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Vale-refeição dura 9 dias em média e trabalhador completa gasto do próprio bolso

Estudo mostra que o vale-refeição perdeu poder de compra em 2026. Veja por que o benefício cobre menos dias e os impactos para trabalhadores.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Vale-refeição dura 9 dias em média e trabalhador completa gasto do próprio bolso

O vale-refeição, um dos benefícios mais importantes oferecidos pelas empresas aos trabalhadores brasileiros, vem perdendo capacidade de cobrir os gastos com alimentação fora de casa. Um levantamento divulgado pela empresa especializada em benefícios Pluxee mostra que, no primeiro semestre de 2026, o crédito disponibilizado pelas empresas foi suficiente para custear, em média, apenas nove dias úteis de refeições.

O resultado representa uma redução em relação ao mesmo período de 2025, quando o benefício cobria aproximadamente dez dias de alimentação. O levantamento também revela uma tendência observada nos últimos anos: enquanto o preço médio das refeições continua subindo, os reajustes concedidos pelas empresas ao vale-refeição têm ocorrido em ritmo menor.

Na prática, isso significa que um número crescente de trabalhadores precisa utilizar parte do próprio salário para completar o orçamento destinado à alimentação durante o mês.

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Vale-refeição
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O que explica a redução do poder de compra do vale-refeição

O principal motivo apontado pelo estudo é a diferença entre a evolução dos preços das refeições e o reajuste concedido pelas empresas no benefício.

Durante o primeiro semestre de 2026, o custo médio de uma refeição fora do lar apresentou crescimento superior ao aumento registrado no valor médio creditado pelas empresas aos colaboradores.

Essa diferença faz com que o benefício cubra uma quantidade menor de refeições, mesmo quando o trabalhador continua recebendo regularmente o vale-refeição.

Em outras palavras, embora o crédito continue existindo, ele compra menos refeições do que comprava alguns anos atrás.

Quanto custa uma refeição em 2026

Segundo o levantamento, o preço médio das refeições atingiu aproximadamente R$ 44,69 no primeiro semestre de 2026.

Ao mesmo tempo, o valor médio disponibilizado pelas empresas por meio do vale-refeição ficou em torno de R$ 583,75.

Essa combinação explica por que o benefício passou a cobrir apenas nove dias úteis de alimentação, considerando o custo médio praticado pelos estabelecimentos.

Para trabalhadores que realizam cerca de 22 refeições durante os dias úteis do mês, torna-se necessário complementar boa parte das despesas com recursos próprios.

Trabalhadores gastam mais do próprio bolso

Um dos dados que mais chama atenção no estudo é o aumento da participação do salário no pagamento das refeições.

De acordo com a pesquisa, o trabalhador precisa desembolsar, em média, um valor superior ao recebido por meio do benefício para conseguir custear toda a alimentação durante o mês.

Isso demonstra que, para muitas famílias, o vale-refeição deixou de ser suficiente para cumprir integralmente sua finalidade de ajudar nas despesas alimentares.

Esse cenário afeta principalmente trabalhadores que realizam refeições diariamente em restaurantes próximos ao local de trabalho ou utilizam serviços de alimentação em centros urbanos, onde os preços costumam ser mais elevados.

Queda vem ocorrendo há vários anos

A redução da cobertura do vale-refeição não começou em 2026.

Os dados históricos da pesquisa mostram que o benefício vem perdendo força ao longo dos últimos anos.

Em 2019, antes da pandemia, o valor médio permitia custear aproximadamente 18 dias úteis de alimentação.

Nos anos seguintes, esse número foi diminuindo gradualmente.

Após a retomada do levantamento, a cobertura ficou em torno de:

  • 13 dias úteis em 2022;
  • 11 dias úteis em 2023;
  • 10 dias úteis em 2024;
  • 10 dias úteis em 2025;
  • 9 dias úteis em 2026.

Essa trajetória evidencia uma perda acumulada do poder de compra do benefício, refletindo o aumento contínuo dos custos com alimentação.

Diferenças entre os estados brasileiros

A duração do vale-refeição também varia conforme a região do país.

Isso ocorre porque o preço médio das refeições não é uniforme entre os estados, assim como o valor dos benefícios pagos pelas empresas.

Segundo o levantamento, os estados do Norte e do Nordeste apresentaram os menores períodos de cobertura.

Roraima registrou o pior resultado, com o benefício sendo suficiente para cerca de seis dias úteis de alimentação.

Na sequência aparecem Maranhão, Acre e Rondônia, todos com desempenho inferior à média nacional.

Já na Região Sudeste foram observados os melhores índices.

Minas Gerais liderou o levantamento, com cobertura média de aproximadamente 13 dias úteis, seguido por Rio de Janeiro e São Paulo, onde o benefício foi suficiente para cerca de 12 dias.

Essas diferenças refletem tanto o custo regional da alimentação quanto as políticas de benefícios adotadas por empresas instaladas em diferentes localidades.

O impacto para empresas e trabalhadores

Especialistas em gestão de benefícios apontam que a redução do poder de compra do vale-refeição pode gerar reflexos tanto para empregados quanto para empregadores.

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Para o trabalhador, o aumento das despesas com alimentação reduz a renda disponível para outras necessidades, como transporte, moradia, educação e lazer.

Já para as empresas, manter benefícios compatíveis com o custo de vida pode contribuir para melhorar a satisfação dos colaboradores, fortalecer a retenção de talentos e aumentar o engajamento das equipes.

Em um mercado de trabalho competitivo, o pacote de benefícios tornou-se um dos fatores considerados pelos profissionais na escolha e permanência em uma empresa.

Vale-refeição e vale-alimentação têm finalidades diferentes

Embora muitas pessoas utilizem os termos como sinônimos, vale-refeição e vale-alimentação possuem objetivos distintos.

O vale-refeição é destinado ao consumo de refeições prontas em restaurantes, lanchonetes e estabelecimentos conveniados.

Já o vale-alimentação é utilizado principalmente para compras em supermercados, mercados, açougues e outros estabelecimentos que comercializam alimentos para preparo em casa.

Em muitas empresas, os dois benefícios são concedidos simultaneamente, mas isso depende da política interna de cada empregador ou das regras previstas em convenções coletivas.

Empresas podem reajustar o benefício?

Sim.

Não existe um percentual obrigatório de reajuste anual para o vale-refeição na maioria das empresas.

Os valores normalmente são definidos considerando fatores como orçamento da organização, negociações coletivas, acordos sindicais e políticas internas de recursos humanos.

Por esse motivo, trabalhadores de empresas diferentes podem receber créditos bastante distintos, mesmo exercendo funções semelhantes.

O papel do Programa de Alimentação do Trabalhador

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Grande parte das empresas concede vale-refeição por meio do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), regulamentado pelo governo federal.

O programa tem como objetivo incentivar a oferta de alimentação adequada aos trabalhadores, promovendo saúde, qualidade de vida e produtividade.

Além de beneficiar os empregados, o PAT oferece incentivos fiscais para empresas que atendem aos requisitos estabelecidos na legislação.

Nos últimos anos, o programa também passou por atualizações relacionadas à portabilidade e à interoperabilidade dos benefícios, buscando ampliar a concorrência entre operadoras e melhorar os serviços oferecidos aos usuários.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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