O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reacendeu as tensões entre Washington e Pequim ao exigir publicamente, nesta quinta-feira (7), a renúncia imediata do novo CEO da Intel, Lip-Bu Tan. Segundo Trump, o executivo possui vínculos “altamente conflituosos” com empresas chinesas, o que, na visão dele, compromete a segurança nacional e os interesses da indústria americana de semicondutores.
A declaração, feita por meio de sua plataforma Truth Social, acende o alerta sobre o futuro da Intel, gigante do setor tecnológico, e coloca ainda mais pressão sobre a liderança da empresa no momento em que ela atravessa um processo estratégico de reestruturação.
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Lip-Bu Tan assumiu o comando da Intel em março de 2025, sucedendo Pat Gelsinger, que deixou a empresa no fim do ano anterior. Desde então, Tan tem liderado um plano de reestruturação que inclui cortes de custos, redução do quadro de funcionários e interrupção de projetos de novas fábricas, o que já vinha gerando apreensão dentro e fora da companhia.
Com a exigência de Trump, a situação se complica. “Não há outra solução para esse problema”, escreveu o ex-presidente em sua publicação. A declaração sugere que, sob uma eventual nova presidência de Trump, a continuidade de Tan à frente da Intel poderia significar um revés para os interesses do país no setor de tecnologia.
Acusações sobre ligações com a China
As críticas a Tan não surgiram do nada. No dia anterior, a agência Reuters revelou que o senador republicano Tom Cotton enviou uma carta formal ao conselho da Intel questionando os vínculos do CEO com empresas chinesas. A preocupação é que esses laços coloquem em risco a confidencialidade e os objetivos estratégicos da empresa americana, que recentemente foi beneficiada por um robusto pacote de incentivos federais.
Segundo a reportagem da Reuters, Tan investiu, de forma direta ou por meio de fundos que administra, em centenas de empresas chinesas. Algumas dessas companhias, inclusive, teriam conexões com o exército chinês — o que torna a situação ainda mais delicada em termos de segurança nacional.
Tan também é ex-executivo da Cadence Design Systems, uma empresa envolvida em um recente processo criminal, o que aumentou a pressão sobre sua permanência no cargo.
Papel da Intel nos planos dos EUA
A Intel ocupa uma posição estratégica nos planos dos Estados Unidos de fortalecer a fabricação doméstica de semicondutores. Em 2022, o país aprovou o CHIPS and Science Act, um pacote bilionário de incentivos para impulsionar a produção local de chips e diminuir a dependência de fornecedores asiáticos, especialmente Taiwan e China.
Dentro desse contexto, a Intel recebeu cerca de US$ 20 bilhões em subsídios e empréstimos do governo norte-americano — a maior quantia concedida até o momento a uma empresa privada por meio da legislação. O objetivo era garantir que a Intel pudesse produzir chips avançados em solo americano, fortalecendo a segurança tecnológica nacional.
As acusações contra Tan, portanto, levantam dúvidas sobre a viabilidade dessa estratégia, caso a liderança da empresa seja considerada vulnerável a interesses externos.
Silêncio da Intel e de Tan
Até a publicação deste artigo, tanto a Intel quanto Lip-Bu Tan não responderam às solicitações de comentários feitas pela Reuters sobre as acusações e a exigência de renúncia feita por Trump.
A ausência de resposta alimenta ainda mais a especulação sobre uma possível substituição no comando da empresa. Internamente, fontes da indústria indicam que o conselho da Intel está avaliando os desdobramentos políticos da situação com cautela.
Reações no setor tecnológico
Imagem: Evan El-Amin / shutterstock.com
A repercussão do caso nos bastidores do Vale do Silício foi imediata. Analistas destacam que, embora Tan tenha um histórico de sucesso como investidor e executivo, a crescente tensão entre EUA e China torna suas ligações passadas uma fonte de risco para empresas com contratos federais ou sensíveis à política externa.
Especialistas em segurança cibernética e geopolítica também alertam que a presença de executivos com histórico de cooperação com empresas chinesas pode ser vista como um vetor de influência estrangeira em setores considerados críticos para a defesa nacional.
Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.