O governo dos Estados Unidos finalmente concedeu o visto diplomático ao ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, após um impasse que se arrastava desde o início de setembro. Com isso, ele poderá integrar a delegação brasileira que participará da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, na próxima semana.
Após impasse, Lewandowski tem visto diplomático aprovado
EUA liberam visto de Lewandowski para ONU, enquanto Padilha ainda aguarda. Entenda o impasse e o impacto na comitiva brasileira.
O Itamaraty confirmou nesta terça-feira (16) que a liberação foi comunicada pelo Departamento de Estado norte-americano. A notícia trouxe alívio ao Palácio do Planalto, já que a ausência de ministros-chave colocaria em risco a representatividade da comitiva que será liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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A diplomacia em ação

O episódio evidenciou a importância do trabalho diplomático. O Itamaraty não apenas pressionou formalmente o governo norte-americano, como também levou o caso à própria ONU. A organização classificou a situação como “preocupante”, reforçando que atrasos em concessões de vistos diplomáticos podem comprometer a natureza multilateral de eventos globais.
Embora o visto de Lewandowski tenha sido liberado, a composição da delegação brasileira segue indefinida devido a outras pendências.
Padilha segue à espera do visto
O caso mais emblemático é o do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que aguarda desde 19 de agosto a liberação de seu visto diplomático. O pedido tem como objetivo garantir sua participação na Assembleia Geral da ONU e também em atividades da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em Washington.
Quase um mês após a solicitação, não houve resposta oficial dos EUA. Questionado sobre a demora, Padilha minimizou o episódio.
“Vocês estão mais preocupados com o visto do que eu”, afirmou. “Só fica preocupado quem quer ir pra lá fazer lobby de traição da pátria como alguns estão fazendo. Não é meu interesse.”
Segundo o ministro, sua prioridade no momento é acompanhar a votação da Medida Provisória “Agora Tem Especialistas”, que tramita no Congresso Nacional.
Histórico de atritos com os EUA
Padilha tem um histórico de embates com o governo norte-americano desde 2013, quando esteve à frente do programa Mais Médicos durante o governo Dilma Rousseff. À época, a entrada de profissionais cubanos foi vista pela administração Trump como uma forma de cooperação com o regime de Havana, o que gerou atritos bilaterais.
Mais recentemente, familiares e assessores ligados ao ministro tiveram seus vistos suspensos. A medida foi interpretada como uma retaliação política dos EUA, intensificando as tensões.
Os reflexos para a comitiva brasileira
A indefinição sobre a presença de ministros aumenta os desafios para o Itamaraty na organização da agenda internacional do Brasil. A expectativa do governo era levar uma comitiva robusta para reforçar a imagem de protagonismo do país em debates globais.
- Lewandowski já está confirmado após a aprovação do visto.
- Padilha permanece em compasso de espera.
- A ONU expressou preocupação com os atrasos.
Diplomatas avaliam que os Estados Unidos devem conceder a autorização a Padilha apenas na última hora, uma prática considerada desgastante e que atrapalha o planejamento de compromissos.
A relevância da Assembleia Geral da ONU
A Assembleia Geral da ONU é um dos principais fóruns diplomáticos do planeta. O evento reúne chefes de Estado, ministros e representantes de todos os países-membros para discutir temas centrais como segurança, desenvolvimento sustentável, saúde e democracia.
A ausência de autoridades brasileiras em áreas estratégicas, como saúde pública, poderia enfraquecer a posição do país em negociações internacionais.
O peso político da liberação

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A aprovação do visto de Lewandowski foi recebida como uma vitória parcial do governo Lula. O episódio, no entanto, reforça o desgaste diplomático com os Estados Unidos, que já vinha sendo alimentado por divergências em temas de política externa e questões de direitos humanos.
O governo brasileiro enxerga o caso como uma tentativa de Washington de exercer pressão indireta sobre determinados ministros, dificultando sua atuação em fóruns multilaterais.
O olhar da comunidade internacional
A repercussão internacional do caso vai além da burocracia consular. Para observadores estrangeiros, episódios como este demonstram como disputas políticas internas podem transbordar para a arena diplomática, impactando diretamente a governança global.
A ONU, ao se manifestar, reforçou que garantir a presença de representantes de todos os países é essencial para preservar a legitimidade das discussões multilaterais.
Repercussões no Brasil
Dentro do cenário político nacional, a demora no visto de Padilha abriu espaço para debates. Parlamentares da oposição interpretaram o episódio como um sinal de fragilidade da política externa brasileira, enquanto aliados do governo destacam que a postura dos EUA reflete disputas ideológicas herdadas da administração Trump.
Enquanto isso, Lula se prepara para levar à ONU uma agenda centrada em temas como meio ambiente, combate à desigualdade e defesa da democracia.
Recapitulando
- O visto de Ricardo Lewandowski foi aprovado após pressão diplomática.
- O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ainda não obteve resposta.
- A ONU considerou o atraso na emissão de vistos como “preocupante”.
- O episódio reacendeu tensões históricas entre Brasil e EUA.
- A composição final da comitiva brasileira segue indefinida.
Com informações de: Terra
