A relação diplomática entre Brasil e Venezuela atravessa uma de suas fases mais delicadas. Documentos oficiais revelam que o governo de Nicolás Maduro tem ignorado de forma sistemática as tentativas brasileiras de negociar o pagamento de uma dívida bilionária.
Venezuela ignora cobranças do Brasil e mantém dívida bilionária sem resposta oficial
Governo da Venezuela não responde às tentativas do Brasil para cobrar dívida de US$ 1,74 bilhão. Impasse se arrasta sem previsão de solução.
A inadimplência, ligada a financiamentos concedidos pelo BNDES para obras executadas por empresas brasileiras em território venezuelano, já chega a US$ 1,74 bilhão (aproximadamente R$ 10 bilhões).
As informações constam em resposta assinada pela secretária de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Tatiana Rosito, a um requerimento do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
Situação da dívida e paralisação das negociações

A resposta do Ministério da Fazenda é clara:
- As negociações estão suspensas
- O governo da Venezuela não respondeu às comunicações diplomáticas nem técnicas
- O Brasil não consegue estimar um prazo para a solução do impasse
“A negociação se encontra suspensa em razão da ausência de respostas do governo venezuelano”, afirma o documento.
Valores envolvidos e impacto financeiro
Segundo dados oficiais, atualizados em fevereiro de 2025:
- Valor total da dívida: US$ 1,74 bilhão
- Equivalente aproximado: R$ 10 bilhões
- Inclui: Valores indenizados pela União e juros pelo atraso
- Previsão de novas indenizações até junho: US$ 16 milhões (R$ 90 milhões)
Além disso, o Brasil continuará cobrando os juros referentes aos contratos inadimplentes.
Caminhos da cobrança
Diante do silêncio venezuelano, o Brasil tem recorrido a diferentes frentes:
- Comunicação direta com o Ministério da Economia da Venezuela
- Recurso ao Clube de Paris, grupo informal que reúne os principais países credores do mundo
- Utilização de canais diplomáticos, mesmo com o esfriamento nas relações
Origem da dívida: obras financiadas pelo BNDES
A origem do débito remonta aos governos petistas, quando o BNDES financiou obras de empresas brasileiras no exterior. Entre os principais projetos:
- Metrô de Caracas
- Infraestrutura urbana e rodoviária
O modelo previa que o pagamento dos empréstimos seria feito pelo país contratante. Em caso de inadimplência, a União arcaria com a dívida por meio do FGE (Fundo de Garantia à Exportação), criado em 1997.
Oposição pressiona por explicações
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), autor do requerimento, tem cobrado transparência e responsabilização:
- Questiona a viabilidade da reaproximação diplomática sem contrapartidas econômicas
- Aponta omissão do atual governo em responsabilizar a Venezuela
- Destaca os custos ao contribuinte brasileiro
Reações do governo Lula e histórico recente

Desde o início do terceiro mandato, Lula tenta reabrir canais de diálogo com a Venezuela. Em 2023, Nicolás Maduro visitou Brasília, e foram iniciadas tratativas para renegociar a dívida e facilitar o comércio bilateral.
Porém, segundo o documento da Fazenda:
- Após reuniões iniciais, o governo venezuelano não deu seguimento às negociações
- Não houve resposta oficial a novas propostas brasileiras
Fatores que dificultam a retomada das conversas
Vários elementos contribuem para o impasse:
- Relações diplomáticas fragilizadas: O Brasil vetou a entrada da Venezuela no Brics, contrariando interesses de aliados como Rússia e China
- Crise política interna na Venezuela: A instabilidade política sob o regime de Maduro limita a capacidade de articulação internacional
- Contexto eleitoral no Brasil: A oposição utiliza o tema como crítica ao governo Lula, dificultando um ambiente político favorável à conciliação
Histórico de Lula com BNDES e Venezuela
Durante a posse de Aloizio Mercadante como presidente do BNDES em fevereiro de 2023, Lula defendeu os financiamentos externos:
- Atribuiu ao ex-presidente Jair Bolsonaro a responsabilidade pela falta de cobrança efetiva
- Reafirmou que os países devedores são “amigos do Brasil” e que “vão pagar”
- Criticou o que chamou de “difamação” contra o BNDES durante a campanha eleitoral
Como funciona o FGE e os custos ao Brasil
O FGE cobre a inadimplência dos financiamentos externos e, nesses casos:
- A União assume a dívida com o banco credor
- O Tesouro Nacional precisa arcar com as indenizações
- O processo de recuperação dos recursos pode se arrastar por anos
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Consequências econômicas da inadimplência venezuelana
Os impactos para o Brasil incluem:
- Prejuízo fiscal direto
- Perda de credibilidade em operações de crédito externo
- Redução da margem para financiar novas exportações
Tentativas frustradas de conciliação

Apesar de conversas telefônicas entre Lula e Maduro ao longo de 2023 e 2024, os principais marcos incluem:
- Junho de 2023: Discussão sobre um Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos
- Outubro de 2023: Novas tratativas para facilitar o comércio bilateral e discutir propostas de pagamento
- Atualidade: Nenhuma resposta efetiva da Venezuela
Qual é a posição da comunidade internacional?
O Clube de Paris foi acionado pelo Brasil para registrar a inadimplência. O grupo, composto por credores como:
- França
- Alemanha
- Estados Unidos
tem como função:
- Mediar renegociações de dívida externa
- Coordenar esforços multilaterais de cobrança
- Impor sanções diplomáticas ou restrições de crédito aos devedores
Cenários possíveis daqui em diante
Dado o atual panorama, três cenários são considerados possíveis:
- Continuidade do impasse: Sem resposta venezuelana, Brasil mantém pressão internacional
- Intervenção multilateral: Pressão de países como China e Rússia pode forçar Maduro a se posicionar
- Acordo parcial: Negociação com garantias mínimas para retomada gradual dos pagamentos
Como acompanhar o tema
Cidadãos e parlamentares interessados no tema podem consultar as atualizações nos seguintes canais:
- Ministério da Fazenda: www.gov.br/fazenda
- Câmara dos Deputados (Requerimentos de Informação): www.camara.leg.br
- Portal da Transparência: www.portaltransparencia.gov.br
