As investigações envolvendo o Banco Master e o esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) colocaram novamente o Brasil sob os holofotes internacionais quando o assunto é corrupção. Segundo a Transparência Internacional, os dois casos revelam fragilidades estruturais no sistema de controle e prevenção a ilícitos no país.
Fraudes no INSS e o caso Master ressaltam fragilidades do sistema brasileiro
Relatório da Transparência Internacional cita Banco Master e INSS e alerta para falhas de governança e avanço do crime organizado no Brasil.
Os episódios foram destacados no relatório Retrospectiva 2025, divulgado em fevereiro de 2026, que analisa os principais fatos que impactaram a integridade pública no Brasil ao longo do último ano.
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O que diz o relatório da Transparência Internacional
A publicação acompanha o Índice de Percepção da Corrupção (IPC), principal indicador global sobre o tema. Em 2025, o Brasil permaneceu na 107ª posição entre 182 países, com 35 pontos em uma escala de 0 a 100, repetindo a segunda pior nota de sua série histórica.
Segundo a entidade, o resultado reflete:
- Falhas persistentes de governança
- Baixa efetividade na prevenção de grandes fraudes
- Vulnerabilidade do Estado à infiltração do crime organizado
Casos do Banco Master e do INSS entram como exemplos críticos
O relatório cita duas operações de grande impacto realizadas em 2025.
Operação Sem Desconto e as fraudes no INSS
A chamada Operação Sem Desconto revelou o maior esquema previdenciário já identificado no país. Milhares de aposentados foram prejudicados por descontos irregulares em benefícios, evidenciando falhas de fiscalização e controle interno.
Para a Transparência Internacional, o caso mostra como sistemas frágeis afetam diretamente a população mais vulnerável, especialmente idosos que dependem exclusivamente da renda previdenciária.
Operação Compliance Zero e o Banco Master
Já a Operação Compliance Zero investigou o que é apontado como a maior fraude bancária da história brasileira. No caso do Banco Master, o relatório menciona:
- Contratos milionários com escritórios de advocacia ligados a autoridades públicas
- Suspeitas de conflito de interesses
- Possíveis interferências em investigações em curso
Procurada, a instituição financeira optou por não comentar as menções feitas no documento.
Captura do Estado e crescimento das emendas parlamentares
Outro ponto de destaque no relatório é o avanço do fenômeno chamado de “captura orçamentária”. Em 2026, as emendas parlamentares ultrapassaram R$ 60 bilhões, segundo dados do orçamento federal.
A ONG alerta que a falta de critérios claros e transparência na destinação desses recursos amplia riscos de uso político e enfraquece o controle social sobre os gastos públicos.
Avanços pontuais no enfrentamento à corrupção
Apesar do cenário negativo, a Transparência Internacional reconhece algumas iniciativas positivas.
Operação Carbono Oculto
Conduzida pela Receita Federal em parceria com o Ministério Público de São Paulo, a operação priorizou o uso de inteligência financeira para rastrear fluxos ilícitos de capital, sendo citada como exemplo de atuação moderna e eficaz.
Rejeição da “PEC da Blindagem”
A derrubada da proposta que limitava a responsabilização de autoridades públicas no Senado foi apontada como um sinal de mobilização institucional e social contra retrocessos no combate à corrupção.
Recomendações aos Três Poderes
No documento, a ONG apresentou sugestões específicas:
Ao Executivo
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- Maior transparência orçamentária
- Reforço das estruturas de controle e investigação
Ao Judiciário
- Criação de um código de conduta no Supremo Tribunal Federal
- Redistribuição do inquérito envolvendo o Banco Master
Ao Legislativo
- Regulamentação do lobby
- Aperfeiçoamento do Estatuto da Advocacia
- Criação de uma comissão parlamentar para investigar irregularidades no sistema bancário
CGU contesta uso do índice de percepção
Em nota oficial, a Controladoria-Geral da União (CGU) questionou o uso do IPC como medida direta da corrupção. Segundo o órgão, o índice reflete percepções de grupos específicos e pode variar sem relação direta com a atuação do Estado.
A CGU destacou que:
- O esquema do INSS foi identificado e interrompido pelo governo
- O ressarcimento aos aposentados já foi iniciado
- Medidas regulatórias estão sendo adotadas para evitar novas falhas
Para o órgão, o aumento de investigações e da transparência indica maior capacidade do Estado de enfrentar irregularidades, e não crescimento da corrupção em si.
Conclusão
Os casos envolvendo o Banco Master e o INSS reforçam a complexidade do combate à corrupção no Brasil. Embora existam avanços pontuais, o relatório da Transparência Internacional indica que o país ainda enfrenta desafios estruturais para proteger suas instituições e garantir o uso correto dos recursos públicos.
O debate entre sociedade civil e órgãos governamentais mostra que o enfrentamento do problema exige não apenas repressão, mas também prevenção, transparência e fortalecimento da governança.
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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
