A nova tarifa de 50% imposta por Donald Trump sobre produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira (6), elevando a tensão nos mercados financeiros. A medida, com forte viés protecionista, já começa a provocar ondas no cenário econômico, afetando não apenas as exportações, mas também a inflação projetada, a expectativa de juros e, consequentemente, as decisões de investimento dos grandes players do mercado.
Renda fixa, ações e exterior: estratégias das corretoras após tarifaço nos mercados
Tarifa de Trump sobre produtos brasileiros entra em vigor e pressiona mercados. Veja impactos na renda fixa, ações e estratégias de investimento.
Segundo especialistas ouvidos por bancos e corretoras, o aumento da tarifa representa um novo grau de incerteza no ambiente externo, o que eleva a aversão ao risco por parte dos investidores. O Brasil, que já enfrenta um cenário político doméstico instável com a aproximação das eleições de 2026, agora lida com mais um fator de pressão.
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Reações do mercado de renda fixa

Itaú BBA ajusta projeções, mas mantém alocação
De acordo com relatório recente do Itaú BBA, a volatilidade observada no mercado de renda fixa em julho gerou ajustes nos preços dos ativos, mas não alterou os fundamentos das carteiras recomendadas.
Títulos prefixados continuam atrativos
O banco indica que os títulos prefixados com prazo de cerca de três anos ainda são considerados atrativos, especialmente se houver uma reprecificação do cenário da taxa Selic no médio prazo. No entanto, o carrego (rentabilidade acumulada ao longo do tempo) passa a ser um ponto central na estratégia.
IPCA+ para proteger contra surpresas
Já os títulos indexados ao IPCA com prazos superiores a cinco anos são a principal aposta para capturar o processo de desinflação esperado nos próximos anos, sem abrir mão de uma proteção contra possíveis altas inflacionárias. O destaque vai para a taxa real de cinco anos, que segue ao redor de 7,5% ao ano — um nível historicamente alto.
Pós-fixados ganham força
Para os investidores com horizonte de até dois anos, os títulos pós-fixados são vistos como a melhor alternativa. Isso porque a visibilidade sobre cortes na Selic no curto prazo ainda é considerada baixa, o que torna essas aplicações eficientes tanto para estratégias defensivas quanto para compor caixa em carteiras diversificadas.
XP Investimentos mistura Tesouro e crédito privado
A XP Investimentos também reforçou sua carteira de renda fixa com uma combinação de títulos públicos e crédito privado. A alocação proposta inclui:
- Uma LFT (Letra Financeira do Tesouro) atrelada à Selic, com vencimento em 3,1 anos;
- Uma NTN-F (prefixada) com vencimento em 2,9 anos;
- Duas NTN-Bs (IPCA+) com vencimentos em 4,3 e 6,2 anos;
- Dois CDBs — um prefixado e outro atrelado ao IPCA, ambos com prazo de 2 anos;
- Debêntures da Isa Energia e da Petrobras, com prazos de 8,9 e 7,5 anos, respectivamente.
A XP reforça que a escolha dos ativos deve levar em consideração o perfil do investidor, o prazo, o risco do título e o tamanho da alocação. A corretora recomenda uma exposição máxima de 5% por emissor e 20% em crédito privado na carteira total.
Ações brasileiras: resiliência em meio à instabilidade
Incertidão política e tarifas afastam investidores
Com a combinação de tarifas dos EUA, instabilidade política e juros altos, as corretoras observaram uma menor disposição dos investidores estrangeiros em alocar capital no Brasil. Segundo o BTG Pactual, o cenário reduziu “qualquer senso de urgência” em investir em ações brasileiras neste momento.
Apesar disso, algumas empresas listadas continuam sendo vistas como resilientes e permaneceram nas carteiras recomendadas de diversas instituições.
Empresas mais recomendadas para agosto
Veja a lista das ações mais recomendadas entre nove grandes casas de análise:
| Empresa | Nº de recomendações | Retorno em julho |
|---|---|---|
| Itaú (ITUB4) | 6 | -4,80% |
| Petrobras (PETR4) | 5 | 4,02% |
| Vale (VALE3) | 5 | 1,54% |
| Vivo (VIVT3) | 4 | 2,25% |
| Prio (PRIO3) | 4 | -0,50% |
Itaú (ITUB4) foi citado por seis casas, incluindo BB Investimentos, por sua resiliência. Petrobras (PETR4), com projeção de dividend yield de 8,5% para 2025 e 2026, e Vale (VALE3), que tem bom desempenho mesmo em ambientes adversos, também se destacaram.
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Ações internacionais e BDRs ganham espaço
Big techs surpreendem no segundo trimestre
Embora o primeiro semestre tenha sido morno para as big techs, os resultados do segundo trimestre de 2025 surpreenderam positivamente o mercado. A Microsoft (MSFT34), por exemplo, ultrapassou US$ 4 trilhões em valor de mercado após superar as expectativas de receita. A Meta (M1TA34) registrou receita de US$ 47,5 bilhões, crescimento de 22% sobre o ano anterior, e a Alphabet (GOGL34) viu suas ações subirem com os resultados.
Carteira internacional: big techs dominam
As recomendações de ações internacionais e BDRs pelas corretoras locais priorizaram cinco gigantes do setor de tecnologia. Microsoft e Amazon lideraram, cada uma com cinco recomendações. Segundo a Toro Investimentos, o forte portfólio de produtos e o alto custo de substituição da Microsoft garantem sua atratividade. Já a Amazon se destaca por sua presença global e participação de mercado de 38% nos Estados Unidos.
| Empresa | Nº de recomendações | Retorno em julho |
|---|---|---|
| Microsoft (MSFT34) | 5 | 7,60% |
| Amazon (AMZO34) | 5 | -3% |
| Alphabet (GOGL34) | 4 | 9% |
| Meta (M1TA34) | 3 | 5,69% |
| JPMorgan (JPMC34) | 3 | -0,40% |
| Nvidia (NVDC34) | 3 | 12% |
Renda fixa no exterior: Treasuries continuam atraentes

Com rendimentos de 4,20% ao ano nesta semana, os títulos do Tesouro americano (Treasuries) continuam sendo considerados uma excelente opção para investidores que buscam retorno passivo em dólar com segurança.
Especialistas ressaltam que, mesmo com a volatilidade global, esses ativos oferecem um risco muito baixo e continuam sendo uma âncora importante em carteiras de diversificação internacional.
Conclusão: o investidor deve redobrar atenção
A imposição de tarifas por Donald Trump sobre produtos brasileiros reconfigura o cenário econômico e afeta diretamente decisões de investimento. A renda fixa brasileira se adapta com apostas em prefixados, IPCA+ e pós-fixados, enquanto as ações locais enfrentam um período de baixa atratividade.
No exterior, big techs retomam o protagonismo, e os Treasuries se consolidam como opção segura. A recomendação geral é: diversificação, atenção ao perfil de risco e monitoramento contínuo dos desdobramentos políticos e econômicos — tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
