A Unipar Carbocloro (UNIP5; UNIP6) confirmou oficialmente, na sexta-feira (8), que está em negociações com a Braskem (BRKM5) para avaliar a possibilidade de aquisição de ativos da companhia rival. As tratativas incluem a assinatura de um acordo de confidencialidade celebrado em julho de 2025, mas ainda não resultaram em documentos vinculantes ou compromissos definitivos.
Compras em análise: Unipar confirma diálogo com Braskem sobre aquisição de ativos
Unipar confirma negociações com a Braskem e assinatura de acordo de confidencialidade para avaliar compra de ativos, mas sem definições.
A confirmação veio por meio de um fato relevante enviado ao mercado horas após a Braskem também reconhecer a existência de conversas com a Unipar. A notícia movimentou o mercado financeiro, elevando o valor das ações de ambas as empresas.
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Detalhes do acordo de confidencialidade

De acordo com o comunicado da Unipar, o acordo de confidencialidade tem como objetivo permitir que as empresas avaliem a viabilidade de uma eventual transação. Essa prática é comum no mercado, garantindo que informações estratégicas sejam trocadas de forma segura durante o processo de análise.
Embora não haja qualquer compromisso formal, o anúncio indica que as conversas estão em estágio inicial e que a negociação poderá ou não se concretizar. A companhia também ressaltou que eventuais operações de compra e venda de ativos fazem parte da rotina estratégica de negócios, mas dependem de múltiplos fatores para avançar.
Reação imediata no mercado
A divulgação do fato relevante provocou impacto direto nas negociações na B3. As ações da Unipar tiveram negociação suspensa às 11h56 (horário de Brasília), permanecendo assim até o início da tarde, diante da iminência do anúncio. Ao final do pregão, os papéis UNIP6 encerraram o dia com alta de 7,61%, cotados a R$ 59,81.
O avanço também foi impulsionado pela divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2025, apresentados na noite anterior. A empresa registrou lucro líquido de R$ 232 milhões, um crescimento de 161% em relação ao mesmo período do ano anterior, e anunciou o pagamento de dividendos aos acionistas.
Já as ações da Braskem (BRKM5) também reagiram positivamente, com alta de 4,41%, fechando a R$ 8,76.
Posição da Braskem
Mais cedo, a Braskem confirmou que havia iniciado conversas com a Unipar sobre possíveis oportunidades envolvendo ativos ou participações societárias, tanto da companhia quanto de suas subsidiárias. No entanto, a petroquímica controlada pela Novonor e pela Petrobras destacou que, até o momento, não há definição sobre quais ativos poderiam integrar a operação.
A Braskem reforçou que nenhum acordo, vinculante ou não, foi firmado, com exceção do instrumento de confidencialidade. A empresa também reiterou que transações desse tipo fazem parte de sua estratégia empresarial e que a concretização de qualquer negócio é incerta.
Rumores sobre venda de ativos nos Estados Unidos

As negociações ganharam destaque após reportagem do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, que publicou na véspera que a Braskem estaria negociando com a Unipar a venda de seus ativos localizados nos Estados Unidos.
No entanto, em teleconferência com analistas para comentar os resultados do segundo trimestre, o presidente-executivo da Braskem, Roberto Ramos, negou que haja intenção de se desfazer dessas operações. Segundo ele, as plantas de polipropileno nos EUA são essenciais para a estratégia de transformação e rentabilidade da companhia.
“A manutenção das plantas nos EUA é de importância fundamental porque lá estão dois de nossos três principais laboratórios. Não temos nenhuma intenção de nos desfazer dessas unidades”, afirmou Ramos.
Estratégias e interesses em jogo
Interesses da Unipar
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A Unipar é uma das principais produtoras de cloro, soda cáustica e PVC na América Latina. Uma potencial aquisição de ativos da Braskem poderia ampliar sua presença internacional e diversificar ainda mais seu portfólio de negócios.
Com resultados financeiros robustos no segundo trimestre e geração de caixa fortalecida, a companhia se encontra em posição de avaliar oportunidades de crescimento, especialmente diante de possíveis desinvestimentos da concorrente.
Estratégia da Braskem
A Braskem, por sua vez, enfrenta um cenário de reestruturação e busca melhorar sua rentabilidade global. Apesar dos rumores sobre a venda de ativos nos EUA, a companhia tem investido em projetos de inovação e sustentabilidade, reforçando sua atuação nos mercados norte-americano e europeu.
A negociação com a Unipar pode estar relacionada a ativos de outras regiões, possivelmente no Brasil ou em países da América Latina, onde a sinergia operacional entre as duas empresas poderia gerar ganhos de escala.
Impactos no setor químico
Caso as negociações avancem para um acordo concreto, a operação poderá ter efeitos significativos no setor químico brasileiro e internacional. A integração de ativos poderia reforçar a posição da Unipar como uma potência regional, ao mesmo tempo em que permitiria à Braskem realocar recursos para outras áreas estratégicas.
No entanto, qualquer transação desse porte também demandaria avaliação de órgãos reguladores, como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), para evitar problemas de concentração de mercado.
Imagem: Wirestock Creators / shutterstock.com

