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Venezuela ignora cobranças do Brasil e mantém dívida bilionária sem resposta oficial

Governo da Venezuela não responde às tentativas do Brasil para cobrar dívida de US$ 1,74 bilhão. Impasse se arrasta sem previsão de solução.

Talita FerreiraPor Talita Ferreira5 min de leitura
Nicolas Maduro vestido de terno em discurso.

A relação diplomática entre Brasil e Venezuela atravessa uma de suas fases mais delicadas. Documentos oficiais revelam que o governo de Nicolás Maduro tem ignorado de forma sistemática as tentativas brasileiras de negociar o pagamento de uma dívida bilionária.

A inadimplência, ligada a financiamentos concedidos pelo BNDES para obras executadas por empresas brasileiras em território venezuelano, já chega a US$ 1,74 bilhão (aproximadamente R$ 10 bilhões).

As informações constam em resposta assinada pela secretária de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Tatiana Rosito, a um requerimento do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

Situação da dívida e paralisação das negociações

salário mínimo da venezuela
Imagem: Alina Vaska e Sittipong Phokawattana / Shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

A resposta do Ministério da Fazenda é clara:

  • As negociações estão suspensas
  • O governo da Venezuela não respondeu às comunicações diplomáticas nem técnicas
  • O Brasil não consegue estimar um prazo para a solução do impasse

“A negociação se encontra suspensa em razão da ausência de respostas do governo venezuelano”, afirma o documento.

Valores envolvidos e impacto financeiro

Segundo dados oficiais, atualizados em fevereiro de 2025:

  • Valor total da dívida: US$ 1,74 bilhão
  • Equivalente aproximado: R$ 10 bilhões
  • Inclui: Valores indenizados pela União e juros pelo atraso
  • Previsão de novas indenizações até junho: US$ 16 milhões (R$ 90 milhões)

Além disso, o Brasil continuará cobrando os juros referentes aos contratos inadimplentes.

Caminhos da cobrança

Diante do silêncio venezuelano, o Brasil tem recorrido a diferentes frentes:

  • Comunicação direta com o Ministério da Economia da Venezuela
  • Recurso ao Clube de Paris, grupo informal que reúne os principais países credores do mundo
  • Utilização de canais diplomáticos, mesmo com o esfriamento nas relações

Origem da dívida: obras financiadas pelo BNDES

A origem do débito remonta aos governos petistas, quando o BNDES financiou obras de empresas brasileiras no exterior. Entre os principais projetos:

  • Metrô de Caracas
  • Infraestrutura urbana e rodoviária

O modelo previa que o pagamento dos empréstimos seria feito pelo país contratante. Em caso de inadimplência, a União arcaria com a dívida por meio do FGE (Fundo de Garantia à Exportação), criado em 1997.

Oposição pressiona por explicações

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), autor do requerimento, tem cobrado transparência e responsabilização:

  • Questiona a viabilidade da reaproximação diplomática sem contrapartidas econômicas
  • Aponta omissão do atual governo em responsabilizar a Venezuela
  • Destaca os custos ao contribuinte brasileiro

Reações do governo Lula e histórico recente

Inflação
Imagem: Reprodução/Miguel Schincariol/AFP

Desde o início do terceiro mandato, Lula tenta reabrir canais de diálogo com a Venezuela. Em 2023, Nicolás Maduro visitou Brasília, e foram iniciadas tratativas para renegociar a dívida e facilitar o comércio bilateral.

Porém, segundo o documento da Fazenda:

  • Após reuniões iniciais, o governo venezuelano não deu seguimento às negociações
  • Não houve resposta oficial a novas propostas brasileiras

Fatores que dificultam a retomada das conversas

Vários elementos contribuem para o impasse:

  • Relações diplomáticas fragilizadas: O Brasil vetou a entrada da Venezuela no Brics, contrariando interesses de aliados como Rússia e China
  • Crise política interna na Venezuela: A instabilidade política sob o regime de Maduro limita a capacidade de articulação internacional
  • Contexto eleitoral no Brasil: A oposição utiliza o tema como crítica ao governo Lula, dificultando um ambiente político favorável à conciliação

Histórico de Lula com BNDES e Venezuela

Durante a posse de Aloizio Mercadante como presidente do BNDES em fevereiro de 2023, Lula defendeu os financiamentos externos:

  • Atribuiu ao ex-presidente Jair Bolsonaro a responsabilidade pela falta de cobrança efetiva
  • Reafirmou que os países devedores são “amigos do Brasil” e que “vão pagar”
  • Criticou o que chamou de “difamação” contra o BNDES durante a campanha eleitoral

Como funciona o FGE e os custos ao Brasil

O FGE cobre a inadimplência dos financiamentos externos e, nesses casos:

  • A União assume a dívida com o banco credor
  • O Tesouro Nacional precisa arcar com as indenizações
  • O processo de recuperação dos recursos pode se arrastar por anos

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Consequências econômicas da inadimplência venezuelana

Os impactos para o Brasil incluem:

  • Prejuízo fiscal direto
  • Perda de credibilidade em operações de crédito externo
  • Redução da margem para financiar novas exportações

Tentativas frustradas de conciliação

Bandeiras do Brasil e Venezuela
Imagem: Aritra Deb/ Shutterstock

Apesar de conversas telefônicas entre Lula e Maduro ao longo de 2023 e 2024, os principais marcos incluem:

  • Junho de 2023: Discussão sobre um Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos
  • Outubro de 2023: Novas tratativas para facilitar o comércio bilateral e discutir propostas de pagamento
  • Atualidade: Nenhuma resposta efetiva da Venezuela

Qual é a posição da comunidade internacional?

O Clube de Paris foi acionado pelo Brasil para registrar a inadimplência. O grupo, composto por credores como:

  • França
  • Alemanha
  • Estados Unidos

tem como função:

  • Mediar renegociações de dívida externa
  • Coordenar esforços multilaterais de cobrança
  • Impor sanções diplomáticas ou restrições de crédito aos devedores

Cenários possíveis daqui em diante

Dado o atual panorama, três cenários são considerados possíveis:

  • Continuidade do impasse: Sem resposta venezuelana, Brasil mantém pressão internacional
  • Intervenção multilateral: Pressão de países como China e Rússia pode forçar Maduro a se posicionar
  • Acordo parcial: Negociação com garantias mínimas para retomada gradual dos pagamentos

Como acompanhar o tema

Cidadãos e parlamentares interessados no tema podem consultar as atualizações nos seguintes canais:

Talita Ferreira

Autor

Talita Ferreira

Talita Ferreira é redatora no portal Seu Crédito Digital, onde aplica seu rigor acadêmico e experiência em linguagem para tornar conteúdos econômicos, sociais e informativos mais claros e acessíveis. Doutoranda e Mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), possui também pós-graduação em Revisão Textual e em Educação, Gêneros e Sexualidade pela UniVitória. É graduada em Letras pela UFJF e tem sólida atuação em revisão, produção de conteúdo e pesquisa em linguagem.

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