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Trump pressiona bancos com proposta de 10% de juros nos cartões de crédito

Donald Trump pressiona bancos a limitar juros do cartão de crédito a 10% ao ano, provocando reação do setor financeiro e alertas sobre crédito nos EUA.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa8 min de leitura
Trump

A exigência do presidente Donald Trump para que empresas emissoras de cartões de crédito reduzam as taxas de juros para um teto de 10% ao ano, ainda que de forma temporária, reacendeu um dos debates mais sensíveis do sistema financeiro dos Estados Unidos: o equilíbrio entre acesso ao crédito, proteção ao consumidor e rentabilidade bancária. A proposta, feita em meio a um ambiente de instabilidade nos mercados e após anúncios voltados à redução do custo da moradia, atingiu diretamente uma das linhas de negócios mais lucrativas do setor bancário americano.

Ao voltar sua atenção para o custo do crédito rotativo, Trump colocou na mira gigantes financeiros como JPMorgan Chase & Co., Capital One Financial Corp. e Citigroup Inc., além de instituições especializadas em cartões. O movimento surpreendeu analistas, investidores e até representantes da própria indústria, acostumados a uma postura historicamente favorável à desregulamentação do sistema financeiro.

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O peso do cartão de crédito no orçamento do consumidor

Manter um saldo devedor no cartão de crédito tornou-se um fardo crescente para milhões de americanos nos últimos anos. Com taxas médias que ultrapassam 20% ao ano, o crédito rotativo figura entre as formas mais caras de financiamento ao consumidor nos Estados Unidos.

Taxas elevadas e impacto direto no bolso

Segundo dados do Federal Reserve, a taxa média de juros dos cartões de crédito encerrou o último ano em torno de 21%. Nesse patamar, uma dívida de US$ 10 mil parcelada ao longo de três anos pode gerar mais de US$ 3.500 apenas em juros. Para famílias com renda apertada, esse custo adicional compromete o orçamento mensal e prolonga ciclos de endividamento.

Comparação com outros tipos de crédito

O contraste é ainda mais evidente quando comparado a outras modalidades de financiamento. Um empréstimo imobiliário fixo de 30 anos, por exemplo, opera atualmente com taxas pouco acima de 6%, segundo a Freddie Mac. A diferença expõe como o crédito sem garantia, caso do cartão, carrega um custo significativamente maior para o consumidor final.

A reação do setor bancário à proposta de Trump

A proposta de limitar os juros a 10% provocou uma reação imediata do setor bancário. Associações representativas adotaram um discurso cauteloso, evitando confronto direto com o presidente, mas alertando para possíveis consequências negativas da medida.

Tom moderado, mas com alertas claros

Entidades como o Bank Policy Institute e a Consumer Bankers Association afirmaram compartilhar o objetivo de tornar o crédito mais acessível. No entanto, destacaram que um limite tão baixo poderia reduzir drasticamente a oferta de crédito, especialmente para consumidores considerados de maior risco.

Segundo essas organizações, milhões de famílias e pequenos empresários poderiam perder acesso ao cartão de crédito, justamente aqueles que mais dependem dessa ferramenta para emergências e despesas inesperadas.

O argumento da inadimplência

Os bancos sustentam há décadas que as altas taxas de juros dos cartões são necessárias para compensar o risco de inadimplência. Diferentemente de financiamentos imobiliários ou de veículos, o cartão de crédito não possui um bem físico como garantia. Em caso de calote, não há imóvel ou carro a ser retomado.

Após a crise financeira de 2008, as taxas de inadimplência dos cartões ultrapassaram 10%, enquanto os empréstimos imobiliários residenciais permaneceram abaixo de 3%. Esse histórico reforça, segundo os bancos, a necessidade de margens mais elevadas.

Cartões de crédito: de produto arriscado a máquina de lucro

Apesar do risco, o crédito via cartão tornou-se extremamente lucrativo nos últimos anos, impulsionado pelo aumento das taxas e pela expansão do consumo financiado.

Resultados bilionários das grandes instituições

Em 2024, o JPMorgan Chase informou que o rendimento líquido de sua carteira de mais de US$ 200 bilhões em empréstimos de cartão de crédito foi de 9,73%. Esse desempenho respondeu por grande parte da receita de US$ 25,5 bilhões da divisão de serviços de cartões e financiamento de veículos do banco.

Mesmo com cerca de US$ 7 bilhões em perdas associadas a empréstimos com cartão, a operação continuou altamente rentável, evidenciando o peso estratégico desse segmento para os grandes bancos.

Instituições mais vulneráveis ao limite

Analistas avaliam que bancos especializados em cartões seriam os mais afetados por um teto de juros. Entre eles estão Capital One, Synchrony Financial e Bread Financial, instituições cujo público tende a ter renda mais baixa e histórico de crédito menos robusto.

