O ex-governador de São Paulo, João Doria, voltou ao debate público nesta semana com um posicionamento direto sobre a crise tarifária entre Brasil e Estados Unidos. Durante entrevista coletiva concedida após um fórum empresarial na Índia, Doria destacou a importância de uma interlocução direta entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente americano Donald Trump.
Doria defende Lula após telefonema a Trump: ‘Não há motivo para humilhação’
Doria defende que Lula ligue para Trump para resolver crise das tarifas e diz que não há humilhação em priorizar a economia sobre disputas políticas.
O contexto da fala envolve a recente declaração de Lula, que afirmou que não se “humilharia” para ligar a seu correspondente norte-americano em meio ao impasse comercial entre os dois países. Doria, por sua vez, reforçou que, quando se trata de questões econômicas, não há espaço para vaidades políticas.
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A fala de Doria: foco na economia, não na vaidade

Declaração durante evento na Índia
Em Mumbai, onde participava de um fórum do Grupo Lide — sua própria organização empresarial — Doria respondeu a jornalistas sobre o embate comercial. O ex-governador afirmou:
“Não há humilhação nenhuma em você telefonar, desde que o seu objetivo seja tratar economicamente do tema e não politicamente do tema.”
A fala ecoou em Brasília e em setores empresariais que acompanham com preocupação a deterioração das relações entre Brasil e EUA. Para Doria, o pragmatismo deve prevalecer, especialmente quando interesses econômicos e empregos estão em jogo.
A crise das tarifas: entenda o impasse
Origem da tensão comercial
Desde o início de 2025, o governo dos Estados Unidos, sob gestão de Donald Trump — reeleito em 2024 —, decidiu aplicar sobretaxas sobre a importação de produtos agrícolas e siderúrgicos brasileiros. A medida, segundo a Casa Branca, busca proteger a indústria americana diante do crescimento das exportações brasileiras, que teriam causado “desequilíbrios competitivos”.
Possíveis retaliações do Brasil
Em resposta, o Brasil ameaçou recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) e adotar medidas retaliatórias, como o aumento de tarifas sobre produtos americanos, o que pode afetar setores como tecnologia, automóveis e farmacêuticos.
Impactos no comércio bilateral
O comércio entre Brasil e Estados Unidos representa um volume anual de aproximadamente US$ 100 bilhões. O aumento de tarifas pode provocar perdas bilionárias, sobretudo para exportadores brasileiros de aço, soja, etanol e carne bovina.
Lula resiste à pressão por diálogo direto
Discurso firme contra Trump
O presidente Lula tem adotado um discurso duro contra Trump desde a retomada da tensão comercial. Em uma de suas falas mais recentes, declarou que “não se ajoelha para ninguém” e que não fará “ligação de subserviência”. O Planalto acredita que é possível resolver o impasse por meio dos canais diplomáticos tradicionais, sem que o chefe de Estado brasileiro se envolva diretamente com Trump.
Empresariado defende outra abordagem
Contudo, setores empresariais e ex-autoridades como João Doria acreditam que a comunicação direta poderia destravar negociações e demonstrar compromisso com o ambiente de negócios.
O histórico entre Lula e Trump
Relações anteriores entre os dois líderes
Embora não sejam aliados ideológicos, Lula e Trump chegaram a manter relações cordiais durante o mandato anterior do brasileiro, entre 2003 e 2010, e o início do governo Trump, entre 2017 e 2021. No entanto, desde a eleição de Lula em 2022, as trocas de declarações entre ambos têm sido mais frias e marcadas por críticas indiretas.
Doria e sua proximidade com o governo americano
João Doria, por outro lado, já tentou se aproximar da gestão Trump em ocasiões anteriores, inclusive quando era governador de São Paulo, buscando atrair investimentos estrangeiros.
Empresariado pressiona por solução diplomática

Clima de inquietação no Lide
Durante o fórum do Lide em Mumbai, o clima entre os empresários brasileiros era de inquietação. Muitos temem que a escalada tarifária comprometa o crescimento econômico de setores importantes e gere desemprego.
Doria cobra pragmatismo
Doria, ao final do evento, foi enfático:
“Quando o comércio está em risco, o orgulho deve ser colocado de lado. A prioridade deve ser proteger empregos, investimentos e manter pontes abertas.”
Interlocução presidencial: gesto simbólico e estratégico
Diplomacia de alto nível
Apesar de parecer uma simples formalidade, uma ligação entre chefes de Estado pode ter implicações importantes em crises diplomáticas. Na diplomacia internacional, esse tipo de contato demonstra empenho direto na resolução de impasses e pode facilitar acordos.
Diálogo como ferramenta econômica
Para Doria, não se trata de subordinação, mas de pragmatismo político e econômico:
“O mundo globalizado exige líderes que saibam dialogar, mesmo com adversários. Se a ligação for para tratar da economia, ela deve ser feita.”
Analistas avaliam fala como tentativa de reposicionamento
Doria volta ao centro do debate político?
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A manifestação pública de João Doria também é interpretada por analistas políticos como parte de uma estratégia para se recolocar no cenário político nacional. Após deixar o governo de São Paulo e desistir da candidatura presidencial em 2022, Doria manteve perfil discreto, focando na iniciativa privada e em eventos internacionais.
Um tom conciliador como diferencial
A defesa de uma agenda econômica e diplomática, com tom moderado, pode sinalizar seu interesse em voltar ao debate nacional, especialmente em um contexto de polarização entre Lula e Trump.
A postura de Lula pode afetar a imagem do Brasil?
Percepção internacional
Segundo especialistas em relações internacionais, a recusa de Lula em manter interlocução direta com Donald Trump pode ser vista como um gesto de força no cenário interno, mas tem efeitos distintos no exterior. Investidores e parceiros comerciais costumam valorizar a previsibilidade e o diálogo entre nações.
Opinião de especialistas
A pesquisadora Ana Carolina Tavares, do Instituto de Relações Internacionais da USP, comenta:
“O Brasil é uma potência regional e precisa se comportar como tal. Diálogo direto não significa submissão, mas maturidade diplomática.”
Caminhos para superar o impasse
Soluções diplomáticas e comerciais
Algumas alternativas estão sendo discutidas nos bastidores:
- Mediação internacional por meio da OMC
- Participação do setor privado em negociações paralelas
- Acordos setoriais bilaterais, como já ocorreu em crises anteriores
- Pressão interna nos EUA, por parte de empresas americanas afetadas pela perda de insumos brasileiros
O papel do Lide e de Doria no cenário internacional

Lide como ponte entre negócios e diplomacia
Desde que fundou o Lide, João Doria tem usado a entidade como plataforma para debates econômicos e geopolíticos. A presença do grupo em países como Índia, Emirados Árabes, China e Estados Unidos mostra sua intenção de atuar como ponte entre empresários e governos.
Destaque durante o fórum em Mumbai
No evento de Mumbai, o fórum reuniu mais de 300 executivos e representantes de governos asiáticos. A fala de Doria sobre Lula e Trump foi, segundo relatos, uma das mais comentadas.
Conclusão: pragmatismo ou orgulho?
A crise das tarifas entre Brasil e Estados Unidos reacendeu o debate sobre a importância da diplomacia direta entre chefes de Estado. Enquanto o governo Lula prefere manter a posição institucional por meio de diplomatas, vozes como a de João Doria defendem que um gesto pragmático — como uma ligação telefônica — pode ser decisivo para destravar acordos e proteger empregos.
O futuro das relações bilaterais entre os dois países dependerá não só de ações formais, mas também da capacidade de seus líderes em demonstrar flexibilidade e compromisso com o interesse comum.
