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Trump confirma: CIA recebeu aval para agir com “operações letais” na Venezuela!

Trump admite ter autorizado ações secretas da CIA na Venezuela para combater narcotráfico e pressionar o regime de Maduro.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump confirmou nesta semana que autorizou ações clandestinas da Agência Central de Inteligência (CIA) em território venezuelano, ampliando os sinais de escalada na pressão sobre o regime de Nicolás Maduro. A revelação, feita inicialmente em reportagem do The New York Times e posteriormente confirmada pelo próprio Trump, representa um marco nas relações geopolíticas entre Washington e Caracas, ao mesmo tempo em que reacende temores sobre intervenções militares na América Latina.

As declarações ocorreram após relatos de bombardeios a embarcações supostamente envolvidas com o narcotráfico, e no mesmo período em que a Força Aérea dos EUA realizou exercícios com bombardeiros B-52H Stratofortress no Mar do Sul do Caribe. A movimentação gerou forte resposta de Maduro, que convocou exercícios militares em todo o país e acusou os EUA de prepararem uma incursão sob pretextos falsos.

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Autorização da CIA: ações letais e sigilosas em território estrangeiro

Trump confirma aval em coletiva na Casa Branca

Questionado por jornalistas no Salão Oval, Trump inicialmente evitou comentar se teria autorizado diretamente ações contra Maduro. Porém, após pressão, admitiu que deu o sinal verde à CIA para atuar na Venezuela:

“Eu autorizei por dois motivos, realmente. Número um: eles (Venezuela) esvaziaram suas prisões nos Estados Unidos. E as outras coisas são as drogas. Temos um monte de drogas entrando da Venezuela”, declarou o ex-presidente.

Trump não negou a possibilidade de ordenar ações letais em solo venezuelano, e chegou a dizer que “estamos pensando agora na terra, porque já temos bem sob controle o mar”. A fala foi interpretada como ameaça velada de incursão terrestre, o que eleva a tensão diplomática no continente.

Narcotráfico como justificativa: Cartel de Los Soles sob acusação direta

Maduro e o Cartel de Los Soles: foco da doutrina “America First”

Na visão de Trump e de setores do governo dos EUA, Nicolás Maduro não é apenas um líder político ilegítimo, mas sim um agente do crime organizado transnacional, diretamente vinculado ao chamado Cartel de Los Soles – grupo que envolveria militares venezuelanos de alto escalão em atividades de tráfico de drogas.

Para Jose Vicente Carrasquero Aumaitre, professor da Universidad Simón Bolívar, Trump adota uma postura estratégica baseada na doutrina “America First”:

“Washington considera que o Cartel de Los Soles e Maduro representam uma ameaça à segurança nacional. Por isso, justifica ações para defesa dos EUA, inclusive com operações secretas”, disse Aumaitre ao Correio.

Essa classificação, segundo o cientista político, abre margem para justificar ações extraterritoriais, como extrações forçadas ou até assassinatos seletivos, algo que já fez parte da política externa norte-americana em outros contextos, como no caso de líderes do Estado Islâmico.

Reação da Venezuela: mobilização militar e retórica nacionalista

Maduro ordena exercícios militares e fala em “ameaça letal”

Em resposta às declarações e movimentações dos EUA, o presidente Nicolás Maduro ordenou exercícios militares nas principais cidades do país, classificando a situação como a mais grave ameaça militar da história recente da Venezuela.

Em discurso televisionado, a vice-presidente Delcy Rodríguez ecoou o discurso de defesa da soberania nacional:

“Que nenhum agressor ouse. Eles sabem que aqui está o povo de Bolívar, com suas espadas erguidas para nos defender em qualquer circunstância.”

Maduro também reagiu aos sobrevoos dos bombardeiros B-52H e ao envio de destróieres norte-americanos para o Mar do Sul do Caribe, interpretando os fatos como sinais inequívocos de preparação bélica por parte dos Estados Unidos.

O papel estratégico da CIA: operações clandestinas e precedentes históricos

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Imagem: Freepik

Operações letais e encobertas fora do território americano

A autorização dada por Trump à CIA pode incluir ações de inteligência, sabotagem, coleta de dados e, em casos extremos, operações letais, como eliminação de alvos considerados terroristas ou ameaças à segurança nacional. Esse tipo de missão, embora envolto em sigilo, tem precedentes históricos:

  • A execução de Osama bin Laden, no Paquistão, por forças especiais da CIA;
  • A derrubada de regimes considerados hostis ao governo dos EUA durante a Guerra Fria, como no Irã (1953) e no Chile (1973);
  • A eliminação de alvos da Al-Qaeda e do ISIS em países como Iêmen, Síria e Afeganistão.

Caso a Venezuela se torne palco de operação similar, o país poderá entrar em um ciclo de instabilidade geopolítica, com impactos para toda a região da América do Sul.

Percepções militares: pressão psicológica e guerra de narrativas

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General Lameda: “Trump usa linguagem de intimidação”

Segundo o general venezuelano Guaicaipuro Lameda, que vive nos EUA desde 2021, Trump utiliza a retórica de “estamos pensando” como instrumento estratégico de pressão:

“É um mecanismo para dissuadir o adversário e buscar sua rendição sem necessidade de uso direto da força.”

Lameda considera que a ala governista em Caracas não demonstra disposição para ceder ou negociar, o que pode levar a uma escalada retórica e militar.

Implicações internacionais e risco de confronto direto

Escalada pode envolver Rússia, China e aliados de Maduro

A Venezuela mantém alianças estratégicas com países como Rússia, China e Irã, que podem ver uma intervenção dos EUA como um ataque à estabilidade global e uma violação da soberania de um Estado soberano.

Caso haja qualquer incursão ou operação clandestina que resulte em morte ou captura de autoridades venezuelanas, a resposta internacional pode variar entre condenações diplomáticas e apoio indireto ao regime de Maduro.

Além disso, os países do Mercosul e da Unasul também podem se ver obrigados a se posicionar formalmente, dada a gravidade do envolvimento estrangeiro na região.

Incursão ou blefe? O impacto político para Trump

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Imagem: Jonah Elkowitz / Shutterstock

Estratégia de endurecimento como ativo político interno

As declarações de Trump também podem ter finalidades eleitorais, reforçando sua imagem de líder duro na política externa e defensor do combate ao narcotráfico.

Com as eleições de 2026 se aproximando, o ex-presidente pode estar tentando marcar terreno junto ao eleitorado conservador, que apoia ações firmes contra regimes considerados autoritários ou ligados ao crime.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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