Para essas empresas, a redução abrupta das taxas poderia inviabilizar o modelo de negócios ou exigir uma reestruturação profunda das operações.

O impacto potencial para consumidores de maior risco

Caso o limite de 10% fosse implementado, os efeitos não seriam homogêneos entre os consumidores.

Restrição de crédito e novas exigências

Segundo análises do Bank Policy Institute, os bancos poderiam reagir encerrando linhas de crédito, elevando pagamentos mínimos mensais ou criando novas tarifas para compensar a perda de receita com juros.

Dados do Federal Reserve indicam que, em 2019, um limite semelhante teria restringido o acesso ao crédito para cerca de 14,3 milhões de pessoas e famílias nos Estados Unidos.

Fim de benefícios e recompensas

Outra alternativa seria a redução de benefícios associados aos cartões, como programas de recompensas, milhas aéreas e promoções de juros zero por tempo limitado. Taxas anuais mais altas, cobranças por transferência de saldo e penalidades mais rígidas por atraso também entrariam no radar das instituições.

Cooperativas de crédito e pequenos emissores alertam para cenário crítico

As cooperativas de crédito, que atendem comunidades locais e membros específicos, também reagiram com preocupação à proposta.

“Devastador” para o setor cooperativo

Segundo a America’s Credit Unions, um limite de 10% tornaria inviável a oferta de cartões para a maioria dos consumidores atendidos pelas cooperativas. Para essas instituições, que operam com margens menores do que os grandes bancos, a mudança poderia significar a retirada completa do produto do mercado.

Limites de juros e o risco de crédito alternativo

Um dos principais argumentos contrários ao teto de juros é o risco de empurrar consumidores para alternativas mais caras e menos reguladas.

Avanço de empréstimos de curto prazo

Críticos da proposta alertam que a restrição ao crédito tradicional pode aumentar a procura por empréstimos de curto prazo, casas de penhores e credores informais, que cobram taxas anuais superiores a 300% em alguns estados.

Esse cenário já é observado em regiões onde o acesso ao crédito bancário é limitado, reforçando o temor de que a medida produza efeitos contrários aos desejados.

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O desafio político de impor o limite

Apesar da pressão pública, não está claro como Trump poderia obrigar os bancos a reduzir as taxas em um prazo tão curto, além de usar sua influência política.

Histórico de propostas no Congresso

O debate sobre limites de juros não é novo. Em 2019, o senador Bernie Sanders e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez propuseram um teto de 15%. No ano passado, Sanders se uniu ao senador republicano Josh Hawley em um projeto que defendia o limite de 10%.

Apesar das tentativas, nenhuma dessas propostas avançou de forma definitiva, evidenciando a resistência do setor financeiro e a complexidade do tema no Congresso.

Influência dos bancos no Legislativo

Os bancos americanos possuem forte presença em Washington e contam com associações comerciais bem estruturadas. Quando percebem ameaças comuns, costumam formar coalizões amplas, inclusive com defensores do consumidor, para barrar iniciativas que possam restringir o crédito.

Reação dos mercados e efeito sobre ações bancárias

A exigência de Trump também gerou apreensão entre investidores.

Setor bancário vinha em forte alta

Desde a vitória eleitoral de Trump em novembro de 2024, o índice KBW Bank, que reúne 24 dos maiores bancos dos EUA, acumulou alta próxima de 40%, desempenho superior ao do mercado em geral. A valorização foi impulsionada por expectativas de desregulamentação, flexibilização de regras de capital e alívio nos testes de estresse.

Uma mudança abrupta na política de juros dos cartões poderia interromper esse ciclo positivo e afetar projeções de lucro feitas por executivos do setor.

Entre o discurso político e a viabilidade econômica

Especialistas avaliam que há espaço para reduzir parcialmente as taxas de juros dos cartões, mas consideram inviável um corte tão profundo quanto o proposto.

Margens sob pressão

Para Matthew Goldman, fundador da consultoria Totavi, uma redução para 10% eliminaria as margens de lucro da maioria dos emissores. Segundo ele, apenas consumidores com histórico de crédito excelente manteriam acesso ao produto, o que contraria o argumento de inclusão financeira.

Conclusão

A exigência de Donald Trump para limitar os juros do cartão de crédito expõe uma tensão antiga entre política, mercado financeiro e proteção ao consumidor. Embora a proposta dialogue com o descontentamento popular diante do alto custo do crédito, sua implementação levanta dúvidas sobre efeitos colaterais relevantes, como restrição ao acesso, encarecimento indireto e migração para alternativas mais onerosas.

O debate deve seguir intenso nos próximos meses, envolvendo Congresso, bancos, associações de consumidores e investidores, em um cenário no qual qualquer mudança significativa pode redesenhar o mercado de crédito nos Estados Unidos.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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