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USP vai estudar cérebro de Maguila; entenda

Avatar de Fernanda Ramos Fernanda Ramos · · · 3 min de leitura
maguila

A Universidade de São Paulo (USP) adicionou um importante componente ao seu banco de estudos neurológicos: o cérebro do ex-boxeador Adilson Rodrigues, mais conhecido como Maguila. Famoso no Brasil e no mundo pelos feitos no ringue, Maguila foi diagnosticado com demência pugilística, uma condição resultante de impactos contínuos na cabeça durante sua carreira. A decisão de doar o cérebro para estudos partiu do próprio ex-boxeador em vida, com o apoio da família, que espera que essa doação contribua para avanços científicos na compreensão das consequências neurológicas dos esportes de contato. A notícia foi confirmada por Irani Pinheiro, esposa de Maguila, em entrevista à TV Globo: “A doação do cérebro foi realizada ontem para fins de pesquisa”.

Leia mais: Ex-boxeador Maguila, lenda do esporte no Brasil, falece aos 66 anos

A demência pugilística e o banco de cérebros da USP

USP
Imagem: Reprodução / Universidade de São Paulo

A Faculdade de Medicina da USP, onde o cérebro de Maguila será estudado, é referência em pesquisas sobre envelhecimento e doenças neurológicas, e possui um biobanco de cérebros para estudos científicos avançados.

Essa iniciativa é especialmente relevante no Brasil, onde a demência pugilística — também conhecida como encefalopatia traumática crônica (ETC) — ainda é uma condição pouco explorada, mas que afeta atletas de esportes de contato como boxe e futebol americano.

A contribuição de Maguila amplia o alcance da pesquisa ao disponibilizar um cérebro afetado pela ETC, permitindo análises profundas sobre como a condição se desenvolve e impacta a saúde cerebral a longo prazo.

Outras doações de atletas para o estudo da saúde cerebral

Maguila se junta a outros ícones esportivos cujos cérebros também foram doados para estudo após suas mortes, como Éder Jofre, outro lendário boxeador brasileiro, e Hilderaldo Bellini, capitão da seleção brasileira de futebol.

Esses atletas também foram diagnosticados com encefalopatia traumática crônica, condição que pode levar a perda de memória, confusão mental e até alterações comportamentais graves.

A comparação entre cérebros de atletas como Maguila, um peso-pesado, e Éder Jofre, peso-galo, pode trazer à tona diferenças nos impactos neurológicos de acordo com as categorias de peso e intensidade dos combates.

Como o estudo pode contribuir para o futuro dos esportes

cérebro
Imagem: Freepik

A doação do cérebro de Maguila para a ciência abre novas portas para entender melhor a relação entre esportes de contato e a demência pugilística.

A USP espera que esses estudos ajudem a desvendar aspectos desconhecidos da ETC e ofereçam novas formas de prevenção e tratamento para atletas em atividade.

Por meio dessa pesquisa, a ciência poderá desenvolver protocolos de saúde que minimizem os riscos e permitam uma qualidade de vida melhor para aqueles que praticam esportes de alto impacto.

Imagem: Reprodução / TV Globo

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