A Natura, gigante brasileira do setor de cosméticos, avançou de forma significativa no processo de venda ou separação da Avon Internacional e da Avon América Central e República Dominicana (CARD).
Venda da Avon Internacional pode ocorrer em um ano, indica CEO da Natura
Natura avança na venda da Avon Internacional e CARD, com alta probabilidade de conclusão em até 12 meses, diz CEO João Paulo Ferreira.
O presidente-executivo da empresa, João Paulo Ferreira, afirmou nesta terça-feira que os trabalhos para a conclusão dessa operação estão bem adiantados, com alta probabilidade de serem finalizados em até um ano.
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Avon Internacional e CARD são reclassificadas como ativos para venda
No balanço do segundo trimestre divulgado na última terça-feira (12), a Natura reclassificou os ativos referentes à Avon Internacional e à Avon CARD como mantidos para venda. Até o ano passado, essas operações eram consideradas descontinuadas.
“Nossos auditores ratificaram a classificação desses ativos como mantidos para venda dadas as evidências de alta probabilidade de uma conclusão desses processos em até 12 meses”, explicou Ferreira durante teleconferência com analistas, sem detalhar as evidências específicas.
A prioridade estratégica da empresa, conforme reiterou o executivo, é a conclusão das alternativas para a Avon Internacional.
Prioridade estratégica e expectativas de mercado
“A conclusão das alternativas estratégicas para a Avon Internacional é prioridade absoluta”, destacou Ferreira, ressaltando o compromisso da Natura em simplificar sua estrutura.
Analistas do banco JPMorgan, em relatório divulgado pouco antes da teleconferência, afirmaram que os sinais de simplificação no segundo trimestre sugerem uma venda iminente da Avon Internacional. Eles também mencionaram que essa expectativa pode ter impactado o desempenho do Ebitda da empresa, que ficou abaixo do esperado pelo mercado.
Impactos na bolsa e desempenho financeiro
Na bolsa de valores paulista (B3), por volta das 12h20, as ações da Natura caíam 5,96%, cotadas a R$ 8,84. Esse movimento ocorreu após uma oscilação inicial positiva, com alta máxima de 2,55% nas primeiras horas de negociação. Para comparação, o Ibovespa no mesmo horário apresentava valorização de 1,44%.
Resultados do segundo trimestre de 2025
No segundo trimestre, o Ebitda recorrente da Natura atingiu R$ 795,6 milhões, um crescimento de 4,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar disso, a receita líquida apresentou queda de 1,7%, totalizando R$ 5,7 bilhões, valor inferior às previsões dos analistas do mercado financeiro.
Cenário econômico desafiador para o segundo semestre

João Paulo Ferreira avaliou o ambiente de negócios como menos favorável para os próximos meses, apontando uma desaceleração no consumo especialmente no Brasil, além de pressão no México e flutuações cambiais na Argentina.
“Vemos um ambiente de negócios à frente menos favorável, com desaceleração do consumo no Brasil, pressão no México e potenciais variações cambiais na Argentina”, disse o CEO durante a teleconferência.
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Estratégias para enfrentar o consumo mais lento
Para enfrentar o cenário de possível desaceleração no consumo no segundo semestre, principalmente no mercado brasileiro, Ferreira não descartou ajustes operacionais. Entre eles, destaca-se a possibilidade de modificar o mix de produtos ofertados.
“São momentos em que o mix acaba se deslocando um pouco mais na direção de produtos de uso diário, por exemplo… vamos fazendo ajustes nas nossas ofertas para poder manter competitividade, é preciso navegar conforme as ondas do mercado”, explicou o executivo, reforçando a preparação da companhia para esses desafios.
O que a venda da Avon Internacional representa para a Natura?
A venda da Avon Internacional marca um momento de transformação importante para a Natura, que nos últimos anos tem buscado simplificar sua estrutura e focar em suas operações principais. A Avon, que foi adquirida em 2020, tem enfrentado desafios em sua operação global, o que torna a alienação dos ativos uma alternativa para realinhar o portfólio da empresa.
Reorganização e foco no core business
Com a saída da Avon Internacional e CARD, a Natura pretende concentrar esforços e investimentos em suas marcas brasileiras e em outras regiões estratégicas, buscando maior eficiência operacional e rentabilidade sustentável.
Imagem: rafapress / Shutterstock.com

