os criminosos com a montagem da infraestrutura ilegal.

Situação no Rio de Janeiro

A Secretaria de Segurança Pública do estado afirma ter mapeado áreas de atuação das facções, mas não apresentou soluções concretas. Enquanto isso, moradores como Arnaldo relatam que “o Estado está preocupado com outras coisas”.

O que está em jogo

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Imagem: Minerva Studio/ Shutterstock

Risco para a população

A população das áreas dominadas não tem outra opção a não ser aceitar o serviço ilegal. Sem alternativas viáveis, ficam reféns de preços abusivos, qualidade duvidosa e, pior, de um sistema que financia o crime organizado.

Falta de controle estatal

A escalada da violência digital escancara mais uma fronteira em que o Estado brasileiro perde o controle para o crime. Se não houver ação imediata e coordenada, a tendência é que mais regiões passem a viver sob o domínio digital das facções.

Conclusão

A crescente dominação de facções criminosas sobre o mercado de internet nas comunidades brasileiras revela um novo e alarmante capítulo da atuação do crime organizado. Além de prejudicar economicamente empresas legalizadas e colocar moradores sob ameaça constante, essa nova frente de controle compromete a segurança digital e o acesso à informação. Sem uma resposta urgente e eficaz do poder público, o risco de expansão desse modelo ilegal para outras regiões é real — e com ele, o enfraquecimento ainda maior do Estado frente ao poder paralelo.

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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