O UBS BB elevou de R$ 60 para R$ 62 o preço-alvo das ações da Petrobras e reiterou sua recomendação de compra para os papéis. A avaliação, divulgada nesta quarta-feira (23), considera uma combinação de fatores operacionais e de mercado, principalmente a exposição da estatal ao petróleo, o avanço da produção e a capacidade de geração de caixa.
Segundo os analistas liderados por Tasso Vasconcellos, a Petrobras tem se beneficiado do cenário do petróleo por ser exportadora líquida. Na avaliação do banco, os conflitos no Oriente Médio não provocaram impactos operacionais relevantes sobre a companhia até o momento, enquanto a produção vem apresentando desempenho acima do esperado.
É importante separar, porém, uma projeção de preço-alvo de uma garantia de valorização. O valor de R$ 62 representa uma estimativa do UBS BB para as ações e está sujeito às condições do petróleo, câmbio, produção, dividendos, investimentos e cenário econômico.
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Produção de petróleo ganha destaque
Um dos principais argumentos apresentados pelo UBS BB está relacionado ao desempenho da área de exploração e produção. A instituição afirma que a produção da Petrobras vem superando expectativas e o próprio planejamento divulgado pela companhia.
No segundo trimestre de 2026, a Petrobras registrou produção própria de óleo no Brasil de 2,7 milhões de barris por dia, alta de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior. A empresa também informou produção total de petróleo e gás de 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia.
O resultado operacional teve impacto direto nas contas da companhia. Entre abril e junho, a Petrobras registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões, enquanto o EBITDA ajustado alcançou R$ 93,8 bilhões. O fluxo de caixa operacional chegou a R$ 61,8 bilhões.
Para o UBS BB, esse desempenho ajuda a sustentar a geração de caixa mesmo diante de desafios em outras áreas do negócio.
Por que o petróleo é tão importante para a Petrobras

A Petrobras possui forte exposição ao preço internacional do petróleo. Quando o Brent sobe, a companhia pode obter maior receita com a produção e exportação, embora os efeitos sobre o resultado dependam de outros fatores, como câmbio, custos, tributação, preços praticados no mercado interno e volumes produzidos.
Esse aspecto ganhou importância no atual cenário internacional, marcado por tensões geopolíticas e oscilações nas cotações da commodity. Para uma empresa que exporta petróleo, preços internacionais mais altos podem favorecer a geração de caixa, embora também possam aumentar custos de derivados e pressionar a inflação no Brasil.
Refino continua sendo um ponto de atenção
Apesar da avaliação positiva do UBS BB, o relatório não ignora uma fragilidade importante: o desempenho do segmento de refino.
De acordo com os analistas, a Petrobras apresentou queda trimestral do EBITDA por barril no refino no segundo trimestre, enquanto empresas comparáveis da América Latina, América do Norte e Europa tiveram desempenho diferente.
A análise relaciona parte dessa diferença à política de preços praticada no mercado brasileiro. Segundo o UBS BB, a companhia não capturou integralmente a alta das referências internacionais de gasolina e diesel durante o período.
Os números oficiais da Petrobras mostram, por outro lado, uma utilização bastante elevada de seu parque industrial. O fator de utilização das refinarias chegou a 101% no segundo trimestre, enquanto a produção de derivados alcançou 1,918 milhão de barris por dia, crescimento de 5,6% sobre o primeiro trimestre.
A estatal também registrou recordes na produção de diesel S10 e querosene de aviação, indicando que a questão apontada pelo UBS BB está mais relacionada à rentabilidade por barril do que simplesmente à capacidade de processamento.
Dividendos estão no centro da tese
Outro fator destacado pelo banco é a política de remuneração aos acionistas.
O UBS BB estima um dividend yield de 10% a 11% em 2026 e de 13% a 14% em 2027. Essas são projeções dos analistas, e não valores garantidos pela Petrobras. O pagamento efetivo depende dos resultados da companhia, fluxo de caixa, decisões de administração e aprovação pelos órgãos competentes.
No segundo trimestre, a Petrobras aprovou R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio. A empresa também informou que sua política de remuneração está vinculada à geração de caixa e às condições previstas em seu planejamento.
Para o investidor, dividendos elevados podem representar uma parcela importante do retorno total de uma ação. Porém, o dividend yield pode variar bastante conforme o preço de mercado dos papéis e os valores efetivamente distribuídos.
Ações da Petrobras acumulam forte valorização
Na sessão anterior à divulgação do relatório, as ações preferenciais da Petrobras, negociadas sob o código PETR4, encerraram o pregão a R$ 48,35. As ordinárias, PETR3, fecharam a R$ 53,20.
Segundo os dados divulgados no relatório do UBS BB, os dois papéis acumulavam, respectivamente, altas de 66,76% e 72,55% em 2026 até aquele momento.
Isso também muda a leitura sobre o preço-alvo. Uma ação que já teve forte valorização pode apresentar uma relação diferente entre preço atual, expectativa de lucro e potencial projetado por analistas. O investidor, portanto, não deve interpretar isoladamente o preço-alvo de uma instituição como previsão certa para a cotação.
A própria Petrobras disponibiliza uma página com o consenso de analistas que acompanham a companhia. Na atualização de agosto, a empresa registrava estimativas de preço-alvo diferentes entre as instituições, mostrando que as avaliações do mercado não são uniformes.
Investimentos podem mudar a percepção do mercado

Além de petróleo, produção e dividendos, o UBS BB aponta a alocação de capital como uma questão relevante para os próximos anos.
A Petrobras tem um amplo programa de investimentos e avalia oportunidades em diferentes segmentos. Quanto maior o volume destinado a novos projetos, maior também a necessidade de avaliar o retorno esperado desses desembolsos.
Esse ponto ganhou relevância porque decisões de investimento podem alterar a quantidade de caixa disponível para remuneração dos acionistas. Ao mesmo tempo, investimentos produtivos podem ampliar a capacidade de geração de receita e produção no futuro.
No segundo trimestre de 2026, a Petrobras investiu R$ 26,7 bilhões, sendo 82% desse montante direcionado à área de exploração e produção.
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