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Vistos cancelados pelo governo Trump: veja quais brasileiros foram impactados

Trump revoga vistos de brasileiros ligados ao programa Mais Médicos. Saiba quem foi impactado e os motivos.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
Trump

O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (13) a revogação dos vistos americanos de dois brasileiros: Mozart Júlio Tabosa Sales, secretário do Ministério da Saúde, e Alberto Kleiman, ex-funcionário público. A decisão foi revelada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que justificou a medida com a participação de ambos na implantação do programa Mais Médicos, durante o governo Dilma Rousseff (PT) em 2013.

Segundo Rubio, o programa, que contou com médicos cubanos para preencher vagas no Sistema Único de Saúde (SUS), teria sido “um golpe diplomático inconcebível”. A contratação dos profissionais de Cuba ocorreu entre 2013 e 2018, com apoio da Organização Panamericana de Saúde (OPAS) como intermediária.

“Mozart Sales e Alberto Kleiman usaram a OPAS como intermediária com a ditadura cubana para implementar o programa sem seguir os requisitos constitucionais brasileiros, driblando as sanções dos EUA a Cuba e, conscientemente, pagando ao regime cubano o que era devido aos trabalhadores médicos cubanos”, afirma o comunicado americano.

O governo Trump argumenta que o programa teria enriquecido o regime cubano e prejudicado o povo local, pois dezenas de médicos cubanos relataram ter sido explorados durante sua participação.

Leia mais: Tarifaço de Trump ameaça empregos e finanças no Brasil

Quem são os brasileiros sancionados?

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Imagem: NINA IMAGES / Shutterstock.com

Mozart Júlio Tabosa Sales

Mozart Sales é secretário de Atenção Especializada à Saúde e possui ampla formação na área médica. É graduado pela Universidade de Pernambuco, com residência em Clínica Médica, especialização em Medicina Legal e doutorado em Saúde Integral pelo Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip).

Desde 1999, atua como servidor concursado do Hospital Universitário Oswaldo Cruz e é médico legista do Instituto de Medicina Legal de Pernambuco. Na vida pública, foi vereador do Recife (2004-2008) e presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal.

No governo federal, ocupou cargos de assessor e chefe de gabinete no Ministério da Saúde, sendo secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde entre 2012 e 2014. Durante esse período, participou da criação do programa Mais Médicos, alvo da ação americana.

Alberto Kleiman

Alberto Kleiman atuou como consultor externo da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) para a COP 30 até setembro de 2024. Durante o governo Dilma Rousseff, trabalhou na Secretaria Extraordinária para a COP 30, vinculada à Casa Civil, e teve passagem pela área de Relações Internacionais na Prefeitura de São Paulo e no Ministério da Saúde, onde dirigiu o Departamento Internacional até janeiro de 2015.

O Mais Médicos e a polêmica internacional

O Mais Médicos, criado em 2013, tinha como objetivo levar profissionais de saúde para regiões periféricas e municípios do interior do Brasil. O programa permitia a contratação de médicos estrangeiros, majoritariamente cubanos, em parceria com a OPAS.

O programa buscava suprir lacunas do SUS em regiões carentes, mas foi criticado por parlamentares e entidades médicas por envolver profissionais estrangeiros e driblar algumas exigências legais brasileiras”, destacam especialistas.

A iniciativa foi encerrada em 2018, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), e substituída pelo programa Médicos pelo Brasil, enquanto os médicos cubanos puderam atuar apenas após validação de seus diplomas no país. O Mais Médicos foi relançado em 2023, com cerca de 24,7 mil profissionais atuando em 4,2 mil municípios, incluindo 26 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).

Investigações americanas e alegações de exploração

A investigação do governo Trump sobre o papel da OPAS no programa começou já no primeiro mandato republicano. Em 2020, o então secretário de Estado Mike Pompeo exigiu esclarecimentos da organização internacional, acusando-a de “facilitar trabalho forçado” de médicos cubanos no Brasil.

“A administração Trump cobraria prestação de contas de todas as organizações internacionais de saúde que dependem de recursos de contribuintes americanos”, afirmou Pompeo na época.

Em 2025, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) comemorou a decisão de Marco Rubio, afirmando que “nem ministros, nem burocratas dos escalões inferiores, nem seus familiares estão imunes. Mais cedo ou mais tarde, todos que contribuírem para sustentar esses regimes responderão pelo que fizeram — e não haverá lugar para se esconder”.

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Outros brasileiros com vistos revogados

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Em julho, os EUA também suspenderam os vistos do ministro do STF Alexandre de Moraes e de outros sete ministros da Corte:

  • Luis Roberto Barroso (presidente da Corte)
  • Edson Fachin (vice-presidente)
  • Dias Toffoli
  • Cristiano Zanin
  • Flavio Dino
  • Cármen Lúcia
  • Gilmar Mendes

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também teve o visto suspenso. André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux não foram afetados.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou solidariedade e apoio aos ministros do STF e classificou a medida como “arbitrária e sem fundamento”, afirmando que a ação dos EUA “interfere no sistema de Justiça de outro país e fere princípios básicos de soberania”.

Impactos e desdobramentos diplomáticos

A revogação dos vistos representa um episódio significativo na relação Brasil-EUA, principalmente por envolver figuras de alto escalão no governo e no sistema de Justiça brasileiro. O caso evidencia como decisões de política externa americana podem afetar diretamente servidores públicos e ex-funcionários ligados a programas governamentais.

Especialistas em relações internacionais destacam que a medida pode ser interpretada como pressão diplomática e política, influenciando futuras negociações bilaterais e o posicionamento de autoridades brasileiras em iniciativas internacionais.

Com informações de: g1

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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