CEO da Uber revela que testa o serviço como motorista de vez em quando
CEO da Uber no Brasil testa app como motorista para criar soluções reais e seguras. Saiba mais sobre.
A executiva Sylvia Penna, CEO da Uber no Brasil desde 2021, assume uma postura incomum: ela mesma testa o serviço como motorista, inclusive no programa U‑Elas, que permite que mulheres motoristas escolham passageiras. Essa prática é emblemática da estratégia da Uber no país, que combina investimento em tecnologia, segurança e incentivo às motoristas mulheres.
Com enfoque reconectado ao usuário e visão de inovação, a empresa quer consolidar posição diante da concorrência e preparar terreno para novas parcerias e regulamentações. Este artigo explora a trajetória de Penna, os desafios da Uber Brasil e seus planos para o futuro.
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Da garagem ao volante: CEO testando o app
Silvia Penna compartilhou sua primeira experiência ao volante: “Lembro quando fiz minha primeira viagem como motorista da Uber… saber que a passageira era uma mulher me trouxe mais segurança”. O gesto demonstra compromisso com a operação real, não apenas com os dados na tela.
Ao dirigir, Penna consegue identificar falhas e oportunidades de melhoria diretamente pela experiência do usuário, o que, segundo ela, “é fundamental para oferecer o melhor aos funcionários e clientes”.
U‑Elas e “Elas na Direção”: mobilidade feminina em foco
Desde 2019, a Uber implementa o U‑Elas, que permite motoristas mulheres atender apenas passageiras. Complementarmente, o programa Elas na Direção oferece apoio psicológico e parcerias com ONGs, ajudando a quase dobrar o número de motoristas mulheres.
Penna afirma: “Queremos chegar a um ponto em que as passageiras possam escolher ser atendidas exclusivamente por mulheres motoristas”. Esse movimento também teoriza maior segurança, respaldado por dados: 44% das entrevistadas consideram as motos mais seguras que andar a pé.
Investimento pesado em tecnologia
Em 2019, foi criado o Centro de Tecnologia da Uber na América Latina, com investimento de R$ 1 bilhão ao longo de cinco anos em inovação. Entre os frutos estão:
- Uber Flash, lançado durante a pandemia, que expandiu a logística da empresa;
- RapidSOS, sistema que conecta motoristas e passageiros às centrais policiais em emergências.
Segundo Penna, as inovações desenvolvidas no Brasil são expandidas globalmente: “Com esse investimento, o nosso objetivo é criar soluções inovadoras, e tudo o que é desenvolvido aqui no Centro de Tecnologia é expandido globalmente”
Competição acirrada: Uber reforça aposta
Diante de gigantes como Meituan (US$ 1 bilhão) e 99 (US$ 1 bilhão), a Uber aposta no Brasil, atualmente um dos cinco maiores mercados da empresa no mundo. Inovações, segurança e tecnologia são usados para manter e expandir sua fatia no setor de mobilidade.
Os desafios enfrentados por Penna
Pandemia e queda da demanda
Na crise sanitária, Penna enfrentou a queda de 80% na demanda. A solução foi intensificar serviços como o Uber Flash, mantendo renda aos motoristas.
Regulamentação
A flexibilidade, motoristas decidirem quando trabalhar, é, para Penna, essencial ao modelo da Uber. A empresa defende regulamentação que preserve essa característica, com participação ativa no debate institucional.
Uber Moto em São Paulo
Após a suspensão do Uber Moto em SP por decisão judicial, Penna destacou a importância do serviço para complementação do transporte público e geração de renda. A empresa aguarda solução regulatória ou judicial para retomar as operações.
Nova fase: diversificação e parcerias
Com foco em se tornar solução completa em mobilidade, Penna promove:
- Uber Green: incentivo à transição para veículos elétricos e híbridos, com apoio global de US$ 800 milhões;
- Parceria com iFood: integração de aplicativos para oferecer transporte e delivery em uma só plataforma;
- Acordo com Loggi: expansão do Uber Flash para entregas intermunicipais e interestaduais.
Essas iniciativas mostram a estratégia de transformar a empresa em um player logístico e de mobilidade completa.
Silvia Penna: perfil e liderança
Nascida em Belo Horizonte e engenheira pela UFMG, Penna trilhou carreira técnica até assumir funções estratégicas, até chegar à liderança da Uber em 2021, aos 33 anos. Sua trajetória inclui o anúncio da gravidez ao assumir o cargo — um momento de superação e simbolismo.
Ela diz que chegou preparada e que seu desempenho interino garantiu a posição durante processo rigoroso de seleção.
Visão futura: tecnologia, segurança e inclusão
Para Penna, tecnologia e inclusão são complementares: o foco em mulheres motoristas, serviços diversificados e segurança – incluindo integração com órgãos de resposta rápida – pretende atender tanto motoristas quanto passageiros.
“Precisa conhecer o produto para oferecer o melhor”, afirma, consolidando uma liderança experiente e próxima da operação.
O que esperar nos próximos anos
- Regulamentação robusta, que garanta flexibilidade e segurança;
- Expansão de serviços, como Uber Green, Flash, iFood e Loggi;
- Recuperação do Uber Moto em SP, após solução jurídica;
- Maior presença feminina, com programas que incentivem motoristas mulheres.
A aposta é que essa combinação permita sustentar e consolidar o crescimento da Uber no país.
Silvia Penna imprime uma cultura de proximidade e experiência direta na Uber Brasil: ao dirigir, ela reafirma valores de inovação, segurança e inclusão. Com investimento em tecnologia, foco nas mulheres motoristas e parcerias estratégicas, a empresa se reposiciona como plataforma completa de mobilidade no país. A trajetória de Penna, determinada, envolvente e exemplar, reforça a ambição de tornar a Uber relevante e inovadora frente à concorrência e ao futuro da mobilidade.
Com informações de: Exame